Carlos Aquino quer levar o Grupo Aquinos a líder Europeu de mobiliário e espera fechar 2016 com 2 500 trabalhadores

Ter uma empresa na área industrial era um sonho desde criança de Carlos Aquino. “Deixei de estudar, contra a vontade da minha família, e fui trabalhar numa empresa da indústria, por coincidência, de sofás. Recordo-me que, para aprender a função, tive de pagar aos meus colegas para ficarem a ensinar-me fora de horas”, conta o homem que hoje dirige nas duas fábricas, em Tábua e Nelas, cerca de dois mil trabalhadores, que fabricam 3.500 sofás e entre quatro e cinco mil colchões por dia.
“Tive de pagar do meu bolso mas, passado algum te

mpo já fazia acordos com o meu patrão. Fazia trabalho pós-laboral e ele pagava-me também à parte esse valor. Já comecei a fazer negócio com o meu próprio patrão”, recorda Carlos Aquino, de sorriso nos lábios.

No concelho de Tábua, na zona centro do país, no distrito de Coimbra, com um empréstimo de cinco mil contos, a um juro de 38%, sem formação profissional, mas a trabalhar sem horários, fins-de-semana ou feriados, seis pessoas –  Carlos, os dois irmãos e as suas mulheres – deram vida ao sonho. A Aquinos nascia a 15 de Março de 1985.
“Nunca imaginei, em 31 anos, termos este crescimento, imaginava fazer uma fábrica de sofás, mas nunca imaginei chegar onde chegámos”, confessa. A Aquinos, que começou quando Carlos Aquino tinha 21 anos, cresceu, exportou e inovou. E espera chegar ao fim de 2016 com 2.500 empregados, sendo já o maior empregador privado e o principal motor económico da zona centro. A facturação vai em 113 milhões de euros.
O caminho fez-se de sucessos e insucessos, mas sobretudo de trabalho, persistência e resiliência. “Começámos à procura de grandes clientes, grandes contas e vimos que o maior que havia na altura era o Ikea e começámos a tentar entrar. Foi difícil, sempre com os ‘nãos’ à frente, mas, depois de um esforço de cinco anos, tivemos um sim. A primeira factura que fizemos, por coincidência, foi para a loja que eles abriram e que têm em Lisboa”, conta.
Hoje a Aquinos exporta 92% de toda a produção e o grupo factura cerca de 125 milhões de euros. A crise não o assustou: ainda o entusiasmou a lançar-se em novos desafios. “Os grandes investimentos que fizemos nos últimos anos foram precisamente durante a crise. Tinha alguns amigos que me chamavam louco. Investimos, desde a crise para cá, talvez 80 milhões de euros. Chamavam-me louco. Hoje dizem: afinal estavas certo”, diz o aprendiz de estofador, que hoje é dono de um gigante do sector do mobiliário.
A empresa quer continuar a crescer de Portugal para o mundo, por construção ou aquisição de novas empresas. Neste momento, prepara-se para avançar com uma proposta de compra do grupo congénere francês Cauval, que está em processo de falência. Com um volume de negócios de 380 milhões de euros por ano, é um dos principais fabricantes de colchoaria de França e tem filiais na Alemanha, Itália, Reino Unido e China.
O sonho de Carlos Aquino é agora bem maior do que o da criança: “Todos temos um sonho e eu fiz ‘upgrades’ do meu sonho. Agora o sonho é um bocadinho diferente. Não é uma ambição desmedida. Gosto de andar ‘step by step’, mas o próximo passo é sermos líderes europeus, de forma destacada”.
A história é rica, mas, para o homem-forte dos sofás de Tábua, não houve dia como o primeiro. “O momento mais marcante foi o primeiro dia porque tocou mesmo, foi um sonho quase desde criança ter uma indústria. Na altura não pensei se seria de sofás ou outra coisa. Esse dia ainda hoje o recordo como se fosse ontem”.

Diário Económico