A grande vantagem competitiva dos dias de hoje : Aprender mais depressa que os concorrentes

Para leitura neste fim de semana de Páscoa, sugerimos a leitura deste artigo publicado na Harvard Business Review. Em tempos de mudanças cada vez mais rápidas as palavras chave são : aprender rápido, abertura para a mudança, curiosidade, ambição e assumir o erro como uma oportunidade. 
Aprenda a aprender mais depressa
Hoje em dia, as organizações vivem em fluxo constante. Os executivos podem sentir este ritmo sempre crescente de mudanças como particularmente exigente, pois são forçados a responder com celeridade a grandes alterações no funcionamento das empresas e na execução das tarefas. Nas palavras de Arie de Geus, teórico da gestão empresarial, “A capacidade para aprender mais depressa que os seus concorrentes pode ser a única vantagem competitiva sustentável”. Não me refiro uma aprendizagem estruturada numa sala de aula. Falo, antes, sobre resistir ao preconceito de fazer coisas novas, inspecionar o horizonte em busca de oportunidades de crescimento e cada um motivar-se a adquirir capacidades radicalmente diferentes — ao mesmo tempo que continua a cumprir com o seu trabalho. Isso exige vontade de experimentar e tornar-se uma e outra vez principiante: uma noção extremamente desconfortável para a maioria de nós. O segredo é prestar atenção à maneira como fala consigo mesmo acerca de si e depois questionar a validade dessa conversa interior. Ao longo de décadas de consultoria e treino a milhares de executivos de setores diferentes, eu e os meus colegas deparámo-nos com pessoas que têm sucesso neste género de aprendizagem. Identificámos quatro atributos que têm em abundância: aspiração, consciência de si mesmos, curiosidade e vulnerabilidade. Pense na última ocasião em que a sua empresa adotou uma nova abordagem — reviu um sistema de comunicação, substituiu uma plataforma de gestão de clientes, modernizou a cadeia de fornecimento. Sentiu-se ansioso por aderir? Duvido. O mais provável é que a sua resposta inicial tenha sido justificar o facto de não querer aprender. (“Vai demorar muito tempo. A maneira antiga servia perfeitamente”). Quando somos confrontados com novas oportunidades, este é frequentemente o nosso primeiro obstáculo: concentramo-nos nos aspetos negativos e, inconscientemente, reforçamos a nossa falta de aspiração. Quando queremos mesmo aprender alguma coisa, concentramo-nos nos aspetos positivos — aquilo que vamos ganhar por aprendermos. Isto incentiva-nos a agir. Os investigadores descobriram que deixarmos de nos focar nos desafios e passarmos, antes, a considerar os benefícios, é uma boa maneira de aumentar a aspiração a fazer coisas que inicialmente não nos atraem. Por exemplo, quando Nicole Detling, psicóloga da Universidade do Utah, incentivou trapezistas e patinadores de velocidade a imaginarem-se beneficiando de uma capacidade particular, estes sentiram muito maior motivação para a praticarem. 
CONSCIÊNCIA DE SI MESMO
Durante a última década, a maioria dos líderes familiarizou-se com o conceito da consciência de si mesmo. Compreendem que precisam de solicitar feedback e reconhecer como os outros os veem. Porém, no que se refere à necessidade de aprender, as avaliações que fazemos de nós mesmos — o que sabemos e não sabemos, capacidades que temos e não temos — podem continuar a ser muito imprecisas. Num estudo conduzido por David Dunning, psicólogo da Universidade de Cornell, 94% dos professores universitários relataram estar a fazer “um trabalho acima da média”. Claramente, quase metade estava enganada. No meu trabalho, descobri que as pessoas que se avaliam a si mesmas com mais exatidão iniciam o processo dentro das suas próprias cabeças: aceitam que a sua perspetiva é frequentemente parcial ou deficiente e procuram obter uma maior objetividade. A curiosidade é o que nos leva a tentar fazer alguma coisa até sermos capazes, ou a pensar acerca de algo até o compreendermos. O segredo é prestar atenção à maneira como fala consigo mesmo acerca de si e depois questionar a validade dessa conversa interior. Imaginemos que o seu chefe lhe disse que a sua equipa não é suficientemente forte e que precisa de aperfeiçoar a avaliação e desenvolvimento de talentos. A sua reação inicial poderá ser, “O quê?! Ele não tem razão. A minha equipa é forte”. A maioria de nós responde defensivamente a esse género de críticas. Porém, assim que reconhecer os seus pensamentos, verifique se está a ser exato e que factos o apoiam. No processo de reflexão poderá descobrir que está errado e o seu chefe tem razão, ou que a verdade se encontra algures entre ambas as opiniões. A sua voz interior deve servir como “testemunha isenta”, podendo assim estar aberto a detetar as áreas em que pode melhorar e como fazê-lo. 
CURIOSIDADE 
As crianças são infatigáveis na sua ânsia de aprender. A curiosidade é o que nos leva a tentar fazer alguma coisa até sermos capazes, ou a pensar acerca de algo até o compreendermos. As pessoas que têm grandes capacidades de aprendizagem conservam esta motivação infantil ou recuperam-na através de uma conversa interior feita noutros moldes. Em vez de se concentrarem e reforçarem o desinteresse inicial num tema novo, aprendem a colocar a si mesmos “questões curiosas” acerca deste, e às perguntas seguem-se ações. Carol Sansone, investigadora de psicologia, descobriu que as pessoas podem aumentar a sua vontade de lidar com as tarefas necessárias pensando como podem fazer o trabalho de maneira diferente, para que se torne mais interessante. Por outras palavras, mudam a sua conversa interior de “Isto é chato” para “Será que eu podia…?” Pode empregar a mesma estratégia na sua vida profissional dando atenção à linguagem que usa para pensar nas coisas que já lhe despertam interesse — “Como…? Porquê…? Será que…?” — e recorrendo a ela quando precisa de ser curioso. Depois, dê um passo simples para responder à pergunta que tiver feito a si mesmo: leia um artigo, pergunte a um especialista, arranje um professor, junte-se a um grupo — o que lhe parecer mais fácil. 
VULNERABILIDADE 
Quando nos tornamos bons ou mesmo excelentes em algumas coisas, raramente queremos voltar a ser maus noutras coisas. É verdade que somos ensinados a aceitar a experimentação e o “fracasso rápido” no trabalho. Mas também nos ensinam que devemos mostrar os nossos pontos fortes. Por isso, a ideia de sermos maus em alguma coisa durante semanas ou meses, de nos sentirmos desastrados ou lentos, de termos de fazer perguntas parvas e de precisarmos de orientação passo a passo é extremamente assustadora. As pessoas com grande capacidade de aprendizagem permitem-se ser suficientemente vulneráveis para aceitar esse estado de principiante. Quando nos tornamos bons ou mesmo excelentes em algumas coisas, raramente queremos voltar a ser maus noutras coisas. Geralmente, quando estamos a tentar fazer algo de novo e a enfrentar a sua dificuldade, temos pensamentos terríveis: “Detesto isto. Sou mesmo idiota! Nunca vou conseguir fazer bem!” A estática nos nossos cérebros deixa pouca largura de banda para a aprendizagem. A atitude ideal para um principiante é uma mistura de vulnerabilidade e equilíbrio: “Para começar, vou fazer isto mal porque nunca o fiz antes. Mas sei que, com o tempo, serei capaz de aprender”. De facto, os investigadores Robert Wood e Albert Bandura descobriram, em finais dos anos 80, que quando as pessoas são incentivadas a esperar erros e a aprender com eles logo desde o início do processo de aquisição de novas capacidades, o resultado é “mais interesse, persistência e melhor desempenho”.

Harvard Business Review