Estruturas estruturantes ou meras ferramentas de malabarismo político?!

Mudam-se os Governos, mudam-se as vontades, mudam-se as estratégias e vamos todos nós “bailando nesta modinha, do vai e vem”. E nestes malabarismos políticos onde fica o respeito por quem investe e aposta na nossa região? Como é possível criar projetos ou atratividade para o aparecimento dos mesmos, quando este país passa o tempo a ziguezaguear em decisões estruturantes para a economia nacional?
A discussão à volta das vias de acesso rodoviário e ferroviário aos eixos do litoral, estão ao rubro pois existiam planos do anterior executivo que parecem não ser as escolhas para o presente governo do PS. Isso parece-me até certo ponto normal, se existissem justificações plausíveis ou dissonâncias entre os intervenientes políticos sobre a relevância de determinado investimento. Mas é exatamente pela ausência das mesmas, que não se entende que seja deixada para trás a execução do investimento que é considerado por todos como prioritário para o distrito de Viseu, que é a autoestrada Viseu-Coimbra.
Reconheço que o investimento em autoestradas em Portugal foi desmedido e alguns casos injustificado, ao ponto de sermos considerados os campeões mundiais em extensão e crescimento da rede de autoestradas desde 1990. Estamos até classificados pela UE como das melhores infraestruturas rodoviárias da europa. 
Mas julgo percetível por todos que a distribuição foi discricionária e aprofundou assimetrias entre o Interior e o Litoral. E julgo que é também consensual para todos, que a atual ligação (IP.3) é já de há muitos anos considerada como um itinerário perigoso, sem condições para responder às necessidades do tráfego.
Salienta-se também que a solução prevista era equilibrada do ponto de vista do controlo de custos, pois previa o aproveitamento de itinerários existentes ou inacabados, como é o caso do IC12. 

Pelo exposto, julgo que é indispensável que todos nós, enquanto cidadãos, agentes políticos, económicos ou sociais, não deixemos de apelar à continuação de um projeto que é de todos e para todos.
Daniel Marialva
Presidente da Comissão Política do PSD Nelas