Missão icónica a Marte. Critical Software partilha a experiência com estudantes

Às 09:30, os jovens, sentados no chão, olhavam atentos para o ecrã que mostrava em direto o lançamento, no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, da primeira de duas missões europeias a Marte, num satélite que leva consigo tecnologia de empresas portuguesas, entre elas a Critical Software.
Face ao “orgulho” em participar “numa missão tão icónica”, a empresa de Coimbra decidiu partilhar o momento com jovens de escolas secundárias de Coimbra e de Vila Nova de Poiares, referiu o presidente executivo da Critical, Gonçalo Quadros.
Para além da partilha, há também uma mensagem a passar: “Desmontamos as dificuldades nas cabeças destes jovens e mostramos que não há nenhuma razão para não se aproximarem de uma coisa que parece mais distante”, explicou Gonçalo Quadros.
“Podemos sonhar e fazer coisas diferentes”, frisou, esperando que o facto de terem assistido ao lançamento possa incentivá-los a “quererem enveredar por esta carreira”.
Neste momento, a Europa e os Estados Unidos têm um problema de falta de “pessoas das áreas da engenharia”, sendo que a Critical participa em dois programas de requalificação de profissionais de outras áreas para colmatar essa falta de recursos humanos.
Segundo Gonçalo Quadros, neste momento a empresa tem “um défice de 40 pessoas”, esperando recrutar 100 ao longo do presente ano.
Com esse problema em mente, o presidente da Critical Software lançou uma pergunta para plateia: “quem é que daqui admite vir a trabalhar em engenharia?”. Contabilizaram-se cerca de dez braços.
O número reduzido “não foi uma deceção”, mas o objetivo é que no futuro mais jovens levantem os braços quando é feita a mesma questão, sublinhou.
Jorge foi um dos poucos que levantou o braço aquando da pergunta. Sai da Critical ainda com “mais vontade” em seguir engenharia.
Também João, de 17 anos, a frequentar o 11.º ano em Poiares, pensa seguir engenharia informática e a ida à Critical Software foi “uma boa forma de despertar o interesse. Dá mais um empurrãozinho”.
“Parece que não há oportunidades, mas aqui há. Via-me a trabalhar aqui”, disse à Lusa o jovem Jaime, de 20 anos, a frequentar o 12.º.
Já Leonardo, da Escola Secundária D. Duarte, sonha mais alto e foi o único dos presentes a levantar o braço, quando se perguntou quem é que gostaria de ir a Marte.
Antes de assistir ao lançamento, já pensava em seguir uma engenharia, com “vontade de criar qualquer coisa”. Agora, Leonardo pensa em ajudar “a criar um foguetão” e ser “o primeiro português a pisar Marte”.
O lançamento realizado hoje enquadra-se no programa de exploração robótica de Marte, o ExoMars, uma colaboração entre as agências espaciais europeia (ESA) e russa (Roscosmos).
Dentro de um foguetão russo Proton-M seguem um satélite e um módulo de entrada, descida e aterragem em Marte. Ambos têm componentes ‘made in’ Portugal de duas empresas de Coimbra e uma do Porto.
De acordo com a ESA, só a 16 de outubro, depois de entrar na órbita do planeta, é que o satélite se separa do módulo, o ‘Schiaparelli’, que deverá entrar na atmosfera marciana e aterrar na superfície passados três dias.

O ExoMars inclui uma segunda missão, que prevê o envio para Marte, em 2018, de um veículo robotizado, o primeiro europeu no planeta, que vai andar na superfície e recolher e analisar amostras do subsolo que possam conter marcadores biológicos de vida passada, ou até presente.

Diário Económico