DIA INTERNACIONAL da MULHER : Artigos de opinião no masculino e no feminino

Ser Mulher
Vivemos, ainda, numa sociedade machista. As mudanças de mentalidades demoram imensos anos e a da igualdade entre os géneros muito mais.
A história da humanidade relata que as mulheres foram dominadas pelos homens e, sendo assim, isto se dava em decorrência de uma cultura que fez tradição há séculos, por isso, imutável, devendo todos conformar-se com tal realidade, mesmo não aceite, como era o caso de muitas mulheres.
A verdade é que a mulher já ocupa qualquer cargo e exerce profissões que antes só aos homens lhes era permitido. Só os cargos de topo na actividade bancária ou de grandes grupos empresariais parecem ser as excepções – pela negativa. 
As quotas para as eleições de cargos públicos já deviam estar abolidas – deviam ser algo do passado. Um mal necessário que hoje dispensamos. O Ensino Superior é na sua maioria frequentado por mulheres que adquirem as mesmas competências que os homens e vão entrar no mercado de trabalho com as mesmas “armas”. A socióloga Maria Filomena Mónica afirma que “a vingança será terrível” e “que as raparigas têm muito mais ambição”.
Nunca um jornalista perguntou a um ministro – casado e pai, como concilia a sua atividade política com a sua vida particular. A uma ministra – casada e mãe, é logo a primeira pergunta que se lhe faz: “Como vai gerir o seu tempo de ministra com as de mãe e de dona de casa?!”. Desta forma, quase, inconsciente revela-se quanto a sociedade ainda é machista.
As mulheres evoluíram muito e, mesmo sendo consideradas como o sexo frágil, quando comparadas aos homens, venceram muitas dificuldades e barreiras. Desta forma, têm exercido atividades que algumas feministas do passado não poderiam imaginar como dirigirem autocarros, serem polícias e, mais recentemente a forte convicção, que os Estados Unidos da América – primeira potência mundial, vão ter uma Presidente.
Porém, há que se destacar que este aumento ainda não é satisfatório, pois o número de mulheres que atingem o topo das carreiras de destaque e conquistam cargos de comando ainda é bem inferior aos dos homens nas mesmas condições. 
O que se vive na contemporaneidade não se trata de uma nova polarização: esta nova sociedade busca reconstruir a unidade de um mundo que ficou dilacerado entre um universo masculino definido como superior e um universo feminino, definido como inferior. As mulheres não buscam construir uma sociedade de mulheres. Elas não querem, nem devem, masculinizarem-se. 
Mas a mulher moderna tem desbravado caminho. É ágil, segura, confiante e possuidora da capacidade de enfrentar os desafios dos novos tempos, sem nunca perder a sua feminilidade. Um mundo sem mulheres não era para mim! 
A todas vós, bem-haja!
Vítor Santos
Técnico Superior do Politécnico de Viseu
Licenciado em Comunicação Social

A luta pelos direitos das mulheres é uma história que não está terminada

O Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março, é um símbolo das lutas que as mulheres travaram no passado e que resultaram em conquistas em termos de direitos, que estão consagrados na legislação, ainda que na realidade não se concretizem em igualdade efectiva entre homens e mulheres.
Na vida familiar, as mulheres continuam a ser discriminadas e, mesmo as mais escolarizadas, asseguram as tarefas domésticas e relativas aos cuidados dos filhos e idosos, assumindo papéis de subserviência, justificados em valores culturais, que as próprias reproduzem na educação dos filhos e por receio da não-aceitação social e crítica. A própria legislação é fruto de uma cultura paternalista que fomenta a desigualdade de género ao sobrevalorizar a figura masculina em detrimento da mulher, quer no direito de família, quer  no cível, com uso de termos manifestamente arcaicos como pater familias, em que o homem surge como figura de referência e de identificação social.
Nos locais de trabalho, apesar da maior escolarização e das conquistas das mulheres, têm-se mantido as assimetrias salariais e o estatuto de inferioridade, com evidente valorização do trabalho masculino, existindo, para as mesmas funções ou idênticas, salários e promoções diferenciados. Em períodos de austeridade e de crise, elas estão ainda mais expostas à precariedade e ao desemprego. O acesso a certas profissões é condicionado às mulheres, nomeadamente na política, que continua a ser um lugar de homens, que legislam de acordo com os interesses de uma sociedade patriarcal, que muito interdita às mulheres.
A violência de género parece reproduzir-se naturalmente, verificando-se que representa a forma mais extrema de discriminação vivenciada por mulheres. Estima-se que uma em cada quatro seja vítima de violência verbal, psicológica, física e/ou sexual, praticada pelos actuais ou ex-maridos/companheiros/namorados, violência que nalguns casos termina com a morte da mulher. Os mais jovens reproduzem comportamentos de violência nas relações de namoro, permitindo perpetuar e naturalizar os maus-tratos contra as mulheres, e que só poderão mudar com a efectiva educação para a igualdade.
A luta pelos direitos das mulheres é, assim, uma história que não está terminada, continuando a surgir sérias razões para mobilização neste Dia Internacional da Mulher.
Marília Alves
Técnica Superior do Ministério da Justiça
Licenciada em Serviço Social