Ouro em estado líquido

O petróleo afundou nos últimos meses e o preço do azeite subiu. Esta tendência oposta aumentou o diferencial entre as matérias-primas, levando uma tonelada métrica de azeite a valer 16 vezes mais do que um barril de petróleo.

Os preços do petróleo afundaram nos últimos meses, penalizados pelo excesso de oferta no mercado. Pelo contrário, o azeite valorizou, devido a uma quebra das colheitas e ao aumento da procura dos consumidores. Uma tendência oposta que aumentou a diferença entre os preços das duas matérias-primas. Uma tonelada métrica de azeite tornou-se 16 vezes mais valiosa do que uma tonelada métrica de petróleo.

O cabaz de referência do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o azeite extra virgem subiu 5% em Janeiro para 4.395,280 toneladas métricas – o último dado disponível. O petróleo, pelo contrário, caiu 7% no primeiro mês do ano e mantém essa tendência de queda. Transacciona nos 36 dólares em Londres, o que equivale a 272,88 dólares por tonelada métrica. Ou seja, uma unidade de azeite vale 16 vezes uma unidade de petróleo.

Comparando com o West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, a diferença é ainda maior. O crude transacciona na casa dos 33 dólares por barril, elevando para 17 vezes o diferencial face ao azeite.

Tendências divergentes

Antes do início do colapso do petróleo em 2014, quando a produção aumentou fortemente e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu manter a sua oferta, o azeite já era mais valioso do que o crude, mas apenas cinco vezes. Com o agravamento do excedente de matéria-prima no mercado e o abrandamento da procura, os preços do petróleo acentuaram a queda. Pelo contrário, a produção de azeite a nível mundial caiu 26% na ano passado, de acordo com os dados do Conselho Oleícola Internacional.
A quebra acentuada da produção em Itália e Espanha, dois dos maiores produtores mundiais (após a Tunísia e precedendo Portugal) – devido às condições meteorológicas e a uma bactéria que afectou as oliveiras – provocou a subida dos preços. “A colheita em Itália foi a mais baixa em 25 anos, foi um desastre”, disse Vito Martielli, analista do Rabobank, ao Financial Times.

Acentuar da diferença

Este ano, contudo, a produção deverá recuperar, antecipa Martielli. Mas, as perspectivas para o petróleo são de mais quedas. A Rússia e a Arábia Saudita, juntamente com outros membros da OPEP, iniciaram conversações para um acordo para congelar a oferta nos níveis actuais. Mas requerem a participação do Irão, que esta semana, considerou que o acordo é “ridículo”, aumentando a improbabilidade da sua concretização.

Com a expectativa de que a oferta continue a crescer, alguns bancos de investimento, como o Goldman Sachs, admitem que o barril de petróleo pode chegar aos 20 dólares. Nesse caso, o diferencial (considerando o preço actual do azeite) subiria para 29 vezes. 
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