Brancos de Verão, de Inverno, de sempre …

Confesso-me, enquanto enófilo, cada vez mais interessado e fascinado por vinhos Brancos, originários de vários locais do planeta. Com DNA´s que variam entre frescura, doçura, tropicalismo, mineralidade, acidez marcada e complexidade, selecionei algumas uvas que marcam indelevelmente algumas regiões demarcadas no mundo : o velho e o novo. 
ALEMANHA
O Riesling Renana tem como seu berço os vales dos rios Saar, Ruwer e Mosela, todos no nordeste do país,na região fronteiriça com a França e Luxemburgo.
Como os invernos são rigorosos e os verões amenos,o Riesling tem baixo teor alcoólico, normalmente entre 11 e 12 graus, o que é uma dádiva . Este mesmo frio ajuda para que a casta seja ácida, aromática, refrescante e de grande capacidade de guarda. Há exemplares que aguentam muito bem até 20 anos de garrafa. A acidez é a chave da longevidade nos brancos.
FRANÇA
Alsácia é uma terra mágica para os vinhos brancos. Num dos melhores terroir´s do planeta para cepas de uvas brancas, está região é protegida pelos frios ventos do norte pela cadeia de montanha os Vosges em suas zonas mais baixas. somado ao solo que transfere aos vinhos uma mineralidade única temos a Riesling em alta conta. Tudo somado aos pequenos e familiares produtores que são donos de poucos hectares, mas tem o vinho no sangue de muitas gerações, podemos dizer que há Riesling de alta exceção.
LUXEMBURGO
Luxemburgo é um  país encravado entre a Alemanha, França e Bélgica. Em termos culturais  aproxima-se muito da Alemanha – é muito mais o que os une, do que aquilo que os separa. Mais ainda em termos de vinhos, que é o que nos interessa neste momento.
São vinhas plantadas as margens do Mosela, rio que faz fronteira com a Alemanha. O Mosela nasce em Metz, na França e vai desaguar no Reno, em Koblenz, na Alemanha. Basicamente são vinhas muito parecidos com as alemãs.
Estamos na presença de uma vasto reino de vinho branco, ácido, mineral e aromático. A diferença é que aqui é muito utilizada a casta Ebling. São também utilizadas as castas Pinot blanc, Pinot gris, Riesling, Rivaner, Rülander e Traminer.
São castas brancas e de teor alcoólico baixo, algo em torno de 10 a 12 graus, logo adequados para climas bem quentes.
ÁUSTRIA
O Grünner Veltliner é a centro do genoma vínico da Áustria.
Aqui a produção vinícola é muito pequena,e quase todo o vinho é ali consumido, o que não impediu que esta fantástica casta, aos poucos fosse sendo conhecida além fronteiras.
Produz vinhos brancos de excelente acidez, quase crocantes, quando jovens são  pouco aromáticos e bastante nervosos, minerais e herbáceos. Com o tempo de garrafa (5 a 8 anos),desenvolvem aromas complexos, na boca algo entre frutos secos e nozes.
É plantada no extremo oeste do país, por onde passa o emblemático rio Danúbio.
CHILE
Este país emergente, carateriza-se por ter vinhedos cada vez mais próximo do Pacífico, para assim as plantas receberem os frios ventos da corrente de Humboldt : a mais fria das correntes marinhas que desemboca no seu litoral, exatamente na altura de Colchagua. 
A Sauvignon Blanc e o Chardonnay de regiões como Maipo Costeiro, Cachapoal e Apalta, estão a cada dia com acidez mais firme e com vocação para longos anos de garrafa, onde desenvolverão aromas de nozes e frutos secos.
PORTUGAL 
Arinto, Alvarinho e Encruzado. São as castas Lusitanas que mais seduzem o meu palato e dispensam grandes apresentações. Estamos na presença das melhores uvas brancas do mundo, que nos transportam para grandes sensações, cada uma delas com as suas peculariedades. A mineralidade e acidez do Encruzado conferem-me uma aptidão gastronómica, versatilidade e longevidade únicas. O Alvarinho e Arinto primam pela frescura, leveza e grande vida. Todas elas em conjuntos muito harmoniosos, equilibrados, mas ao mesmo tempo complexos. Viva o vinho e celebremos a vida, durante o ano inteiro, com grandes Brancos. 

Ilustro esta pequena viagem pelo mundo dos Brancos, com um grande Encruzado do nosso Dão, que recentemente provei. A Quinta Mendes Pereira representa o que de mais autêntico se vai vendo neste magnífico terroir, sendo um vinho, como o nosso colega Fernando Melo explica “que deve ser explorado, não só com o Queijo Serra da Estrela, mas também com carnes grelhadas nas brasas ou tripas à moda do Porto”.
José Miguel Silva