ZIKA VIRUS : O mais recente pesadelo

Nos últimos meses o vírus Zika tem sido protagonista, quase diário, nos meios de comunicação social. O pânico mundial com o Zika alastra com o crescimento do número de vítimas do vírus. Foram notificados casos de doença por vírus Zika em vários países: Brasil, Cabo Verde, Colômbia, El Salvador, Fiji, Guatemala, México, Nova Caledónia, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Samoa, Ilhas Salomão, Suriname, Vanuatu, Venezuela, Martinica, Guiana Francesa e Honduras. Em Portugal foram notificados até ao momento seis casos, mas o alerta é total, sobretudo na Madeira, onde o mosquito já foi encontrado. 
A Organização Mundial de Saúde declarou o Estado de Emergência de Saúde de Importância Internacional pelo aumento de casos de microcefalia, isto é, com o perímetro cerebral inferior ao normal (32 centímetros), e problemas neurológicos, com consequências sérias de desenvolvimento cognitivo e motor, e a sua possível relação com este vírus. 
O Zika é um vírus pertencente ao género Flavivírus. Foi isolado pela primeira vez em 1947, num macaco “rhesus” oriundo da floresta de Zica, no Uganda, e posteriormente, em 1952, em humanos, no Uganda e República Unida da Tanzânia. Transmite-se ao ser humano através da picada de um mosquito infectado, o Aedes Aegypti.  O período de incubação varia entre 3 a 12 dias após a picada . Este é também o mosquito responsável pela transmissão a 80% dos casos da infecção do dengue, chikungoniau e febre-amarela. Na esmagadora maioria (entre 60 e 80%) das pessoas infectadas, a infecção é assintomática, dificultando o diagnóstico. Quando há sintomas, os mais comuns são síndroma febril, exantema maculopapular (começa na face e pode atingir todo o corpo), artralgias, mialgias, cefaleias, problemas oculares (conjuntivite não purulenta, hiperemia conjuntival, dor ocular) e queixas gastrointestinais. A transmissão sexual, perinatal e mesmo por transfusão de sangue e derivados ainda está por confirmar mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) já assumiu que existem grandes probabilidades de uma pessoa infectada poder transmitir o Zika através do sangue ou do sémen.
Tendo em conta as características do vírus e dado que não há vacina para prevenir a infecção nem qualquer medicamento para combater os efeitos do vírus, a melhor protecção centra-se na prevenção da picada do mosquito. Embora globalmente as viagens não estejam desaconselhadas, perante a possibilidade da doença por vírus Zika causar malformações em fetos, a Direcção Geral da Saúde recomenda que as grávidas não se desloquem para zonas afectadas. 
Como farmacêutica reforço algumas informações úteis para quem faça viagens para zonas afectadas:
Antes da viagem: procurar aconselhamento em Consulta do Viajante e assegurar protecção contra picada de mosquitos
Durante a viagem: seguir as recomendações das autoridades locais, utilizar vestuário adequado (largo e de cores claras) para diminuir a exposição corporal à picada, aplicar repelentes e reaplicar quando necessário (sempre após a aplicação do protector solar), tendo particular atenção a crianças, idosos, grávidas e recém-nascidos(não são recomendados em idade inferior a três meses), ter especial atenção durante a manhã e ao final do dia (períodos de maior actividade do mosquito).
Após a viagem: as grávidas que tenham permanecido em áreas afectadas devem consultar o seu médico mencionando a viagem e todos os viajantes provenientes de áreas afectadas que apresentem sintomas de doença por vírus Zika, até doze dias após o regresso, devem contactar a Saúde 24 ou o seu médico.
 Helena Baptista Marques
Directora Técnica Farmácia Faure