Azeite : Produção histórica não impede subida dos preços

As previsões agrícolas do INE apontam para uma campanha histórica na produção de azeitona. No ano passado, a azeitona para azeite atingiu 765 mil toneladas, um valor 75% acima do que foi registado em 2014 e o terceiro mais alto dos últimos 75 anos.
A produção de azeitona para azeite atingiu, no ano passado, valores históricos. Segundo a previsão do Instituto Nacional de Estatística, em 2015 foram produzidas 765 mil toneladas de azeitonas com a finalidade de serem transformadas em azeite. É o valor mais alto dos últimos 50 anos, indica o INE. E nos últimos 75 anos, só noutras duas ocasiões – uma nos anos 1950 e outra nos anos 1960 – é que a produção de azeitona para azeite foi mais alta.
Uma vez que esta azeitona é produzida apenas com a finalidade de produzir azeite, é expectável que a produção de azeite atinja igualmente valores históricos. A campanha de apanha de azeitona começou em Novembro e já terminou, e os frutos ainda estão a ser transformados em azeite nos lagares. A produção desta azeitona em 2015 foi 75% superior à registada em 2014 (438 toneladas), que foi considerada pouco produtiva.
De acordo com o INE, este resultado só foi possível devido aos novos olivais intensivos, instalados “principalmente no sul do país”, que não foram afectados pela falta de chuva porque são regados, ao contrário do que acontece nos olivais tradicionais de sequeiro. Por isso, o aumento da produção “não foi regionalmente uniforme”, tendo sido menor nas regiões do interior Norte e Centro e bem maior no sul, em especial no Alentejo, que reestruturou o sistema produtivo da azeitona, passando a olival intensivo.
Mais azeite e de melhor qualidade
O facto de a produção ter sido concentrada nos olivais intensivos (“plantados com variedades muito produtivas e equipados com sistemas de rega”, explica o INE) permitiu ainda que a “pressão de doenças criptogâmicas” fosse “relativamente reduzida”, o que permitiu que os olivais regados “pudessem alcançar todo o seu potencial produtivo”. Por isso se prevê “a melhor campanha das últimas cinco décadas”.
Além disso, em regra, “as azeitonas chegaram aos lagares em boas condições sanitárias, o que tem permitido a produção de azeites com baixa acidez e boas características organolépticas”. Ou seja, a produção de azeite deverá atingir níveis históricos e com um nível de qualidade elevado.
A alavancar a histórica produção que o INE prevê para 2015 está ainda a melhor gestão dos olivais, que se traduz em “podas menos severas, tratamentos fitossanitários adequados e apanha da azeitona menos penalizadora dos anos posteriores”.
Tudo isto permitiu “alavancar a produção oleícola nacional para valores que rivalizam com os alcançados em meados do século passado”, assinala o INE.
Portugal é o quarto maior exportador mundial de azeite, numa tabela que é liderada pela Tunísia. Segundo o Financial Times, devido à baixa produção de Itália – a mais baixa dos últimos 25 anos – os preços do azeite estão a subir em média 20% na Europa.

Entretanto o mau tempo em Espanha e uma praga em Itália atiraram abaixo a produção mundial de azeite. Resultado: os preços dispararam 20 por cento para o consumidor em 2015. Uma garrafa de 75 cl de azeite ficou assim um euro mais cara para os portugueses. Segundo a consultora IRI, a subida de 20% custou aos consumidores mais 231 milhões de euros a nível europeu. Em Portugal, os produtores admitem que “os preços tiveram de subir por força do mercado”. Francisco Ataíde Pavão, responsável pelo azeite Casa de Santo Amaro, diz ao CM que a produção no País nem se ressentiu, mas que, tal como no petróleo, “os preços em bolsa pressionaram no sentido da subida”. O produtor não antecipa, contudo, que se volte a assistir a uma subida dos preços do azeite este ano. Uma garrafa de azeite de 75 cl custava no início do ano passado, em média, 3,83 euros. Hoje, está nas lojas a 4,79 euros: são mais 96 cêntimos a sair dos bolsos dos portugueses. Mas nem por isso os produtores de azeite estão a lucrar com o mercado. O Brasil, que é para onde o azeite português mais é exportado, viu o real desvalorizar, tornando as exportações menos atrativas.