Almeida Henriques : “Ligação Coimbra-Viseu, IC12 e IC37, segundo o atual governo, não é sustentável e não há dinheiro para estas obras”

O presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques (PSD), mostrou-se preocupado com a possibilidade de o Governo deixar “para as calendas” a ligação ferroviária Aveiro/Viseu/Mangualde, por falta de verbas.
Almeida Henriques esteve na segunda-feira na reunião do Conselho Regional do Centro, em Castelo Branco, e disse que o ministro das Infraestruturas aí afirmou “que a prioridade que o Governo tinha definido era a reabilitação da Linha da Beira Alta e a construção do troço entre Aveiro, Viseu e Mangualde”.
“Foi reafirmada a opção pela ferrovia e foi reafirmada também a opção por uma bitola que permita a integração ibérica e posteriormente também a questão europeia”, referiu.
Almeida Henriques contou que lhe perguntou como ia “arranjar o dinheiro para poder fazer estes dois troços”, tendo obtido a resposta de que “a Linha da Beira Alta seria candidatada ao CEF (Connecting Europe Facility), no âmbito da coesão, com uma comparticipação de 85%, e que a outra parte seria candidatada a uma outra fase do CEF, mas que o Governo iria apresentar e manter-se junto de Bruxelas para que esses fundos pudessem ocorrer”.
“Se olhasse para isto de uma forma não realista dava os parabéns ao Governo por esta opção porque, no fundo, reabilita uma linha e cria uma outra para potenciar o Centro/Norte do país”, acrescentou.
No entanto, o antigo secretário de Estado da Economia disse estar preocupado “que os recursos não cheguem a tudo e que se deixe para as calendas a lógica da ligação Aveiro/Viseu/Mangualde”.
Por isso, defendeu: “Faça-se então a ligação de Viseu à Linha da Beira Alta como já o primeiro troço da futura ligação a Aveiro”, o que permitirá cumprir o objetivo de ligar Viseu ao comboio, previsto no estudo do grupo de trabalho para as Infraestruturas de Valor Acrescentado (IEVA) e no Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas (PETI).
Almeida Henriques mostrou-se também preocupado com o que disse ter ouvido na reunião relativamente à nova ligação rodoviária entre Viseu e Coimbra, alternativa ao Itinerário Principal 3.
O autarca contou ter ficado incrédulo ao ouvir que “o projeto que o Governo anterior deixou e com o qual assumiu compromissos com a região não é sustentável e que não tem dinheiro para o fazer”.
“No executivo anterior ficou bem patente que era um processo para um concurso de conceção, exploração e construção e, portanto, o financiamento deveria vir de privados. Ao que sabemos, as Infraestruturas de Portugal fizeram uma pré-qualificação e há pelo menos oito interessados em fazer esta obra”, lembrou.
Segundo Almeida Henriques, o secretário de Estado assumiu que “até fevereiro de 2017 terá o estudo prévio e que até setembro de 2017 estaria pronto o estudo de impacto ambiental”.
“Não disse foi de quê”, acrescentou, lembrando que há o consenso na região de que “o traçado que foi encontrado é uma boa solução, aproveitando o IC12 e uma parte da A13, fazendo a ligação a Sul de Coimbra e construindo o troço do IC37 em forma de autoestrada entre Viseu e o IC12”.
Almeida Henriques disse ter saído da reunião com a ideia de que “o Governo atira para as calendas gregas a ligação Viseu – Coimbra, o que é de grande gravidade”.
“O que estamos a ver da posição do Governo é que vamos adiar mais dois anos para decidir depois. Não pode ser, é inadmissível”, frisou.
Almeida Henriques mostrou-se solidário com o seu colega do Porto, Rui Moreira, relativamente à estratégia da TAP para o aeroporto Francisco Sá Carneiro, por este ser uma infraestrutura “importante do ponto de vista do contexto do Centro/Norte do país e da ligação a Espanha”.

“É um ativo muito importante para Viseu. Que não se entenda que isto é um problema do Porto, é um problema do Centro/Norte do país”, considerou.
Lusa