Requalificação da Linha da Beira Alta vai finalmente avançar num investimento de 691 milhões. Capacidade passará de 14 para 20 comboios

– Governo aposta ainda na construção do novo corredor Aveiro-Viseu-Mangualde. A sua concretização fica no entanto condicionada à obtenção de financiamento comunitário. 

Na sexta-feira o Governo apresentou os investimentos ferroviários para o país até 2020, nos quais a maior fatia (691 milhões de euros) é alocada à modernização da linha da Beira Alta e à reabertura do troço Guarda-Covilhã na Beira Baixa.
Esse investimento, vocacionado para o tráfego de mercadorias, prevê aumentar a capacidade da Beira Alta dos actuais 14 comboios de 500 metros de comprimento para 20 comboios de 750 metros. No entanto, atualmente, só circulam três comboios diários de mercadorias naquela linha.
De acordo com o jornal Público, o projeto apresentado pelo Governo prevê que esta modernização se faça mantendo a bitola ibérica (distância entre carris), mas com travessas especiais que permitirão, a qualquer momento (quando Espanha assim o entender), mudar para bitola europeia. Uma solução que deita por terra o argumento de que a linha Aveiro-Espanha seria necessária por causa da bitola europeia. Ainda assim, o plano apresentado pelo ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, contempla, desenhado no mapa, uma nova linha Aveiro – Viseu – Mangualde, no que será um meio termo em relação à versão anterior do Aveiro-Vilar Formoso. Só que tal projecto carece ainda de candidatura a fundos comunitários. A candidatura poderá ser formalizada já na próxima semana. Os municípios de Coimbra defendem ainda a reabertura da linha Pampilhosa – Cantanhede – Figueira da Foz, para melhor servir o porto desta cidade, e dizem que o porto de Leixões poderia ficar mais perto da Europa se fosse reactivada a linha do Douro, na sua ligação a Espanha, que custaria um quinto do investimento da linha Aveiro – Vilar Formoso.

Contactado pelo nosso jornal, o presidente da Câmara de Nelas confirmou-nos este anúncio por parte do Ministro do Planeamento e Infraestruturas. Pedro Marques reafirmou assim como primeira opção a requalificação da Linha da Beira Alta, em consonância com a posição assumida pela maioria dos autarcas da região e pelo anterior governo. Borges da Silva participou entretanto hoje numa reunião do Conselho Regional do Centro, em Castelo Branco. Este Conselho, onde estão representadas cerca de 100 autarquias da região, defendeu também esta opção. O edil de Nelas, em declarações ao nosso jornal, referiu que”para além da defesa da ferrovia, voltei a chamar a atenção para a conclusão do IC12, assim como dei conta das preocupações manifestadas pelo presidente do Conselho de Administração da Fundação Lapa do Lobo, Carlos Cunha Torres, sobre o atual estado do IP3″.