Imprensa regional conquista terreno

Os jornais regionais – através das várias plataformas, passaram a ser mais lidos dos que os diários de âmbito nacional em todos os distritos, excluindo Lisboa e Porto, de acordo com um estudo promovido pela Associação da Imprensa Não Diária.
A imprensa sofreu ao longo dos tempos diversas mutações tornando-se dependente da publicidade, a sua fonte de investimento. Com o passar do tempo o jornal impresso apesar das mudanças no aspeto gráfico, o conteúdo informativo foi descuidado.
Nos finais do século passado nota-se uma falta de elementos atrativos e uma escassa preocupação com os problemas quotidianos da sociedade. A imprensa escrita não tem em conta os sentimentos, as aspirações das pessoas, facto que leva ao crescente desinteresse por esta. A imprensa começou a interessar-se não pela procura da notícia, da informação credível, mas entregou-se ao sensacionalismo, ao espetacular da informação, o produto que as massas gostam. Passa a existir o chamado jornalismo de «secretária» com as agências de comunicação e os profissionais contratados pelas instituições e enviarem a «notícia». São os próprios governos que praticam a política de quanto menos se lê melhor. Ou seja, o poder apoia mais a cultura da vista e ouvido que a reflexiva. Durante as guerras, a imprensa surgiu como meio de propaganda, mas com o surgimento da rádio e da televisão – depois da internet, os governos preferiram apoiar a cultura visual e auditiva. Estes começaram a ser os meios utilizados pelo poder político para influenciar e «manipular» as massas. 
De repente, a imprensa «deixa» de ter apoios. Não se levam a cabo campanhas que incitem à leitura, as peças não são competitivas. Por outro lado, a própria atitude de muitos políticos em relação aos jornais não se diferencia da adotada pela publicidade. Os poderes usam muitas vezes a sua influência «vendendo» a sua imagem aos jornais que têm mais visibilidade mediática. Como têm larga influência sobre a imprensa, o poder político atende, mima e filtra informações – principalmente, a local, com o objetivo de difusão e afinidades. Quando o poder interfere na política informativa de um jornal há um claro prejuízo da pluralidade informativa. A tendência acentua-se e cada vez mais se reduzem espaços nos jornais, alguns fecharam, situação que contribui para o condicionamento da oferta. A palavra escrita exige uma participação do leitor, um esforço de imaginação, operações de memória, associação e reação, algo que as imagens da televisão e da internet dispensam aos espetadores. Os leitores fiéis à imprensa diminuíram. Os jovens demonstram pouco interesse pelos jornais preferindo a televisão, a rádio e o cinema, tendo em conta essa clientela, as empresas mudam de «feições». Os jovens não têm formação e não estão educados para ler jornais.
A internet “partilha” a informação de âmbito nacional e internacional e a imprensa regional, pelas suas características, assume um papel relevante por ser um jornalismo de proximidade. Além desta realidade, há ainda a acrescentar o valor que esta Imprensa desempenha junto de todos os portugueses que vivem fora do país, longe da sua terra, dos seus hábitos, culturas, valores e tradições.
Depois de um período difícil de sobrevivência a imprensa regional, que não é o parente pobre do jornalismo, está cada vez mais valorizada.
Mantendo a independência do poder local – que nem sempre é fácil, estes jornais ganham muitos leitores. Uma Região sem imprensa é fraca e temerosa. 
Vítor Santos
Técnico Superior de Politécnico de Viseu – Lic. em Comunicação Social

NOTA Editorial
Não poderíamos deixar passar em branco este artigo do nosso colega e colaborador, que faz uma excelente reflexão do atual panorama jornalístico no nosso país. 
Desde 1986 sou um grande defensor (e parte ativa), de forma ininterrupta, do jornalismo local e regional. Não há vida para mim mais apaixonante do que o jornalismo de proximidade. Sentir o pulsar das populações, dos negócios, do desporto, da cultura, da política,da alma de uma região, é uma experiência única. Valorizar os produtos da terra e as suas gentes é enriquecedor e muito gratificante. Como gratificante é saber que a imprensa regional conquista terreno. 
Como o Vítor Santos escreve o pluralismo e independência são dois pilares determinantes para fazer com que um jornal cumpra o seu papel : despertar consciências e fazer pensar. Com os meios que temos, almejamos isso diariamente. Há algo que de forma permanente nos diz que vamos conseguindo alcançar esse objetivo : somos por vezes incómodos e não agradamos a Gregos e Troianos. 
Como escreveu George Orwell e que o Vítor também, por outras palavras, enfatiza, esta é a grande realidade: