Lúcia Freitas lança os seus “Quinta da Mariposa” e “Sombrio”

Joana Marta e Pedro Moreira (designer na Sanindusa), dois jovens de Aveiro entusiastas pelo mundo dos vinhos, foram os criadores do blog bebespontocomes.pt. Foi assim que, no ano passado, decidiram colocar em prática algo em que andavam a pensar há já algum tempo: lançar um vinho, o bebespontocomes Dão by Lúcia Freitas, resultado de um convite feito à enóloga de Oliveira do Conde e de uma parceria estratégica com a Magnum Vinhos para a sua produção e engarrafamento. André da Loba, prestigiado designer português, com créditos firmados

além fronteiras, foi o ilustrador escolhido para a conceção criativa do vinho, tendo-lhe sido pedido que se inspirasse no universo feminino, como forma de homenagear as muitas seguidoras do blog.

“Participei nalguns eventos com a Joana e o Pedro e fui por eles convidada para produzir este primeiro vinho, cujo rótulo pode ser considerado controverso, mas a ideia é despertar para uma conversa à mesa, enquanto a garrafa é um projeto de boutique, sendo lacrada manualmente”. 
“A escolha do vinho não foi difícil, porque temos gostos muito semelhantes, e depois de diversas provas acabámos por optar por um vinho que representasse o Dão de forma genuína: o lote tem 85% de Encruzado e 20% de Cerceal, que é muito bom para os blend´s, pois confere-lhe uma excelente acidez, com notas bastante limonadas, com muita frescura”, explicou ao nosso jornal Lúcia Freitas, que connosco almoçou no SENTA AÍ em Nelas, ao sabor de um magnífico folhado de farinheira, casado com o seu vinho. “Produzimos assim um vinho com boa aptidão gastronómica, numa edição limitada de mil garrafas”, explicou-nos. “Temos cerca de metade da produção (500 garrafas) para comercializar”, acrescentou.
 A apresentação do vinho foi feita no Porto, numa Galeria de Arte, harmonizando-o com sushi. “Tendo sido arriscado, foi uma aposta plenamente ganha”, confidencia-nos a enóloga, que está também a comercializar o vinho, com preço de venda ao público de 16,50€. Estagiou nove meses em barricas usadas, num conjunto muito envolvente e sedutor, que “liga muito bem com sardinhas e bacalhau, por exemplo, sendo muito versátil”. “Defendo que os vinhos devem ser colocados no mercado o mais tarde possível, já com algum envelhecimento em garrafa”, diz-nos.
Sombrio: Um novo Branco vindimado e vinificado à noite
O novo projeto de Lúcia Freitas, Quinta da Mariposa, situa-se na sua terra natal – Oliveira do Conde. A quinta pertencia ao seu avô e irão dali sair os próximos três vinhos com a sua assinatura enológica: um Branco e um Tinto com o rótulo “Quinta da Mariposa” (previsto para março) e um Branco denominado “Sombrio” (previsto para maio). O nome advém do facto das uvas serem vindimadas à noite, e vinificadas também em período noturno, com o mínimo de luz.
Este Branco de 2014, é assim elaborado, para evitar ao máximo processos de oxidação. A partir de um magnífico terroir, foi vinificado com uvas Encruzado, Bical e Cerceal, em igual proporção. “Gosto particularmente de vinhos brancos em blend, até porque há muitos encruzados em monocasta”, refere-nos. Adepta de uso de barricas usadas, em vinhos que são para colocar no mercado cedo, também este néctar estagiou em barricas de segundo ano. “O uso de barricas novas tem que ser adequado ao que se pretende do vinho, ou seja, se for para ganhar muita estrutura e complexidade, tem que ser lançado tardiamente no mercado, depois de engarrafado”, defende.