Hiperatividade : “Há um certo facilitismo no diagnóstico”

A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção – PHDA, assim designada na gíria clínica, é uma doença Neurodesenvolvimental, que afeta maioritariamente as crianças (em especial do sexo masculino). 
Esta doença tem como principal caraterística um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que consequentemente afeta o funcionamento ou o desenvolvimento da criança. A desatenção manifesta-se através da divagação nas tarefas (a criança “perde-se” a realizar a tarefa); falta de persistência; dificuldade em manter a concentração; e da desorganização. Por sua vez a hiperatividade manifesta-se pelo excesso de ati

vidade motora em momentos inapropriados; e inquietação/agitação desmedida, enquanto que, a impulsividade é observada através de ações precipitadas que a criança realizada, que tenham grande probabilidade de serem prejudicais para a mesma (por exemplo: atravessar a rua sem olhar).

É importante realçar que para que a PHDA seja diagnosticada, as dificuldades supracitadas devem estar presentes em mais do que um contexto, isto é, a criança deve apresentar estas dificuldades por exemplo em casa e na escola. 
Contudo nos últimos anos têm-se assistido a uma tendência de diagnosticar um grande número de crianças com PHDA e medicar-lhe Ritalina – psicofármaco da família das anfetaminas – tem o mesmo efeito do que qualquer estimulante (como a cocaína), aumentando a concentração de dopamina nas sinapses, promovendo assim uma melhoria da concentração, diminuição do cansaço e acumulação de uma maior quantidade de informação em menos tempo. Contudo este psicofármaco cria dependência química, manifestamente visível na necessidade crescente da criança tomar a medicação. 
Assim, o diagnóstico deve ser manuseado com especial atenção na medida em que muitas vezes as próprias caraterísticas das crianças são percecionadas como sintomatologia. Ou seja, frequentemente o facto de a criança ser mais ativa – o que é cateretístico da idade – induz a um diagnóstico de Hiperatividade e Défice de Atenção. Este argumento corrobora a ideia de que nos dias de hoje parece haver um certo facilitismo no diagnóstico de Hiperatividade, visível no número crescente de casos diagnosticados em Portugal. 
Assim, o acompanhamento psicológico constitui-se como uma ferramenta de grande utilidade para o diagnóstico minucioso e tratamento desta perturbação.
Hoje são crianças… amanhã serão o nosso futuro…
Marcelo Costa

(Licenciado em Psicologia)