Cultura : Quem deve adaptar-se às circunstâncias

A
cultura é fundamentalmente uma herança cultural, um património que
se transmite de geração em geração, a qual não é veiculada pela
hereditariedade biológica, mas sim pela aprendizagem. De resto, esse
património não permanece imutável: ele vai aumentando, vai-se
acumulando de geração em geração, quer por generalização dos
elementos existentes, quer pela substituição de outros tidos por
mais válidos, que se vão introduzindo. Contudo, há sempre um certo
número de traços que se perpetuam ao longo das sucessivas gerações.
Todavia,
há que admitir a mudança. E, ao longo dos séculos, tem havido –
embora lentas.
Do
contato de duas culturas diferentes resulta um processo, isto é, uma
contínua mudança
numa certa direção com a sua resultante,
que poderá terminar na absorção da cultura menos evoluída pela
mais técnica e progressiva.
Neste
processo, podem observar-se várias fases. Há sempre um constante
empréstimo recíproco de traços culturais.
O
processo começa com a troca ou aceitação de elementos materiais
das culturas em contacto. Os elementos morais ou espirituais são os
últimos a ser trocados.
A
transferência de elementos não é uma simples troca ou adição.
Pelo contrário, cada elemento recebido por uma cultura implica a
acomodação a essa cultura. O novo elemento exerce certa pressão
sobre a velha cultura, portanto leva a certa organização cultural.
Se o contacto foi duradouro e os elementos da outra cultura forem
superiores e de suficiente prestígio, os costumes do grupo recetor
podem desintegrar-se completamente.
Os
contactos sociais, que dantes eram apenas secundários e externos,
hoje têm maior impacto, devido aos poderosos meios de comunicação
de massas (televisão, revistas, publicidade) e sobre tudo à
internet. Essa pressão verifica-se no vestuário, na música, no
desporto, na escolarização, etc. O contacto com outras culturas é
muito mais fácil nos dias de hoje.
Culturas
diferentes quando em contacto observam-se as situações: adaptação
ou acomodação, integração, assimilação.
A
adaptação
de uma sociedade a outra é o estado que resulta de uma, pelo menos,
das duas ter de transformar um certo número dos seus traços
culturais, a fim de que os contactos se façam sem demasiada fricção.
Há um processo de adaptação que reveste então um aspeto dinâmico.
Consideradas
em conjunto, em ambas existem excrescências que provocam
redemoinhos, quando em contacto. O limiar dessas excrescências
constitui a adaptação. A religião é, quase sempre, a principal.
Integração
– Uma das culturas envolve a outra nas suas próprias instituições.
A cultura envolvida poderá conservar a sua especificidade.
Assimilação
– Mas a consequência mais provável da integração é a assimilação
da cultura envolvida, fagocitada pela outra, com a perda de algumas
das suas especificidades.
A
mutação

– A mutação não se produz forçosamente de uma maneira brusca, mas
supõe uma mudança fundamental. Por outro lado, não podemos falar
de mutação, quando se permanece na mesma estrutura. Não se faz
inclusão.
Quem
vem é que deve adaptar-se através de uma integração solidária,
assimilando as regras básicas da sociedade existente com a
consequente mutação de hábitos. A religião tem sido a culpada
e/ou álibi para os desvios a estas etapas?!
Vitor
Santos
Técnico
Superior do Politécnico de Viseu

Licenciado
em Comunicação Social