Rali Vinho do Dão 2016 vai entrar no calendário nacional

O executivo PS apresentou hoje em reunião de Câmara, uma proposta para a realização da 2ª edição do Rali Vinho do Dão no concelho, desta vez a contar para o campeonato nacional de Rali´s. 
A ideia é levar a cabo uma prova com outra dimensão e notoriedade, que possa promover de forma ainda mais abrangente e eficaz o concelho de Nelas. 
Borges da Silva anunciou a pretensão de realizar o evento nos dias 14 e 15 de Outubro, com um custo direto estimado de cerca de 50 mil euros. “Se em 2015 tivemos gastos diretos de 27 mil euros, um investimento total de 50 mil euros, por parte do município, que pode ainda ser repartido com empresas e município de Mangualde, a quem dirigimos convite para ser co-organizador, justifica plenamente que avancemos para outro patamar, com um evento de dimensão nacional”, defendeu o autarca, assegurando ser um investimento “comportável” para promover o concelho, no âmbito da reestruturação financeira que está a ser levada a cabo. O edil lembrou ainda que “30 caminhos já foram arranjados para o rali do ano passado”. 
Artur Jorge Ferreira, Vereador do PSD, considera a iniciativa “boa para o concelho”, salvaguardando que “dentro do possível se comprem no concelho materiais publicitários, entre outros fornecimentos”.
Alexandre Borges, Vice Presidente da Câmara também defendeu a proposta, justificando o investimento “com a visibilidade nacional que a prova terá”. 
Adelino Amaral, Vereador do PS, reconheceu a importância da prova, embora considere que se devem “avaliar bem os encargos, que são elevados”. “A designação poderia ser “Rali de Nelas Vinho do Dão”, sugeriu, no que foi corroborado pela Vereadora Rita Neves (PSD).  Borges da Silva referiu, neste âmbito, que a marca está já registada pela CVR Dão, mas fica esta sugestão em aberto.
PROPOSTA apresentada pelo Executivo PS : 
Considerando:
• A marca “Vinho do Dão” e tudo o que à mesma está associada em termos de produto endógeno, em particular a centralidade de Nelas na região vitivinícola do Dão, aqui se justificando por isso o Centro de Estudos (CEVD) desde 1946, o primeiro depósito vínico da antiga Federação dos Vitivinicultores do Dão desde 1941, e a realização da “Feira do Vinho do Dão” há, pelo menos, 24 anos;
• O ano de 2016 como o ano do 25.º aniversário da “Feira do Vinho do Dão”, feira essa com crescente afirmação em termos regionais e nacionais;
• A tradição e adesão elevada da comunidade municipal, e também regional, às provas de desporto automóvel no nosso território, de que é exemplo a realização do “Rally do Vinho do Dão” em outubro passado e as edições anteriores no início do ano 2000;
• Que o vinho, e tudo o que ao mesmo está associado, como a ocupação do território em termos agrícolas (o Município de Nelas tem mais de 1000 hectares de vinha plantada), a transformação do produto de forma crescente com novos projetos (construção e requalificação de adegas em curso, retomando-se a centralidade de Nelas também nesse aspeto) e os investimentos que se perspetivam em termos de enoturismo, em cuja rota desenhada pela CVR Dão participam mais de 25% do total dos aderentes iniciais situados no nosso território (11 dos 41), constitui um produto essencial na nossa estratégia de desenvolvimento;
• Que o desenvolvimento económico e a criação de emprego são desígnio fundamental do Município de Nelas, objetivo esse que também se obtém pela atividade acima referenciada (na vertente agrícola em termos de produção, transformação, comercialização e também na envolvente turística);
• Que a realização do “Rally do Vinho do Dão” a concretizar em outubro deste ano 2016 e integrado no Campeonato Nacional de Ralis, e pela primeira vez em Nelas e na Região (1.ª divisão da atividade de Ralis) juntamente com, entre outros mas sobretudo, os ralis do Vinho da Madeira, do Casinos do Algarve, dos Açores, potenciaria objetivamente todos os desígnios acima referenciados;
• Que os montantes financeiros em causa (30.000,00€ – trinta mil euros e outras contrapartidas, num valor total aproximado de 50.000€) poderão, por um lado, ser renegociados com a entidade organizadora e, por outro, divididos, quer com a Câmara Municipal de Mangualde, a quem foi já dirigido o convite para estar com o Município de Nelas na coorganização, quer com entidades privadas, industriais e/ou comerciais, ligadas ao setor do vinho e/ou ao setor do comércio e indústria automóvel (como a “Dão Sul”– patrocinador do Rally de 2015, a “Jc. Automóveis” – da mesma forma, mas também a PSA e outras entidades, designadamente, bancárias, como a Caixa de Crédito Agrícola) e mesmo unidades ligadas ao turismo (à semelhança do que aconteceu em 2015 com as “Casas do Lupo”);
• Que como coorganizadores e/ou patrocinadores serão envolvidos também a “CVR Dão”, a “Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões”, o “Turismo do Centro” e outras entidades;
• Que este investimento constituiria a continuação da afirmação de Nelas como o coração e centro motor da região vitivinícola e potenciaria outros investimentos a enquadrar no âmbito do PT 2020 e do PO Regional, de que são exemplo o reforço da importância do Centro de Estudo Vitivinícolas do Dão como futuro centro de investigação, experimentação e inovação da Região do Dão e o desenvolvimento do projeto de Santar com vila e centro vínico da Região do Dão;
• Que este reforço da afirmação de Nelas é uma oportunidade que não pode desperdiçar-se e continua o investimento já colocado na preparação, organização e realização do Rali do Vinho do Dão de 2015, que tão bons resultados alcançou em termos de adesão de equipas e publico, com as inerentes consequências positivas no reforço da economia local;
• Que os investidores neste domínio do vinho, e em tudo a que o mesmo produto está associado, bem como todos os outros investidores do território, em especial os ligados à atividade turística como a hotelaria e a restauração, precisam e merecem este esforço financeiro de promoção territorial por parte do município, com o inerente desenvolvimento e bem estar da comunidade e seus membros;
• Que a gestão financeira da Câmara Municipal e cumprimento do PAF-Plano de Ajustamento Financeiro realizada nos anos de 2014 e de 2015 e a que se perspetiva para este ano de 2016, como na conta de gerência do ano de 2016 se evidenciará, fazem crer que será possível comportar esta despesa, e outras de igual natureza de promoção territorial como as da 25ª edição da Feira do Vinho do Dão, com os investimentos que são necessários realizar em outras áreas e nas diversas freguesias e mesmo um alivio da carga fiscal a decidir no tempo e pelos órgãos próprios; 
Propõe-se
• Que a Câmara Municipal delibere a realização, por si só ou com outros parceiros (entre os acima referenciados ou outros) do “Rally do Vinho do Dão 2016”constante da proposta efetuada pelo “TARGA CLUBE” integrada no campeonato nacional de ralis a realizar sob a égide da FPAK (Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting) durante o ano de 2016;
• Que a Câmara Municipal suporte as despesas necessárias à realização do mesmo evento, por si só, ou em coorganização ou em patrocínio com outras entidades públicas, privadas ou associativas, como nos considerandos se referiu.
• Que as despesas a realizar com o evento sejam preferencialmente orientadas para aquisição de bens e serviços a fornecer por empresas do concelho e que os caminhos agrícolas e florestais sejam mantidos em boas condições de utilização, antes e depois da realização do mesmo.
Manuel Marques (CDS/PP), foi o único que contestou a realização da prova, sustentando o sentido do seu voto contra, numa declaração de voto que fez chegar à nossa redação : 
“Já no mandato anterior o atual presidente da Câmara, para realização de alguns caprichos pessoais gastou 100 000€ com a realização do anterior Rali. Até hoje, não ficou demonstrado qualquer retorno para o nosso concelho, nem para o comércio local, muito menos para o Vinho do Dão produzido no nosso território, onde cada vez mais se arrancam vinhas. Aliás, alguns amigos se nos queixaram que  o rali lhe retirou alguns clientes que habitualmente frequentavam os seus estabelecimentos comerciais.
 Uma Câmara Municipal, cuja “falência” foi tão propalada pelo atual presidente da Câmara, não se poderá dar ao luxo de gastar mais 100 000€ num rali, 300 000 € em festas e propaganda, como bem resulta das Contas de Gerência de 2014 e 28 000€ só em publicidade paga no mês de novembro de 2015.Entendemos com o decurso do tempo o porquê do atual presidente da Câmara, rejeitar em baixar o IMI, o preço da fatura da água e ligar algumas luminárias, desligadas pelo anterrior executivo, bem como a redução das 35 horas do funcionários da autarquia.
 A economia nestes gastos desmesurados de perfeito eleitoral

ismo e, o aumento do IMI cobrado aos nossos concidadãos, daria para liquidar a totalidade do empréstimo do PAEL, sem ser necessário aguardar por 2016, ou 2017, como eleitoralmente pretende fazer Borges da Silva.

Ou até mesmo com estes gastos promocionais do presidente da Câmara, dariam certamente para subsidiar as nossas associações, que promovem cultura ou segurança das pessoas.O nosso passado diz-nos que não somos contra qualquer desporto, agora somos contra a demagogia  e o oportunismo político em detrimento da baixa de impostos às populações.
Por entendermos que isto é uma loucura política e despesista dos dinheiros provenientes dos nossos impostos, votamos CONTRA esta autorização de despesas”.

A proposta acabou assim por ser votada favoravelmente com o voto contra do Vereador Manuel Marques e seis votos a favor, dos restantes Vereadores.