“O isolamento social contribui para a diminuição da saúde mental dos idosos”

Marcelo Costa, 21 anos, natural de Vilar Seco,  frequenta o Mestrado em Psicologia Clínica, no Instituto Miguel Torga, em Coimbra.
Voluntário há três anos na Fundação Lopes da Fonseca, no apoio aos idosos, dinamizando atividades e ajudando em todas as tarefas que são necessárias, surgiu a ideia de fazer uma investigação ligada à saúde mental dos utentes do lar.
As alterações demográficas, associadas ao aumento da esperança média de vida, conduziram a um significativo aumento do número de pessoas idosas. No mesmo sentido têm aumentado as preocupações e a criação de condições de bem-estar para os idosos. Implicitamente aparece como necessário o estudo do processo de envelhecimento a partir dos níveis de saúde mental e dos índices de felicidade. Neste sentido, o estudo de Marcelo Costa direciona-se para a verificação dos níveis de saúde mental e de felicidade nos idosos, a partir de três variáveis basilares: idade, género e meio. Integrando uma amostra de 100 idosos institucionalizados, de ambos os géneros, com idades compreendidas entre os 65 e 95 anos, do meio rural e do meio urbano. Sendo que de entre as 7 instituições presentes no estudo (todas elas pertencentes ao distrito de Viseu), três situam-se no concelho de Nelas : Fundação Lopes Fonseca – Lapa do Lobo; Santa Casa da Misericórdia – Santar e Centro de Dia – Vilar Seco. De destacar também que o processo de recolha de dados decorreu entre os meses de Abril e Maio de 2015.
Os resultados obtidos, mostram que os idosos da faixa etária 65-80 anos manifestam níveis significativamente mais elevados na capacidade de identificação,quando comparados com idosos da faixa etária seguinte (81-95 anos), ou seja, este resultado vem confirmar como mudança mais significativa o acentuar das perdas na memória ao longo do processo de envelhecimento. Este resultado remete-nos para uma particular necessidade de intervenção psicológica na estimulação da memória.
Os idosos do género feminino apresentam níveis de retenção significativamente superiores quando comparados com os sujeitos do género masculino. Este resultado aponta no sentido dos sujeitos do género feminino conservarem maior frescura e vitalidade da memória, em sintonia com uma maior esperança média de vida. Foram avaliados os seguintes itens, com os devidos testes efetuados : orientação, retenção na memória,  atenção e cálculo, identificação, linguagem e representação gráfica.
Os idosos do meio urbano apresentam médias significativamente superiores quando comparados com os idosos do meio rural, no que diz respeito à identificação, linguagem e representação gráfica. 
Marcelo Costa, ao nosso jornal, refere que “os idosos queestão em instituições na cidade, para além de, na sua larga maioria, terem um grau de qualificação superior e assim ao longo da sua vida profissional mais estímulos, as próprias instituições acabam por ter ao seu serviço técnicos especializados em psicologia, que conseguem estimular as faculdades de modo a que se preservem durante mais tempo”. “O próprio isolamento social, mais acentuado no meio rural, também contribui para a diminuição da saúde mental”, sublinha.
Desta sua experiência no terreno, verificou “que nas instituições de Viseu, os idosos lêem mais e conversam mais uns com os outros”. Constatou então que, devido a estes fatores, entre outros, os níveis de demência são “consideravelmente superiores nas zonas rurais”.
Relativamente aos níveis de felicidade não encontrou diferenças em função das variáveis em estudo, não aparecendo relacionada com o avançar da idade, com o género ou o meio. A felicidade entre os idosos poderá então estar associada a variáveis de outra natureza.
“Desta forma torna-se fundamental o papel do psicólogo na avaliação e intervenção na população idosa, uma vez que os mesmos têm o direito de ser devidamente acompanhados, apoiados e tratados até ao fim das suas vidas. Por esta via se ajudam os profissionais a vencer estereótipos que estão enraizados no senso comum e a posicionar-se de forma mais ajustada no momento da intervenção, promovendo o seu bem estar psicológico”, conclui.