As grande tendências vínicas para 2016 …

Num mundo em permanente mutação, com grandes evoluções tecnológicas que nos entram pela porta, ou no olho do mundo (web), como a robótica, inteligência artificial, drones e missões espaciais cada vez mais sofisticadas, num planeta que luta diariamente pela sua sustentabilidade, diminuindo a dependência dos combustíveis fósseis, com tecnologias amigas do ambiente, a agricultura desempenha um papel cada vez mais central. 
Será no campo biológico e também aqui protegendo o meio ambiente, que as tendências para 2016 vão continuar. Assim um das maiores apostas em termos vínicos serão os vinhos mais “naturais”. No Dão temos um excelente exemplo bem sucedido – Casa de Mouraz. 
O vinho “natural” deve atrair um público mais vasto, especialmente em restaurantes pequenos de nicho de mercado, com “sommeliers” interessados. Em Nova York, por exemplo, abriram no ano passado, vários bares de vinho natural, com destaque para o Wildair e o The Four Horsemen, o projeto de James Murphy, da banda LCD Soundsystem, no Brooklyn.
Devo também dar nota que acredito que as cervejas artesanais têm um futuro brilhante pela frente e muito espaço para crescer. A grande heterogeneidade e pureza que se conseguem com este produto, em exploração de receitas mais “gourmet”, é um novo eixo que merecerá certamente toda a atenção dos apreciadores, que se focará assim também no princípio do que é natural e bem feito é bom.

Mas continuando no néctar dos deuses, Baco certamente não imaginaria a progressão que tão versátil bebida iria ter. Continuará assim em 2016 a suscitar as mais apaixonantes conversas e debates, e claro, degustações e harmonizações. Prevejo a continuação de muitos eventos vínicos, com muitas componentes didáticas e de experimentação. Harmonizações e provas comentadas estarão na agenda dos enófilos e curiosos por este fascinante mundo.
Em termos de tendências à escala global, deverá intensificar-se a notoriedade do espumante inglês, que recebeu um grande impulso quando os Franceses da Taittinger, anunciaram, no início de Dezembro, a aquisição de terrenos em Kent, para ali produzir vinhos espumantes de alta qualidade ,com a marca Domaine Evremond. 
Numa grande panóplia de castas, muitos críticos apostam no Cabernet Franc como a que mais irá brilhar. A uva tinta mais importante do Vale do Loire (França) é uma estrela em ascensão também no Chile, na Argentina, na África do Sul e nos EUA. Trata-se de uma variedade extremamente versátil, que produz vinhos aromáticos e elegantes, com notas terrosas, picantes e de ervas, e com uma acidez vibrante e elevada versatilidade para harmonizações gastronómicas.
Num cenário em que os Borgonha continuam na crista da onda, mas ao alcance da carteira de poucos, os tintos italianos de Piemonte poderão ser o próximo território colecionável para os amantes dos vinhos caros da Borgonha. Barolo e Barbaresco oferecem em enorme quantidade similar, ao que há de melhor na Borgonha: vinhos tintos complexos, de terroir, boa harmonização com alimentos e aromas exuberantes.
Como os vinhos de alta gama estão a ser vendidos com preços absurdos, quem se surpreenderia se as visitas a Quintas seguissem o mesmo caminho? Em Castello di Amorosa, no Vale de Napa (Califórnia – EUA), por exemplo, os pacotes VIP custam de USD 1 000 a USD 20 000, o que pode incluir um barril marcado com o nome do visitante, um álbum com capa de couro para suas fotos tiradas por um fotógrafo profissional durante o dia de visita, 288 garrafas de Cabernet Sauvignon de seu próprio barril, com etiquetas personalizadas, e até uma caixa com 15 charutos Montecristo da coleção Platinum.
Dada a popularidade dos food trucks, os comerciantes de vinho de Saint-Émilion decidiram lançar o seu próprio wine truck – um antigo furgão Citroën vermelho reluzente de 1976, com a frase “Saint-Émilion Wine Trip” estampada na lateral. Essa sala de degustação sobre rodas fará de 15 a 20 paradas em festivais de jazz, feiras de vinho e mercados de antiguidades em quatro regiões da França – no sudoeste do país, em Pas de Calais, na Bretanha e na Alsácia – a partir de março de 2016. Um motorista e sommelier servirá os 16 vinhos ambulantes, junto com fabricantes de vinhos, que chegarão em cada paragem. Wine truck´s poderão assim começar a proliferar. 
Por cá, a continuação da aposta no enoturismo, e em vinhos de alta qualidade, continuará a ser forte. 
Lembramos que a Sogrape (na foto a sua Quinta dos Carvalhais, no Dão) , foi considerada em 2015 a melhor empresa de vinhos e nível mundial, e o Alentejo a melhor região para enoturismo. 

José Miguel Silva