SOS Animais já resgatou e entregou para adoção mais de 200 animais

Têm cerca de 40 voluntários e mais de 200 associados. O grande amor pelos animais fez este grupo de pessoas entregar-se a esta causa nobre, não fosse o cão o melhor amigo do homem. “O que recebemos em troca do nosso trabalho é apenas a alegria de salvar os animais e conseguir que sejam adotados”, confidencia-nos a presidente e mentora da Associação, Patrícia Loio Borges. 
Começaram a acolher animais na antiga escola primária da Avenida, passaram posteriormente para junto das instalações da Federação de Viticultores, com sete boxes de pouco mais de um m2 cada, um espaço muito reduzido e sem condições e agora para a Quinta da Cerca, desde setembro. “Atualmente temos 15 animais no novo abrigo na Quinta da Cerca, 3 internados, 4 em duas associações e mais 2 em FAT’s, além destes acompanhamos animais de rua (comunitários) adaptados ao meio que são vigiados, tratados e esterilizados, cerca de 10 só em Nelas”, refere. A grande vantagem deste abrigo da Quinta da Cerca é o espaço, que já está totalmente vedado. Depois de concluída a primeira fase, é já a grande “âncora” para a atividade da Associação, que se orgulha de, pela credibilidade conquistada, serem procurados por adotantes de vários locais, desde Viseu e Oliveira do Hospital, até localidades mais distantes, bem como os pedidos de ajuda”, assume, reconhecendo no entanto que “o outro abrigo era mais benéfico em termos de proximidade com a população, que facilmente iam ver os animais e o nosso trabalho, mas também nos surpreendiam com alguns desaparecimentos”.
Tendo como objetivo principal a captura e acolhimento de animais em risco – feridos, doentes e recém nascidos, a SOS Animais atua ainda na esterilização/castração, quer dos animais de rua, principalmente as fêmeas, quer os adotados, para controlo da população. “Numa primeira fase quase nem resgatámos animais, devido às limitações das nossas condições – a maioria era entregue por funcionários da autarquia e outros simplesmente deixados à porta ou atirados para o recinto”, adianta ao nosso jornal. “Os grandes focos de problemas que temos, em termos de abandono de animais e falta de cuidados, são os acampamentos da população de etnia cigana e os caçadores”, assume. “Pretendemos assim futuramente atuar nas causas, sensibilizando e denunciando, embora reconheçamos que até aqui, e em grande parte devido à falta de tempo e de meios, não tenhamos conseguido esse objetivo como pretendíamos”.  “Também apoiamos animais de famílias carenciadas, com comida e medicamentos, para que estes se mantenham num lar que lhes dê as mínimas condições de bem estar animal. É impossível acolher todos os animais errantes…  Uma associação não deve existir para isso, mas para acolher apenas os que mais precisam, tratá-los e dá-los para adoção, o segredo está na esterilização, sensibilização e apoio na adoção”, assume Patrícia Borges.
“De há um ano e pouco para cá já salvámos, tratámos e entregámos para a adoção mais de 200 animais (entre cães e gatos) que se não existíssemos teriam na sua grande maioria um fim triste e cruel… Além de terem gerado outros tantos animais… É aqui que está um dos pilares do nosso trabalho, salvar os que já existem e evitar que existam mais, pois nunca haverá um lar para todos”, indica.
Convicta que “muito ainda está por fazer, descobrir e denunciar sobre a posse de animais em más condições, maus tratos, e negócio dos animais, em que muitos criadores caseiros apenas os usam como progenitores para fazer dinheiro”, critica a legislação atualmente vigente e principalmente a sua aplicação e fiscalização, mas que já serviu para mudar mentalidades e atitudes. 
Patrícia Loio Borges viu na SOS Animais o concretizar de um sonho que há “muitos anos ambicionava”. O homem sonha, Deus quer e a obra nasce. E só nasceu graças à vontade do atual presidente da Câmara, José Borges da Silva, a quem agradece por tornar o seu sonho uma realidade que cresce a cada dia que passa. “Desenvolvemos o nosso trabalho de acordo com os apoios e donativos que vamos conseguindo, pois todas as nossas despesas são pagas, ao contrário do que algumas pessoas pensam. Apesar de desenvolvermos o nosso trabalho em instalações na autarquia, somos independentes da mesma”, esclarece. 
Primeiro caso de detenção de um agressor em Portugal: “Caso do Luke deve ser lembrado como um exemplo”
“O Luke foi vítima de um crime que não queremos que seja esquecido, mas sim lembrado futuramente como um exemplo, que deve servir para outros, exigimos isso não pela gravidade do caso, até porque conhecemos as circunstâncias e fragilidade do seu ex dono, mas porque nada deve servir de desculpa para maltratar sem motivo qualquer ser indefeso”, refere Patrícia Borges sobre o caso do cão agredido em frente ao posto da GNR, que foi o primeiro caso a nível nacional em que o agressor foi detido. “Nós acolhemos o Luke, tivemos despesas, consequência de um crime, isto é apenas um caso em muitos, e quem se responsabiliza? Nós claro, mas nunca quem os comete – isto quem que acabar, bem como a questão dos chips que não estão identificados/registados e nunca sabemos a quem pertence um determinado cão que foi abandonado, atropelado ou mal tratado”, afirma com alguma indignação.

“As Leis são criadas, mas faltam os meios para que sejam devidamente cumpridas e eficazes! Ainda há um longo caminho a percorrer sobre a defesa da causa animal, mas havemos de lá chegar… “, acredita. “Chegará o dia em que todo homem conhecerá o íntimo de um animal. E neste dia, todo o crime contra o animal será um crime contra a humanidade”, evoca Leonardo da Vinci.