Caso BANIF : o risco sistémico de beneficiar o infrator

Confesso que me inquieta muito o que está a acontecer com o BANIF e urge termos respostas rápidas sobre as causas. Das exaustivas notícias, comentários e debates, que têm consumido horas a fio dos prime time´s nos principais media nacionais, faltam respostas. No caso BES, rapidamente os indícios nos indicaram a possibilidade de gestão dolosa. Mas o caso BANIF tem, comparativamente ao BES, uma dimensão estratosférica, sem que até ao momento tenhamos o mínimo indício do que se possa ter passado,isto num tempo em que foi evidente a recuperação da economia e do sistema financeiro. Ainda existem razões para acreditar nos nossos bancos ? 
A este propósito, tentei obter algumas pistas, em pesquisas na web, e apenas encontrei esta pertinente reflexão do Eurodeputado Nuno Melo :
“Por que razão é que o BES significava cerca de 20% de quota de mercado e o Banif cerca de 4%, mas o esforço dos contribuintes na solução não respeitará essa proporção?
O Novo Banco recebeu uma injeção de capital de 4,9 mil milhões de euros. Destes, 4,4 mil milhões de euros resultaram de um empréstimo do Estado e 500 milhões de euros foram suportados pelo fundo de resolução. Significa que o Estado poderá ter a expectativa de ressarcimento do seu crédito, considerado também o valor da venda do Banco.
O Banif receberá uma injeção de capital de mais de 2,1 mil milhões de euros, a suportar em cerca de 1,7 mil milhões de euros pelos contribuintes.
Não serão precisas muitas contas para se perceber que algo aqui não bate certo. A geringonça terá muito que explicar”.

José Miguel Silva