Sólido Como Água

São recorrentes as justificações que avançam para que o Estado intervenha no sistema financeiro. Ora é o risco sistémico e os efeitos que uma falência teria nos restantes bancos, ora é a necessidade de solidez como forma de assegurar uma economia pujante e dinâmica.  
Nos últimos anos não houve praticamente nenhum banco nacional que não tenha sido alvo de injecções significativas de dinheiros dos contribuintes e, portanto, cai por terra a solidez tão propalada mas que, na realidade, aparenta nunca ter existido e foi sustentada em falácias.  
A solidez é tanta que nem as notícias de falta de financiamento à economia por parta da banca parecem demover as declarações dos principais beneficiados dum sistema que premeia principescamente quem dele faz parte à custa dos restantes. No final o Zé paga, não há problema. E o Zé tem pago abundantemente. O Zé já pagou mais de 20 mil milhões de más gestões e descuidos e ainda não foi condenado ninguém a não ser o Zé (a pagar, obviamente)
O contribuinte paga mas, curiosamente (ou não) só fica com os prejuízos. Sim porque como é sabido há uma verdade indesmentível que postula que o privado gere melhor que o público e é preciso manter este sensível e sólido sistema na esfera dos únicos que podem assegurar a tal solidez e eficiência.  
Até a “força do carácter” a Belém veio dizer que se “orgulhava da solidez do sistema financeiro português” e que era um anátema intolerável, ao fim de dez anos de intervenções, dizer mal do dito. Infelizmente nesta questão não está sozinha e até faz coro com o actual PR e com o mediaticamente escolhido próximo Chefe de Estado. 
Texto publicado originalmente em : http://caniteaguda.blogspot.pt/
Alexandre Borges