Rankings das escolas: Deveriam ser mais do que um campeonato!

Os rankings das escolas tornaram-se, para muita gente, uma das notícias anualmente mais aguardadas. De diretores a pais, de professores a comentadores, de políticos a investigadores, são muitos, aqueles que aguardam ansiosamente por estes resultados.
Embora não sejamos apologistas de que estes dados não devessem vir à luz do dia, o que é facto é que estes rankings têm de ser devidamente enquadrados e não lidos e apresentados como se de campeonatos anuais entre escolas se tratasse.
Estes dados são importantes enquanto elementos que permitem às escolas e à comunidade escolar e educativa perspetivarem alterações pedagógicas em face de possíveis desvios entre classificações internas e externas, mas também para o ministério da educação poder encontrar as melhores respostas para combater os problemas e as distorções que surjam em territórios específicos, em virtude de condições socioeconómicas também específicas.
Portanto, há boas e fundadas razões para que os rankings possam ter um papel importante na redefinição de estratégias por parte dos diversos atores educacionais.
Os problemas, porém, começam a surgir quando se usam esses rankings para atirar escolas contra escolas e o setor privado contra o setor público, porque aquele, o privado, é melhor do que este, o público, tendo por base os resultados dos rankings quando lidos sem qualquer enquadramento.
E aqui chegados é importante que se perceba que os resultados dependendo, obviamente, de muitos fatores (professores, escolas, família, territórios) dependem principalmente dos próprios alunos e das circunstâncias que eles transportam.
E é por isso que temos que saber e dizer que enquanto a Escola Pública recebe todos os alunos, quaisquer que eles sejam, independentemente do seu passado escolar, da sua origem social, de possíveis deficiências de que possam ser portadores, já o privado puro e duro, pela própria seletividade do pagamento da propina, só recebe os pertencentes a estratos sociais com maior capacidade financeira, ou os privados com acordos de associação, acabam sempre por encontrar métodos formais ou informais de receber (com honrosas exceções diga-se) os alunos com maior potencial para obterem os melhores resultados.
Ou seja, não podemos continuar a publicar rankings das escolas sem que lhes acoplemos de forma clara e objetiva, e não mitigada, os dados socioeconómicos dos alunos. Aí sim, poderíamos ter uma visão mais real e menos perversa destes dados. 
Em conclusão, se nada tenho contra os rankings, tenho tudo contra o sensacionalismo que muitos fazem dos seus resultados e do ataque que se faz, através deles, à escola pública.
Acácio Pinto

Professor

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