Falta deontologia

Pode dizer-se que até finais da segunda guerra mundial a deontologia dos Meios de Comunicação inspirava-se, de alguma forma, na reflexão filosófica, regia-se por códigos de honra e Conselhos de Imprensa. Com maior ou menor convicção aceitavam-se critérios presuntivamente derivados de Deus, da razão humana, de leis sociais e da consciência profissional e boa vontade.
Outrora as leis positivas foram fundamentadas, racionalmente, em princípios éticos. Atualmente, impera o positivismo jurídico baseado em consensos arbitrários sem a maior preocupação que não seja a de evitar – e eventualmente resolver – os conflitos de interesse entre a imprensa informativa, as autoridades públicas e o público destinatário.
Importa pouco que a informação seja objetivamente factual e verídica. Importa mais que a informação seja «interessante» – que venda. A coincidência com a verdade ou a bondade ética da mensagem é casual e acidental. 
As maiorias dos códigos deontológicos criados pelos próprios grupos profissionais reduzem-se a meras recomendações de boa vontade que podem ser alegremente violados logo que não causem prejuízos económicos ou de prestígio moral ao patrão. A deontologia informativa de outros tempos centrava a sua atenção na vitória sobre a corrupção, na seriedade, o respeito pela verdade objetiva, a veracidade e a boa fama das pessoas. Atualmente esses critérios perderam quase todo o seu prestígio e existem imensas dúvidas sobre a promiscuidade entre imprensa e agentes políticos, sociais, desportivos, etc.  
As verdadeiras questões éticas deviam assumir uma relevância decisiva no exercício do jornalismo. O jornalista é, no entanto, um empregado que está sujeito à política do grupo empresarial. À precaridade laboral, na maioria dos casos. Os números ocuparam os lugares das palavras.
Os códigos deontológicos já não são solução com que se pode resolver todos os problemas éticos da prática jornalística e da carreira, mas constituem, ainda, um fundamental de consciência. São um contributo decisivo para que os profissionais sejam capazes de responder à sua função social primordial em democracia: assegurar os direitos dos cidadãos a serem bem informados.
Em Portugal lidera as vendas quem mais «atropela» o código. O sensacionalismo e a especulação associados à subjetividade são hoje uma realidade incontornável da comunicação social. A notícia é opinativa!!! 
 Vitor Santos
Técnico Superior do IPV

Lic. Comunicação Social

1 comentário a "Falta deontologia"

  1. Muito a frente…Excelente artigo …..dr.Victor

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