VINHOS KELMAN : uma nova marca a surgir no Dão

Vinhos elegantes, delicados e com um forte cunho familiar, para começar a escrever e degustar uma estória que se pretende seja perpetuada por várias gerações, foi o grande mote para Juliana Kelman adquirir em Vilar Seco uma vinha com seis hectares.
Fomos ao encontro de Juliana Kelman, brasileira, que escolheu o Dão para investir num projeto de produção de vinhos de alta qualidade com marca própria. A entrevista não poderia ter cenário mais apropriado – o Solar Ponces de Carvalho, em Vilar Seco – uma das mais charmosas unidades de alojamento em toda a região, repleto e requinte e tradição. Vinhos que traduzem o que há de melhor no Dão é o que a empreendedora pretende vinificar, numa produção pequena e cuidada, como se cuida de um filho, com muito amor e carinho. Filhos, que ainda sendo menores, já são parte integrante do projeto, pois não existe tradição sem fortes laços familiares. “Todas as nossas garrafas vão ser numeradas e as primeiras 10 serão guardadas para os nossos filhos, o que vai também demonstrar a grande longevidade dos vinhos do Dão”, revela-nos Juliana Kelman.
O rótulo Kelman, depois de várias opções em cogitação, veio do apelido da família, pelo lado do marido que tem ascendência europeia. “Verificámos que tem precisamente o que queremos em termos de marca – associado a família, tradição, sendo um nome marcante, curto, direto e único, o que favorece inclusive a penetração nos mercados internacionais”, adianta-nos, para nos contar como tudo começou, nesta apaixonante aventura por terras do Dão. “Os meus avós emigraram para o Brasil na década de 40, oriundos do Minho. Resgatar os laços com Portugal pesou na escolha da origem dos nossos vinhos. Estudámos hipóteses no Brasil, Argentina e Chile, mas as castas portuguesas  chamaram-nos mais a atenção. Gostamos mais da ideia de produzirmos vinhos a partir de castas como o Encruzado ou a Touriga-Nacional, do que o Cabernet ou Merlot”.
Mas o segundo filtro foi em Portugal, porque “na busca da diversidade inigualável de castas de Portugal chegámos ao Dão. A ideia de produzirmos vinhos de guarda com tanta elegância e estrutura, agradou-nos muito. Tivemos a sorte de encontrarmos profissionais sérios que nos passaram a confiança necessária para tomarmos a decisão de investir na região. Aqui fomos bem recebidos em todos os locais. As pessoas são muito simpáticas, educadas e agradáveis. Após anos de pesquisa, a oportunidade surgiu em 2013 com a compra de uma quinta em Vilar Seco”, ou seja, a paixão pelo Dão foi à primeira degustação.
Notável que ao lado de castas internacionalmente tão famosas tenham optado pelo Dão – e fala quem sabe. “São seis hectares de vinha, com as principais castas do Dão, sendo cerca de 50% de Touriga-Nacional. Arrancámos com uma produção pequena, vamos estudando bem o processo com o enólogo António Narciso e avaliando todas as potencialidades. O primeiro lote é de 2013 com 5400 garrafas de um reserva tinto, um blend de Touriga Nacional e Tinta Roriz, com estágio em barricas de carvalho francês e inox. Temos 2700 garrafas de Encruzado com fermentação em barricas novas, com bastante battonage e  2000 garrafas de Touriga Nacional, ainda estagiando em barricas. Os lotes de 2014 e 2015 seguem este plano. Estamos muito satisfeitos com os resultados”.
Os primeiros vinhos já estão engarrafados e prontos para comercialização. Os mercados alvo para este novo e promissor produtor são Portugal, Brasil, Estados Unidos e Inglaterra. As parcerias comerciais estão já a ser montadas”, explicam-nos. 

Vinhos de alta qualidade é a grande aposta estratégica. Este é o embrião de uma estória que pode marcar a história do Dão.

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