“Vamos tentar alcançar um bom resultado no Rally Vinho do Dão”

Luís Borges e o seu navegador José Figueiredo revelam, em
entrevista ao nosso jornal, que vão tentar fazer um bom resultado “em casa”, ao
volante do Citroen Saxo Cup feito de raiz na sua oficina. Depois dos
bons resultados alcançados nas provas de Mortágua e Mangualde, a
ambição é grande, apesar da “pressão ser maior”

Quando começou o “gosto” pelo desporto
automóvel?

Luís Borges (LB) – A paixão pelo desporto automóvel, desde
cedo fez parte da minha juventude. Inicialmente com a participação
durante alguns anos no já desaparecido Troféu de Pop-Cross, ao
volante de um 2CV. Mais tarde, em 1997, sucedeu a evolução, quase
que natural, para o mundo dos Rallies, onde participei no Troféu
Regional de Rallies do Centro (TRRC), novamente com um veículo da
marca Citroen, desta feita, um AX Sport. Apesar de desde sempre fazer
parte da equipa, o José Figueiredo, atual navegador e amigo de longa
data, apenas começou a “navegar” dois anos depois, fazendo a sua
estreia no Rally de Tábua.
Até 2001, participámos regularmente no TRRC, mas realizando um
trabalho de background, a preparar uma eventual participação no
Campeonato Nacional de Rallies Promoção (CNRP), o que veio a
ocorrer em 2002 e se prolongou até 2004, mais uma vez ao volante de
um Citroen, o ainda atual carro da equipa, Saxo Cup, preparado de
raiz nas instalações da minha oficina, a BorgeSport.
Em 2004, foi o ano em que a equipa alcançou no final do
campeonato um brilhante 3º lugar de navegadores, no CNRP, mas foi
também o ano em que por motivos de ordem pessoal e profissional do
José Figueiredo, demos por terminada a participação em provas de
rallies.
Mas regressaram mais tarde…
José Figueiredo (JF) – Sim, claro que o “bichinho” dos
rallies nunca desapareceu e em 2014, dez anos depois, a equipa
decidiu “tirar o pó” do Saxo Cup, que ficou guardado
religiosamente este longo período e realizámos duas participações
esporádicas no TRRC, nomeadamente em Tábua e Góis.
Já em 2015 e após alguns contactos com o CEO da Caminhos
Cruzados, Paulo Santos, conseguimos assegurar a participação em
três provas, o Rally de Mortágua, Rally de Mangualde e como não
poderia deixar de ser, o Rally Vinho do Dão, agendado para os
próximos dias 24 e 25 de outubro. Por falar em apoios, queríamos
desde já, agradecer mais uma vez publicamente, todo o apoio e
incentivo, por parte da Caminhos Cruzados.

Como está a correr a época e quais as expectativas para o Rally
Vinho do Dão?

JF – Apesar da falta de ritmo competitivo, em consequência da
prolongada paragem, partimos tanto para o Rally de Mortágua, como
para o Rally de Mangualde, sem qualquer pressão em termos de
resultados e decidimos atacar desde a 1ª Especial, impondo sempre um
ritmo forte, decisão essa que nas duas provas, permitiu averbar dois
excelentes 5ºs lugares da Geral. Para o Rally Vinho do Dão, como
estamos a correr em casa, a pressão de um bom resultado é maior, no
entanto, vamos procurar esquecer esse “pormenor” e tentar
alcançar novamente um bom resultado, para continuar a merecer a
confiança depositada pelo patrocinador.
Como se está a comportar o vosso carro e que desenvolvimentos
poderia ter para outros voos?

LB – Apesar da paragem prolongada de 10 anos, o carro tem estado
à altura dos desafios. No Rally de Mangualde, ainda nos pregou um
grande susto, quando o motor se “calou” em plena Especial de
Classificação, mas depois, quase por milagre, voltou a trabalhar e
permitiu acabar a Prova. Agora está a ser alvo de uma profunda
revisão, para que nada falhe no Rally Vinho do Dão.
Em termos de evolução, o nosso carro está sensivelmente a meio
do percurso. O próximo upgrade possível, seria introduzir novas
especificações ao nível do motor, o que permitiria aumentar a
potência ente 20 a 50 cv, mas implicaria também outras alterações,
nomeadamente no sistema de travagem, suspensões, entre outras. Para
isso, já seria necessário um grande investimento.
Como compatibilizam este ritmo intenso com a vossa vida pessoal?
JF – Por vezes não é fácil, nomeadamente para mim, uma vez
que este ano estou colocado em Aljustrel, o que me obriga a percorrer
cerca de 900 km (ida e volta), cada vez que temos provas. Em termos
familiares, apesar da preocupação natural, cada vez que vamos
realizar uma prova, é um tema já aceite com naturalidade.

Que caraterísticas principais são necessárias para se ser bom
piloto?

LB – Para se ser um bom piloto, na minha opinião é preciso
inicialmente ter confiança no navegador e conhecer bem os limites do
carro, depois é necessário ser destemido e ter “sangue frio”
para todos os imprevistos que vão surgindo ao longo das especiais de
classificação.

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