Miguel Ângelo (Comandante dos Bombeiros de Carregal do Sal) foi orador numa conferência sobre segurança promovida pela Açoreana e Diário Económico

As pequenas e médias empresas tendem a desvalorizar as questões da segurança devido, muitas vezes, aos debilitados balanços. Apesar de não ser a única variável a ter em conta, é uma das mais importantes dado que o tecido empresarial português é caracterizado sobretudo por empresas de pequena e média dimensão. Associado a este facto aparece a crise – que assolou Portugal desde 2008, com mais intensidade nos últimos anos – e em que as questões de segurança costumam ser atiradas para o fundo do baú, como afirmaram, ontem em Leiria, os oradores na conferência promovida pela Açoreana Risk Management em parceria com o Diário Económico.
Miguel Ângelo, comandante da corporação de bombeiros de Carregal do Sal, alertou para o facto da “gestão do risco ser também estratégia”. É por isso que o planeamento da segurança deve ter um papel fundamental na organização da empresa e esse planeamento tem de passar obrigatoriamente pela prevenção. Para isso, adianta Miguel Ângelo, é necessário “conhecer os riscos inerentes à actividade e accionar um plano de emergência”. O comandante recorda que “segurança e risco estão interligados e que muitas vezes as pessoas se esquecem de actualizar os planos de emergência em face de alterações que foram feitas às plantas”. A segurança, acrescenta, “tem de ser vista como um conceito de gestão e sobretudo tem de e

xistir um plano de comunicação com entidades externas, como os bombeiros”. Opinião idêntica tem António Carvalho, ex-quadro da polícia judiciária e actual perito de investigação e sinistros, para quem a “responsabilidade tem de estar presente dentro e fora da empresa”. António Carvalho, que falava sobre “a investigação de incêndios em espaço urbano”, adiantou que “o essencial é identificar a origem do sinistro, no caso o incêndio e aferir da culpa”. Em épocas de crise, diz António Carvalho, o “risco torna-se banal, uma vez que só existe manutenção dos equipamentos quando estes avariam”. E deixa um alerta: “Se Portugal evoluir e as unidades industriais começarem a funcionar em pleno haverá mais risco e mais avarias. É preciso olhar para o estado dos equipamentos”. Não há, garante o ex-polícia, empresa que resista a acidentes, como o de incêndios, sem ver afectada a sua credibilidade o que acaba por ter impacto directo (perda de clientes) e indirecto (financiamento) na vida da empresa. “30%das empresas que sofreram um incêndio não recuperam e têm de fechar daqui a dois ou três anos”.

Para os oradores na conferência, a comunicação e a rapidez de resposta é essencial para minimizar os danos. Foi de resto a pensar nisso que Marco Vieira, administrador da Sampstar – empresa que criou a plataforma SIGMA -, terá pensado quando criou a plataforma que permite que qualquer empresa coloque os seus mecanismos de protecção em contacto com uma central que emite alertas para entidades previamente isoladas. Marco Vieira destaca que “se existir um incêndio no seu prédio, serão os bombeiros que ligam para si e não o contrário”.

E que papel devem ter as seguradoras na minimização dos riscos? José Gomes, CEO da Açoreana Seguros foi peremptório: “Assumir o papel de parceiro”. Um papel tanto mais importante, na medida em que “reduzindo os riscos isso terá reflexos na empresa e no próprio prémio de risco”. Já Costa Braz, administrador da seguradora, adiantou que “agora que a economia está a começar a mexer e as empresas estão a ganhar entusiamo, abre-se também um novo ciclo de crescimento para a nossa área de actividade”.
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