“Portugal só não entrou em bancarrota porque Mario Dragui não deixou, mas só resolverá os seus problemas se não cumprir as regras europeias”

Yanis Varoufakis, o ex-ministro grego das finanças, esteve no passado sábado, dia 17 de Outubro, na Universidade de Coimbra, a convite do Centro de Estudos Sociais (CES), para uma palestra intitulada Democratização da zona euro, que decorreu perante uma plateia de mais 480 pessoas, maioritariamente jovens.
Tecendo duras críticas ao mecanismo de estabilidade europeu, Varoufakis falou da “desunião bancária” que há na Europa: “em 2008 – quando deflagrou a crise económica e financeira mundial – o capitalismo entrou em colapso” e foi substituído por uma “bankruptocracy”, ou seja, um modelo em que a sociedade é dominada por “banqueiros falidos”. Aponta ainda que “ao criar um cartel e uma moeda única por cima, os povos europeus transferiram a soberania para Bruxelas, mas em Bruxelas há um buraco negro porque o Parlamento não pode ter iniciativas legislativas e está lá para legitimar decisões ilegítimas”.
A solução passa por criar um novo “modelo de política” que tenha uma dimensão paneuropeia e que resulte de um debate alargado, pois da sua experiência pessoal junto das instituições europeias, reteve que as decisões são tomadas com base na “ignorância” e não há disponibilidade para discutir condições e regras. 
Considera que Portugal só não foi à “bancarrota completa” devido à actuação do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, mas o país só vai conseguir resolver os seus problemas se não cumprir as regras europeias.
Varoufakis questionou ainda porque é que, numa sociedade em que a inteligência “dos jovens é mais alta do que nunca”, os políticos de hoje são inferiores aos do passado, considerando que hoje um político vale pela “capacidade que tem de repetir o mantra”.

Texto : Marília Alves
Foto : Expresso on line

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