Mulher, doméstica e deputada : sobe a representatividade feminina no parlamento

   As eleições do passado domingo constituem um marco positivo na história da democracia em Portugal,  pelo aumento da representatividade  feminina no parlamento: 76 num total de 230 lugares são ocupados por mulheres.
   Este valor  corresponde, para já, a um terço de mulheres  no conjunto de deputados da Assembleia da República, estando ainda por apurar os lugares dos designados círculos de emigração.
   A Lei da Paridade, aprovada em 2006, só agora está a ser cumprida, estabelecendo um mínimo de 33% de cada um dos sexos nas listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais. 
   O aumento do número de mulheres na vida política irá permitir um novo estilo de fazer política, contribuindo para um sistema mais justo e com maior preocupação com as questões sociais,  destacando-se já, durante o processo eleitoral, a postura afirmativa e carismática de Catarina Martins e Mariana Mortágua.
   Se o BE não imaginava atingir os 19 deputados, muito menos pensava que, no círculo eleitoral do Porto, Catarina Martins e João Soeiro passariam a ter a companhia de mais três eleitos (Luís Monteiro, Domicília Costa e Jorge Campos). “Subimos mais do que prevíamos”, assume José Soeiro. De tal ordem, que Domicília Costa acabou por ser eleita, apesar de ter sido colocada em quarto lugar, como a própria confessa, “para preencher” a lista do partido naquele círculo.
Agora, a mulher, independente, de 69 anos, residente em Oliveira do Douro (Gaia), apresentada como doméstica mas antiga responsável por casas clandestinas do PCP, vê-se “metida em trabalhos”. “Só me vai complicar a vida. Toda a gente me diz que tenho que ir para Lisboa. Não sei como me vou organizar”, confessa. E mesmo assim vai? A resposta de Domicília é imediata: “Claro que vou! Se fui eleita…”.
    No domingo, a viúva, natural de Alhandra, com dois filhos e três netos, foi votar debaixo de chuva. Depois, foi assistir à peça “Turandot”, no Teatro Nacional S. João. Lanchou e resolveu passar pela sede do BE. Foi lá que Domicília Costa soube da novidade. “Ninguém estava a contar”, assegura, atribuindo o “resultado histórico” do Bloco a Catarina Martins. “É muito comunicativa e sabe expressar-se. Cativa qualquer pessoa”, justifica.

    A líder do BE surge assim como uma importante voz de contestação em tempo de descrédito das políticas de austeridade, fazendo antever que no futuro o BE, deixe de ser apenas um partido de contestação e possa constituir uma alternativa válida ao PSD/CDS.

Marília Alves

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