Rally do Vinho do Dão com custo estimado de 16,5 a 18 mil euros

– Proposta para a contratualização foi ontem aprovada em reunião de Câmara, com o Vereador Manuel Marques a questionar a importância do evento. Borges da Silva classificou este postura de “parola”
Foi ontem, em mais uma reunião de Câmara muito agitada, que foi aprovada com o voto contra do Vereador do CDS/PP, Manuel Marques, as abstenções dos Vereadores do PSD (Artur Jorge Ferreira e Rita Neves), e quatro votos a favor da maioria PS, a celebração do contrato com a Associação Portuguesa de Automobilismo e Karting, para a organização do Rally Vinho do Dão, que vai ter também como parceiros a DãoSul e a Comissão Vitivínicola Regional do Dão. 
Borges da Silva, sustentando que esta prova vai contribuir “para a afirmação e promoção do Vinho do Dão, do enoturismo, dos investimentos no concelho e da agricultura”, fez uma retrospetiva de todas as ações de promoção levadas a cabo até aqui, designadamente “na Batalha, na Bolsa de Turismo de Lisboa, treinos de Miguel Barbosa e Margarida Barbosa, no Festival de Vinhos Europeus e enoturismo, em Oeiras, na 52ª Feira Nacional da Agricultura, no Rally Vinho da Madeira, na Feira do Vinho do Dão, entre outras”. “Serão três troços realizados no concelho – Santar, Vilar Seco e Caldas da Felgueira e a proposta que aqui trazemos é de um montante a pagar ao Clube Automóvel do Centro de 13 mil euros (entidade organizadora), ao que há a acrescer mais uma verba de despesas partilhadas, num conjunto que para a Câmara deverá representar entre 3,5 e 5 mil euros, ou seja, o custo total do Rally para a autarquia situar-se-á entre 16,5 e 18 mil euros”, revelou o presidente da Câmara, propondo então a discussão e votação do contrato onde constam as diversas cláusulas. Manuel Marques considerou que a apresentação do evento e das suas despesas “carece de falta de rigor”, afirmando que a cláusula que prevê a partilha de diversas despesas “pode trazer encargos quase incalculáveis  para o município, sendo que o valor de 3,5 mil euros que apresenta é anedótico”. “Uma Câmara que está falida, que não pode baixar agora o IMI, é lamentável que possa gastar 25 ou 30 mil euros numa prova que não tem nenhum efeito prático para quem cultiva a vinha – só serve para ver uns carros a acelerar e a levantar pó”, atirou Manuel Marques, defendendo que “primeiro deveria pagar os compromissos que já tem assumidos”. Borges da Silva reiterou que este evento visa “a promoção deste território, do vinho do Dão, das rotas do vinho do Dão, sendo indispensáveis este tipo de investimentos para tornamos o nosso concelho mais atrativo, inclusive em termos turísticos”, lembrando que “quando cheguei ao poder tinha o hotel NelasPark em lay off, o Grande Hotel da Felgueira com uma ordem de despejo, ou seja, tinha apelos de todo o lado para a Câmara promover eventos e dar alguma forma de apoio para poderem incrementar os seus negócios”,classificando ainda o discurso de Manuel Marques de “parolo”. “Hoje somos procurados e elogiados para aqui serem efetuados investimento privados”, constatou, questionando a autoridade moral do Vereador do CDS/PP, que acusou de ter em 2011 “só em dívidas a fornecedores mais de 6 milhões de euros, em que os prazos de pagamento eram de meses – há pior mal do que este ? “. “A situação de hoje, em que pagamos a 30-45 dias, com dívidas a fornecedores que rondam os 300 mil euros, mudou radicalmente a credibilidade da autarquia, por isso Sr. Vereador tenha vergonha desse tipo de discurso”, afirmou, aproveitando para questionar, como exemplo, o investimento de 13 mil euros na Casa do Benfica de Canas de Senhorim, “mandado efetuar pelo Dr. Marques, em que no descritivo da factura apenas menciona obras de requalificação, sem saber o seu detalhe”.”Que autoridade moral tem agora, depois de ter gasto 13 mil euros nessa obra, para colocar em causa um evento desta dimensão, com o impacto que vai ter na promoção do nosso território e do vinho do Dão, enchendo hotéis e restaurantes do concelho”, criticou. Marques ripostou afirmando que “os seis milhões de euros foram gastos em obras e a Casa do Benfica ficou no concelho”.  

De referir que este foi o principal ponto discutido na ordem de trabalhos, não tendo a reunião chegado ao final, pois Borges da Silva, perante os ânimos exaltados e a desordem mais uma vez instalada, decidiu terminar a reunião, alegando não ter condições para a prosseguir. O período para intervenção do público não teve assim lugar.  
Manuel Marques pediu um estudo de viabilidade para a eventual aplicação a redução do IMI para famílias numerosas
O Vereador do CDS/PP fez ainda saber nesta reunião que solicitou ao Presidente da Câmara, “um estudo de viabilidade de aplicação da redução do IMI para famílias numerosas, nada tendo apresentado, ou seja, presumo que nada tivesse feito junto do Governo a manifestar a sua adesão, pois prefere sacrificar as famílias com impostos para pagar o ciclismo e rally, em que as despesas ultrapassarão os 50 mil euros”.

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