Executivo anuncia disponibilidade da autarquia para acolher entre 10 e 12 refugiados

A reunião de Câmara de ontem ficou marcada pela discussão em torno do acolhimento dos refugiados. Borges da Silva reafirmou a disponibilidade manifestada junto do Conselho Português para os Refugiados  e Ministério da Administração Interna, para receber três famílias de refugiados (entre 10 e 12 pessoas), que ficarão alojados em três apartamentos que proprietários do concelho já se mostraram também disponíveis para ceder, assim como também um proprietário agrícola, com uma casa. “Devo dizer que tomámos esta decisão por uma questão de consciência, por ser uma causa nobre, não querendo eu colocar-me em bicos de pés em termos políticos e usar este processo para qualquer protagonismo”, explicou Borges da Silva, esclarecendo que “quando falam na vinda de 300 refugiados, como fez o deputado municipal Hernâni Marques, é falso, existindo aqui muita demagogia e populismo”. “Esta é uma causa humanitária, ainda para mais quando somos um país com uma forte diáspora ao longo de décadas”, defendeu, vincando que “são pessoas novas que vêm com vontade de trabalhar, com ambição, e por isso eu disse que irão contribuir para regeneração do tecido social do concelho, isto salvaguardando sempre as questões da segurança e pressupondo que existem verbas da União Europeia para garantir a sua sustentabilidade”, afirmou, anunciando que “pretendemos também retomar o programa de habitação social, onde existe uma forte carência no concelho, assim como a situação dos bairros da etnia cigana, que em Nelas tem um peso importante, em que temos na realidade dois ou três bairros de lata na vila, com cerca de 120 moradores, tudo isto no âmbito das políticas inclusivas”. “Para abraçar estes projetos estamos à espera dos programas do novo quadro comunitário de apoio”, revelou. Alexandre Borges, vice presidente da Câmara, que está com este dossier, esclareceu que a disponibilidade partiu da família proprietária dos apartamentos e aproveitou para se mostrar um defensor do acolhimento dos refugiados : “temos que ser solidários e não entrar em demagogias neste questão, atirando com números que não correspondem à verdade”. O autarca defendeu ainda que este assunto deverá ser discutido em reunião de Câmara.
Manuel Marques não se mostrou contra o gesto de “humanidade”, nem que o Borges da Silva “se queira rotular como o Cônsul Aristides de Sousa Mendes deste concelho”, mas criticou de forma veemente a forma “leviana” como o presidente da Câmara tratou um assunto “tão melindroso, sem que este órgão dele tivesse conhecimento, pelo menos os vereadores da oposição”.

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