“A Casa do Passal vai ser a âncora do desenvolvimento deste território no futuro”

“Este é o momento de viragem na Casa do Passal”. Foi desta forma que José Barreto Xavier, secretário de estado da cultura, se referiu à visita realizada ontem às obras da Casa do Passal, em Cabanas de Viriato.
O secretário de estado lembrou que “à ruina sucederam-se as obras de reabilitação, cuja 1.ª fase está agora terminada, àquela que foi a residência de Aristides de Sousa Mendes.” José Barreto Xavier lembrou que este é um marco essencial para o desenvolvimento da região antevendo que a Casa do Passal “vai ser a âncora no desenvolvimento do território no futuro” e enalteceu o “envolvimento importante do Município que entendeu também priorizar este investimento”.
Ao referir-se ao edifício, afirmou “a memória que aqui é lembrada é um exercício de cidadania” e sublinhou a premência e necessidade de se “avançar com clareza e determinação” no sentido de se encontrar um caminho específico para o futuro da Casa do Passal, apelando ao envolvimento de todas as entidades/instituições interessadas e amigas. 
O representante do Governo lembrou ainda a passagem sobre o aniversário do Holocausto e frisou a importância de homenagear Aristides de Sousa Mendes pelo seu ato heroico que, na ocasião lhe trouxe várias sanções mas depois lhe valeu diversas distinções. Uma referência também feita por Tzipora Ramon, embaixadora de Israel em Portugal, que recordou a primeira distinção a Aristides de Sousa Mendes – “Justo Entre as Nações” – feita por Jerusalém. Sobre a Casa do Passal, Tzipora Ramon foi clara “é um espaço de ensino da história do Holocausto”, pelo que participar nesta visita oficial “é uma honra e alegria”.
Antes, Celeste Amaro, diretora da DRCC (Direção Regional da Cultura do Centro), tinha feito o repto a instituições amigas de Aristides de Sousa Mendes e interessados nesta causa, para se unirem e chegarem a uma conclusão efetiva de um projeto para a Casa do Passal. Referiu que o primeiro passo foi dado e a 1.ª fase das obras de reabilitação está concluída tendo até sido terminada antes do tempo previsto. Celeste Amaro afirmou- se particularmente satisfeita pelo facto, pois há cerca de um ano atrás, em representação do secretário de estado, naquele mesmo local, se tinha comprometido a concluir estas obras até ao final de agosto de 2015. Emocionada, aquela responsável agradeceu de forma muito particular à sua equipa – técnicos da DRCC – toda a dedicação, empenhamento e trabalho realizados. Afirmando-se uma pessoa exigente consigo e com os outros, Celeste Amaro agradeceu também a pessoas/entidades e instituições empenhadas nesta causa e apelou à união de esforços e vontades para se dar continuidade às obras necessárias.
A propósito anunciou o lançamento do concurso público para a 2.ª fase de reabilitação da Casa do Passal, publicado nesse dia em Diário da República, e que prevê a recuperação de “janelas, portas, grades e muros da Casa do Passal, ficando para o final a intervenção no interior e sua musealização”. Um investimento de 800 mil €uros prevendo esta responsável que, em 2018, seja possível abrir as portas da Casa do Passal à região, ao país e ao mundo. Uma situação possível pelo contributo da Câmara Municipal de Carregal do Sal que abdicou de parte dos fundos comunitários a que teria direito em prol da recuperação daquele edifício pleno de simbolismo.
“É realmente nosso objetivo salvar e reabilitar a Casa do Passal, com toda a simbologia que encerra e torná-la num veículo perpetuador e transmissor do legado moral e cívico que emerge do ato heroico de Aristides de Sousa Mendes” – Foi assim que José Sousa Batista, Vice-presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal deu início ao seu discurso. O representante da edilidade sublinhou que “O abandono e a ruína pertencem a um passado, bem recente, é certo, que nos incomodava”. Recordou então iniciativas, algumas pessoas, “cabanenses de corpo alma”, para quem a reabilitação da Casa do Passal era um sonho e uma prioridade. E considerou “o futuro, pelo menos as linhas gerais, está alinhavado e em condições de perspetivar um fim condigno” afirmando que se trata de um legado demasiado forte e importante para nos darmos ao luxo de continuar a ignorar.” Prova inequívoca disso é o facto, já formalizado, de a Câmara Municipal prescindir de 800 mil €uros que lhe estavam destinados no âmbito do Portugal 2020 para viabilizar a recuperação do edifício. Um financiamento que a Câmara entende que deveria ser garantido por outros meios. Afinal Aristides de Sousa Mendes é “um cidadão do mundo”. A autarquia lamentou o facto mas José Sousa Batista afirmou, perentório, “As nossas convicções são fortes e tudo faremos para ajudar a levar a bom porto esta realização.” Terminou apelando à união de todos em torno desta questão sublinhando “ Aristides de Sousa Mendes, merece-o; cada um de nós que acreditamos nos valores da solidariedade e do amor ao próximo, o merecemos; as gerações vindouras, com exiguidade e necessidade imperiosa de valores de referência que possam pautar as suas vivências, merecem-no.”
Também Ana Abrunhosa, presidente da CCDR Centro foi convidada a usar da palavra, começando por referir que “esta é a 1.ª fase de um projeto da região, do país e do mundo”. Ao referir-se às dificuldades do processo, enalteceu a diretora da Direção Regional da Cultura do Centro e a sua equipa por “conseguirem rentabilizar os trocos disponíveis e até passar da 1.ª fase para a 2.ª fase, que não estava prevista.” Ana Abrunhosa manifestou ainda a disponibilidade da CCDR Centro para continuar “a acarinhar e apoiar este projeto.” 
Antes da visita oficial às obras, outras intervenções marcaram a cerimónia.
Antero de Carvalho, arquiteto da Direção Regional da Cultura do Centro, que supervisionou os trabalhos, foi o primeiro orador. Sucinto, o técnico falou sobre as obras realizadas designadamente na substituição das madeiras por estrutura metálica e na reconstrução total da fachada da Casa do Passal lembrando o que ainda está para fazer nos próximos tempos.
Luís Fidalgo, em representação da Fundação Aristides de Sousa Mendes, lembrou aqueles que lutaram e lutam pela causa recordando que “foram 30 anos de promessas, acontecimentos, visitas sem nunca se fazer nada.” Por isso, publicamente fez o “reconhecimento ao secretário de estado da cultura, à diretora da DRCC e à Câmara Municipal por estar aqui a olhar para a obra entretanto executada” cujo futuro, espera, seja “um lugar de mensagem para as gerações novas, um lugar de cidadania”. Convicto de que o “Concelho, Cabanas de Viriato e a região vão ser conhecidos no futuro por ser a terra de um homem como Aristides de Sousa Mendes (…) um português que nos honra por aí fora”, dirigiu-se ao secretário de estado afirmando “neste interior, também se honra a memória de um povo, do país”. A propósito referiu a necessidade de se trabalhar em rede, de conjugar sinergias dando como exemplo o critério da localização geográfica, designadamente, a proximidade a Viseu e Coimbra e referiu-se então ao protocolo existente entre a Fundação Aristides de Sousa Mendes e a Universidade de Coimbra. 
A intervenção seguinte coube Aristides de Sousa Mendes, neto do Cônsul, que agradeceu, em nome da família, o que estava a ser feito pela memória do gesto do seu avô. Aristides de Sousa Mendes (neto) lembrou que o processo foi despoletado pelo “grito de charme da família”, pelo que “a obra realizada deve-se também à família”. Felicitou então a DRCC por ter escutado esse grito e ter concretizado a obra que visitavam, terminada antes do prazo. Aristides de Sousa Mendes lembrou então que “a Casa tem sempre corpo e alma e o corpo estava morto mas a alma paira.”
Em sinal de apreço, no final da visita, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Cabanas de Viriato retirou o seu crachá da camisa da farda e ofertou-o ao secretário de Estado, o que sensibilizou o governante.

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