Secretário de Estado da Cultura pretende que a Casa do Passal abra ao público até 2018

O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, apelou hoje às entidades relacionadas com a memória de Aristides de Sousa Mendes que se juntem para definir um projeto que permita abrir a Casa do Passal ao público até 2018.
Situada em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, a Casa do Passal pertenceu ao cônsul Aristides de Sousa Mendes, que, ao exercer o cargo diplomático em Bordéus, passou vistos a milhares de refugiados que, durante a II Guerra Mundial, tentavam escapar às perseguições nazis.
Depois de concluída uma primeira fase das obras, orçadas em 400 mil euros, há a garantia de verbas do quadro comunitário até 2020 para a recuperação do seu interior e a sua musealização.
Em declarações aos jornalistas, no final de uma visita à Casa do Passal, Jorge Barreto Xavier explicou que “o Governo decidiu, em articulação com o município de Carregal do Sal”, deixar 800 mil euros alocados para o prosseguimento das obras.
“Agora, o que é preciso é que a Fundação Aristides de Sousa Mendes, que é privada, e as entidades envolvidas se juntem e garantam que a memória e o exemplo de Aristides de Sousa Mendes se projete a nível local, regional, nacional e internacional”, frisou.
Na sua opinião, há condições para que, depois de definido e concretizado o projeto, a porta da Casa do Passal se abra ao público “entre 2017 e 2018”.
“Temos de trabalhar todos para que isso seja possível. Não é já essa a tarefa do atual Governo, mas os meios e as condições para que as coisas aconteçam estão garantidos e aquela que era a primeira fase necessária para que isso pudesse acontecer está feita”, acrescentou.
O secretário de Estado lembrou que Aristides de Sousa Mendes “é um dos nomes de referência do século XX português”.
“Temos de usar o seu exemplo para projetar a nossa imagem no mundo, mas, acima de tudo, para proteger e veicular os valores que ele defendeu”, realçou.
Jorge Barreto Xavier lembrou que este ano se comemoram os 75 anos do ato da consciência, ou seja, do dia em que Aristides Sousa Mendes passou mais vistos a judeus, em Bordéus, em 1940, no início da ocupação nazi, em França.
A Fundação Aristides de Sousa Mendes foi criada em 2000, com o objetivo de internacionalizar e divulgar o cônsul português e o seu feito, restaurar a casa e instalar ali um museu.
No entanto, após reunião com a fundação, a Direção Regional de Cultura do Centro (DRCC) decidiu avançar com uma candidatura ao Quadro de Referência Estratégico Nacional em 2012, no sentido de recuperar a estrutura exterior e interior da Casa do Passal e a sua cobertura.
A contrapartida nacional de 15% saiu do orçamento da DRCC, uma vez que a fundação não tinha esse montante.
Construída no século XIX e ampliada e remodelada nos anos 20 do século passado, a Casa do Passal foi classificada como Monumento Nacional em 2011, pelo seu simbolismo.

De acordo com a DRCC, “a recuperação da casa será a maior homenagem que Portugal pode prestar” ao diplomata português que evitou a a captura de milhares de refugiados, pelas forças nazis.
Lusa

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