BLOCO DE ESQUERDA contesta privatização do IC12 e defende IP3 requalificado sem portagens

Na apresentação do Relatório do Grupo de Trabalho para as IEVA (Infraestruturas de Alto Valor Acrescentado) em Janeiro de 2014, o governo propagandeava: “Para que nunca mais sejam os calendários eleitorais a ditarem a lógica dos investimentos em obras públicas”. Com a falta de coerência a que nos habituou, o governo vem a dois meses das eleições e de terminar o mandato, anunciar para daqui a dois anos, o arranque das obras da nova ligação entre Coimbra e Viseu.
A Candidatura do Bloco de Esquerda às eleições legislativas pelo distrito de Viseu alerta as populações e os autarcas servidos pelo IP3 para as armadilhas da proposta agora apresentada, com “pompa e circunstância”, pelo governo:
Ao anunciar a construção por privados de novos troços, de que já se apresentam os valores previstos de cobrança de portagens, entre a Barragem da Aguieira e Coimbra (A13) e o prolongamento do IC12 até Mangualde (A25), o governo garantiu que manterá sem portagens o IP3, o que suscitou a satisfação dos autarcas de Coimbra, Tondela e Viseu. No entanto, o Diário Económico do passado dia 11 de Agosto  , num artigo intitulado “Novo IP3 entre Coimbra e Viseu vai ter portagens durante 30 anos”, após recolher declarações do presidente do IP – Infraestruturas de Portugal, anunciava que o troço a duplicar entre a Aguieira e Santa Comba Dão será portajado, incluíndo na nova ponte sobre a Barragem da Aguieira, na foz do Rio Dão, que por não ter perfil de auto-estrada, beneficiará de um desconto de 50%. 
Uma coisa é a propaganda eleitoralista do governo, outra os negócios privados privilegiados pelo governo,  em detrimento dos interesses das populações e do desenvolvimento económico da nossa região. Lembramos que o Secretário de Estado das Infraestruturas, Obras Públicas e Comunicações, Sérgio Monteiro, em entrevista ao um jornal regional, em Fevereiro de 2014, confessava que “se tivermos um IP3 requalificado e ao lado uma auto-estrada, ninguém vai pela auto-estrada e, portanto, não haverá privados que a queiram fazer.” Ou seja, 

mesmo que o IP3 se mantenha sem portagens, tão cedo não será requalificado por um governo de direita para não prejudicar o negócio do concessionário da auto-estrada. De facto, esta solução não resolverá o problema do IP3 detectado pelo Grupo de Trabalho para o IEVA:  “Corredor de elevada procura com níveis de tráfego muito intenso (18 mil veículos por dia) agravado pela percentagem de pesados”, o que provoca uma elevada sinistralidade (uma média de 6 mortos por ano). Ora, os pesados continuariam a optar pelo IP3 sem portagens, agravando o elevado índice de sinistralidade, se, entretanto, não se proceder à requalificação desta via. 

Assim, o Bloco de Esquerda defende que se deve começar pelo prioritário, que é a requalificação do IP3, sem portagens, de modo a conferir níveis dignos de segurança e comodidade a esta via estruturante para o desenvolvimento do interior da região centro, vítima do despovoamento, da desertificação administrativa (fecho de serviços públicos) e da falta de investimentos reprodutivos.
Estaremos ao lado das populações e dos autarcas contra eventuais portagens no IC12, quer no actual troço, quer no futuro prolongamento até Mangualde (A25), que urge construir dado a elevada sinistralidade do troço da Estrada Nacional 234 entre Mangualde e Canas de Senhorim, independentemente da requalificação do IP3 ou de qualquer outra solução para a ligação rodoviária segura de Viseu a Coimbra. NÃO À PRIVATIZAÇÃO DO IC12!
Viseu, 12 de Agosto de 2015
A Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda

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