O flagelo dos incêndios florestais

Começou no passado dia 1 de Julho, a fase charlie 2015 dos incêndios florestais em Portugal. Poderei assumir que esta é a fase mais crítica e severa de incêndios no nosso país. 
Decorridos alguns dias desde o seu início e assumindo que esta fase já foi antecedida de dias de enorme empenho por parte dos agentes de proteção civil em algumas partes do país, casos de Pombal, Albergaria a Velha, Sever de Vouga, Ponte de Lima, entre outros, logo se percebeu que iria ser complicado este período especial, que promete dar pano para mangas.
Pelas primeiras avaliações desta fase, já se pode concluir que a mesma está a ser devastadora e já com muitos milhares de hectares de área ardida. Resultante de um elevado número de ignições, onde por certo em alguns casos a mão humana e o crime se associam.
As infraestruturas de defesa da floresta contra incêndios para aumentar a resiliência do território aos incêndios florestais é escassa e em alguns sítios inexistente. Por falta deste planeamento, quer em termos de rede viária florestal, rede de pontos de água, rede de faixas de gestão de combustível, rede de locais estratégicos de estacionamento, rede de suporte aos meios aéreos, rede de vigilância e o contínuo desrespeito pela regras de plantações em grande escala, assim, facilmente estão encontradas as condições adversas e preocupantes que a floresta apresenta.
Estas condicionantes são importantes, pois permitem atualmente gerar comportamentos mais extremos e eruptivos do fogo, que inevitavelmente estes incêndios têm adotado. Resultando um maior risco de perigo de vida para os combatentes, exigindo um desgaste físico e psicológico redobrado.
O concelho de Nelas tem felizmente neste período, sido pouco fustigado.
Sendo que as corporações de bombeiros de Nelas e Canas de Senhorim têm dado uma resposta eficaz no combate a este flagelo em missões onde são empenhados dentro e fora do concelho.
A todos os soldados da paz uma palavra de força e coragem, sempre aliada a uma maior preocupação pela sua segurança. Que sejam tomadas decisões e estratégias ponderadas e prudentes para a resolução dos incêndios, afim, de evitar perdas humanas. 
Por fim, alertar todos os cidadãos, para a prática de comportamentos negligentes na floresta, que colocam em risco a vida da mesma.

Todos juntos. Movidos nesta luta desumana contra os incêndios florestais.
Portugal sem fogos depende de todos!
Rui Ventura
Bombeiro da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim

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