JUNTA DE FREGUESIA de Beijós denuncia e condena as descargas da Borgstena para a Ribeira de Travassos

A Junta de Freguesia de Beijós, acaba de fazer chegar à nossa redação uma nota de imprensa onde avisa para ações de protesto da população, pelo facto das descargas de efluentes da Borgstena terem passado a ser feitas para a Ribeira de Travassos, que atravessa Beijós :
“A Freguesia de Beijós, Concelho de Carregal do Sal, está mais uma vez a ser afetada pelas descargas dos efluentes provenientes da empresa Borgstena, localizada no Concelho de Nelas (fotografias em anexo). As descargas são geralmente realizadas para a Ribeira da Pantanha, mas o Ministério do Ambiente ordenou que as descargas deixassem de ser feitas para aí.
Perante essa situação, as águas residuais passaram a ser desviadas para a estação de tratamento de águas residuais (ETAR) situada entre Nelas e Carvalhal Redondo. Deste modo a Câmara Municipal de Nelas pretende desviar este grave problema ambiental para o Concelho de Carregal do Sal, uma vez que as águas desta ETAR são encaminhadas para a ribeira que atravessa a localidade de Beijós (Ribeira de Travassos). O problema é tanto mais preocupante, uma vez que esta é uma estação para tratamento de águas residuais domésticas e não uma ETARI (Estação de tratamento de águas residuais industriais). Sendo a empresa Borgstena uma indústria têxtil, o seu processo de fabricação de tecido produz efluentes corados, de características químicas muito próprias e inconstantes, que requerem etapas de tratamento específicas e adequadas às características do seu efluente de elevada toxicidade e carga orgânica. A solução que a Câmara Municipal de Nelas arranjou foi transferir o problema para a freguesia vizinha que vive essencialmente da agricultura, onde os vastos campos agrícolas, são muitos deles  regados com água da Ribeira de Travassos.
Pelo que a população promete já desenvolver ações de protesto se tal problema não for resolvido o mais breve possível.
Contamos convosco para dar a conhecer este nosso problema”.
O Presidente da Junta de Freguesia de Beijós,
Carlos Baptista

8 comentários a "JUNTA DE FREGUESIA de Beijós denuncia e condena as descargas da Borgstena para a Ribeira de Travassos"

  1. Isto é uma vergonha senhor Presidente da Câmara, mas mais vergonhoso é querer construir a Grande ETAR Urbana com condicionalismos à construção, estaremos para ver o que anda para aí a fazer.

  2. Muito bem Senhor Presidente Carlos Batista quem dera haver Homens como o senhor em Nelas.

  3. http ://www.faroldanossaterra.net/2014/07/02/alerta-beijos

  4. E assim se resolvem os problemas em Nelas. Parabéns sr presidente pela sua capacidade

  5. Há uns anos a esta parte acharam por bem fazerem uns tanques deporadores a qual deram nome de ETAR quase no inicio da linha de água da Ribeira de Travassos. O primeiro problema começa por esta linha de água secar por completo no verão. Com terrenos contíguos a esta linha de água ao longo dos anos tenho vindo a deparar-me com águas escuras e com um cheiro nauseabundo. Nota: nos primeiros 2km desta linha de água a jusante da referida ETAR já minguem cultiva os terrenos devido ao estado que ficaram os lenções freáticos. Como a decisão de á uns anos a esta parte foi errada, triste é cairmos no mesmo erro e agrava-lo ainda mais com os afluentes industriais. Uns e outros mesmo que tratados nunca se deviam descarregar numa linha de água que seca por completo no verão. Uma vila que vive a cerca de um quilómetro de um rio não se compreende esta maneira de agir. Se se tem que utilizar sistema de bombagem para uma ETAR, porque razão não se coloca essa ETAR numa zona isolada e se conduz os afluentes a uma linha de água que não seca no verão?? Peço desculpa na observação, mas cheira-me a que outros valores se levantam…

  6. Muito obrigado pelas palavras de agradecimento. A minha forma de estar na vida e em sociedade é defender o interesse de todos, e como Presidente de Junta ainda mais se reforça esta maneira de estar e de agir. Não defendo só a população da minha Freguesia… Isto é um problema transversal que tem de ser resolvido de modo a minimizar os prejuízos para todos. E na minha participação na Sessão de Esclarecimento promovida pela AZU em abril, sob o tema "Solução para a Poluição da Ribeira da Pantanha", para a qual foi convidado pelos promotores apresentei uma solução.
    Na sessão foi apresentado o contexto do passivo ambiental de Nelas, nomeadamente as descargas da empresa Borgstena e a solução há muito prometida para tal problema. Na sessão esteve presente o Sr. Presidente da Câmara de Nelas que apresentou como solução para tal situação a construção de uma grande Etar urbana na sede do concelho de Nelas, estrutura esta que terá capacidade para tratar nos próximos 20 anos todos os esgotos domésticos da vila e algumas freguesias (Nelas, Algeraz e Folhadal) e os oriundos das empresas instaladas na Zona Industrial de Nelas, a norte, e na Zona Industrial do Chão do Pisco, a poente, com pré tratamento, e que será construída na envolvente da atual Etar 2 de Nelas.
    Depois de apresentada esta solução passou-se à intervenção do público/ debate, durante a qual questionei o Sr. Presidente da edilidade relativamente ao destino a dar às águas dessa nova Etar. Questionei se no futuro não iria acontecer à Ribeira de Travassos o mesmo que aconteceu à Ribeira da Pantanha, isto é, tornar-se um local de poluição com evidentes prejuízos para a fauna e flora do curso de água e demais riscos associados. Todos sabemos que os equipamentos sujeitos a descargas industriais poderão estar subdimensionados e que há sempre a possibilidade de falhas no funcionamento do equipamento, hipotecando assim a Ribeira de Travassos, tal como aconteceu no Verão de 2014.
    O edil admitiu a situação ocorrida e disse que o mesmo aconteceu, pois foi construído um ramal para levar as águas da Borgstena para a atual Etar 2, mas só depois do mesma estar em funcionamento se constatou que não tinha capacidade para tratar a quantidade de efluentes debitados na mesma. O edil afiançou que com a nova Etar esse problema ficará resolvido, pois haverá um melhor tratamento das águas.
    Voltei a questionar se me garantia que não ia haver poluição da ribeira que atravessa a freguesia de Beijós, uma zona sensível visto grande parte da população se dedicar à agricultura, sendo os produtos agrícolas daí resultantes destinados ao consumo humano. O Sr. Presidente direcionou todos os esclarecimentos para o engenheiro responsável pela nova Etar, o qual apenas se referiu ao dimensionamento do projeto, não respondendo às minhas questões concretas.
    Visto não obter explicações mais válidas, afirmei: “Uma vez que a Ribeira de Travassos (tal como a Ribeira da Pantanha) tem um caudal muito pequeno, em especial nos meses quentes, porque não enviar as águas da nova Etar para uma bacia com caudal mais volumoso, como é o caso do Rio Mondego? Poder-se-ia tratar as águas nessa mesma Etar 2, mas construindo-se um emissário que levasse as ditas águas até ao Mondego, onde haveria uma maior diluição das águas residuais”. Esta ideia foi bastante saudada pelo Prof. Baila Antunes, docente do Instituto Politécnico de Viseu, que disse que seria sem qualquer dúvida a melhor solução e que poderia precaver futuros problemas ambientais. Também os dirigentes da AZU, tal como o deputado Pedro Soares, felicitaram tal ideia.
    Sei que não é solução perfeita, mas não há soluções perfeitas, mas penso que é a solução que menos impactos ambientais terá para todos nós…

    • Parabéns Dr Carlos pela sua coragem. Conhecendo-o como o conheço de si só podia esperar isso. O senhor tem coluna vertebral contrariamente a alguns que são bicéfalos vou para onde o dinheiro os chama

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