A litorização tem de ser combatida

Portugal confronta-se com o grave problema de ser um país cada vez mais envelhecido. A taxa de natalidade é baixa. Estas são tendências globais, mas para o caso interessa-nos abordar o impacto que vão ter no desporto do interior.
Não se percebe se os números e alertas publicados pelas mais variadas instituições têm sido menosprezados ou a iliteracia é ainda maior do que aquela que se diz. Esta semana a DGES alertou para o seguinte facto da quebra demográfica: entre 2020 a 2030, a população em idade de entrar no Ensino Superior (17 -18 anos) vai ter uma quebra em torno de 30%!!!
Esta é a idade da afirmação do jovem atleta. Da transição da formação para sénior. É nesta idade que a maior parte dos atletas interrompem, ou acabam mesmo, a sua atividade desportiva. O investimento de clubes, atletas e famílias tem de ser questionado e reajustado.
A prática desportiva tem de ser bem definida com o objetivo que se pretende. Uma prática ocasional, de saúde, e/ou uma que visa a competição? É que ainda não perceberam ou não querem perceber que ambas têm o seu espaço mas que são trabalhadas de forma diferente?!
Vão os clubes continuar a «formar» e depois necessitarem de contratar atletas para manter as suas equipas seniores? Faz sentido isto? E com que dinheiro?! Manter uma equipa é oneroso. O público deixou de ser fiel ao espetáculo – que é fraco.
Os clubes têm que, de uma vez por todas,que se unir, criar sinergias e traçarem um rumo em conjunto. O Poder Local e Associativo, os Clubes, as Instituições de ensino devem relacionar-se e ter políticas desportivas executáveis, que sejam viáveis – mas que podem não dar votos a curto prazo. Um preço a pagar por quem tem sentido de Estado e de serviço público.
O Interior desertifica-se. As ofertas formativas estão no Litoral e conquistam e satisfazem mais os nossos jovens que acabam, muitos, por nunca mais voltar. Quem fica?! 
Não é, certamente em número suficiente de manter em atividade os quadros competitivos – das mais diversas modalidades.
O futuro não tem de ser necessariamente uma fatalidade e muito depende do que fizermos no presente, da nossa capacidade de ação e da coragem para nos reformarmos enquanto organizações. 
Manter os mesmos modelos de gestão e organização dos clubes é que não vai dar bom resultado. A relação entre estes é conflituosa e numa rivalidade mesquinha que só tem levado à falência de todos. Os protagonismos “bacocos” não podem continuar a ter lugar no desporto. Há gente competente e bem formada disponível para trabalhar. 
De uma vez por todas chega de amadorismo e da boa vontade dos mecenas. Produza-se um trabalho de futuro que já devia ter começado ontem. 
Vitor Santos (treinador de futebol – formação)

1 comentário a "A litorização tem de ser combatida"

  1. Nelense Atento | 29 Maio, 2015 às 16:22 |

    É pelas loucuras de alguns quase todos os dirigentes desportivos que os clubes afundam, deixam de ter ligação ao público isto porque nos seniores e até nos juniores deixa de haver jogadores da terra. Um exemplo concreto foi a loucura que fizeram no Nelas ter uma equipa profissional porque se juntou um treinador louco ( Borges) e diretores megolomanos Cavaca, Alexandre e outros que tal. Agora o que temos um clube descaracterizado, sem adeptos que só usado pelos políticos (BS e MM ) quando lhe convém e os bajuladores lá andam a beijar o anel.

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