DESCENDENTE de Carregalense tem quase seis milhões de discos em vinil

Zero Freitas, o brasileiro dono de colossal coleção de quase seis milhões de vinis, tem 100 mil discos portugueses. “Esses guardo-os em casa, perto de mim”, contou ao DN o colecionador cujo pai e irmão nasceram em Carregal do Sal.
Foi tudo muito rápido: num dia, Zero Freitas comprou um milhão de vinis a um colecionador americano, no outro o jornal New York Times soube da história, dias depois publicou uma reportagem de alcance global e num instante ficou estabelecido que o maior colecionador de discos do planeta, com cinco milhões de unidades, ou já seis milhões, porque aumenta minuto a minuto, é um milionário brasileiro, natural de São Paulo.
O que o New York Times não disse é que José Roberto Freitas, mais conhecido por Zero, fez fortuna como herdeiro e gestor de uma companhia de transportes chamada Benfica. Com um símbolo decalcado do clube lisboeta. E o E Pluribus, Unum – “De Muitos, Um” – dos encarnados como lema. “O meu pai e os irmãos, todos do Carregal do Sal, eram malucos pelo Benfica”, começa Zero, depois de perguntar ao repórter do DN se tinha preferência de sotaque “quer que fale mais à portuguesa ou mais à brasileira?”.
“Eles eram sete e só havia dinheiro para sustentar um. Então, em 1946 foram para Lisboa, um deles chegou mesmo a juvenil do Benfica, e daí para São Paulo, contratados por uma fábrica de doces no Pari [bairro paulistano reduto de imigrantes portugueses].” “Em 1954”, abrevia o colecionador de 61 anos, “investem no negócio dos transportes e depois de montarem duas empresas, à terceira, lá para 1963, resolvem dar o nome de Benfica” – o Grupo Benfica, composto hoje por sete empresas, circula em todos os estados do gigantesco Brasil. E é democrático. “Um dos nossos funcionários mais antigos e mais queridos, o Jaime Assunção, chegou a ser guarda-redes dos reservas do Sporting”.

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