“O Executivo PS não pode viver somente debaixo do seu ponto forte – a instalação dos Aquinos”

Nova Comissão Política Concelhia do PSD tomou posse sob a liderança de Daniel Marialva. Artur Jorge Ferreira e Luís Pinheiro foram eleitos vice presidentes em lista única apresentada a sufrágio
Foi em tons laranja que promovemos em março a rúbrica À MESA COM .. convidando para connosco almoçar em Nelas, na Taberna do Chef, o novo presidente da Comissão Política Concelhia dos social democratas, Daniel Marialva (DM), e o novo vice presidente e atual vereador, Artur Jorge Ferreira (AJF), putativo candidato do partido a presidente da Câmara em 2017. Degustando um Quinta do Sobral Reserva de 2012, que revela todo o caráter, elegância e frescura das uvas provenientes de um “terroir” de excelência em Santar, acompanhado de enchidos da Beira e Pota à Lagareiro, fomos ao encontro da primeira posição pública do PSD pós derrota eleitoral de 2013. 
Porquê só agora surge a nova Comissão Política do partido, quase a meio do atual ciclo político ao nível autárquico?
DM – Foi normal termos passado por um período de luto, depois de uma derrota que foi sofrida. A questão processual também só agora permitiu realizar a eleição: a Distrital é que decidiu que este seria o momento adequado. 
Verificou-se que após a eleição, os vereadores do PSD na autarquia têm estado mais proativos na intervenção política. Podemos concluir que só agora se sentem verdadeiramente legitimados politicamente? 
AJF – Eu sempre defendi que deveríamos ter uma Comissão Política para que as posições que eu tomasse estivessem em consonância com o órgão local do Partido, e não serem vistas como posições pessoais. Chamo a atenção, de qualquer forma, que o PSD tem uma postura diferente de outros Partidos – criticamos, mas também sabemos elogiar, quando a situação o justifica. 
O vosso mandato é de dois anos, logo não conclui o ciclo até às autárquicas de 2017 – o PS optou por fazer coincidir os mandatos com todo o ciclo. Não é ingrata esta situação para quem é agora eleito, com objetivos condicionados?
DM – A minha visão da política é diferente: acho que deve ser exercida não pelo poder em sim mesmo, mas como um projeto de cidadania, que envolva várias pessoas. A minha proposta nestes dois anos é que se consiga organizar um pensamento que possa ser o da futura Comissão Política, para aí sim, ser escolhido um candidato ganhador, que seja do próprio PSD e não um qualquer candidato populista. A nossa prioridade neste momento é criar uma organização com pensamento político. Deste modo, vou criar grupos de trabalho, em várias áreas (económica, social, desporto, cultura, etc.), para formarmos esse pensamento. Também gostaria que o partido tivesse uma sede em Nelas, assim como aumentar o número de militantes, mas isso será consequência do trabalho político que vamos concretizar, porque só assim mobilizamos as pessoas.
Isso leva-nos a uma questão que normalmente sucede com as Comissões Políticas, quando o seu partido está no poder: são esvaziadas e pouco interventivas, ou seja, a vossa ação passa por fazer renascer o partido?
DM – Teremos exatamente que fazer esse trabalho, como disse atrás, começando por organizar um pensamento político, para depois atrairmos as pessoas. Queremos que os militantes e simpatizantes venham até nós de novo: esse é o nosso desígnio.
O vereador do CDS/PP, Manuel Marques, disse-nos aqui, que já não existe coligação. Equacionam poder vir a ser recuperada, unindo esforços com vista às autárquicas e legislativas?
DM – Essa questão neste momento não se coloca: estamos totalmente centrados na organização interna. Eventualmente poderá colocar-se mais junto às eleições.
Entrando nos temas da atualidade, o IMI será neste momento o que maior discussão política e pública suscita, dado que estamos num dos poucos concelhos no país com a taxa no máximo, sendo que em 2015 vai pesar ainda mais nos bolsos dos nelenses, com o fim da Claúsula de Salvaguarda em muitos casos. Defendem que a autarquia poderia já ter tentado baixar o IMI?
AJF – Temos a noção que a taxa é elevada, mas por vezes é necessária, como no caso de Nelas tem sido. No entanto e face às novas condições da economia nacional, da melhoria da situação financeira da Câmara e às renegociações de empréstimos, que resultam em juros consideravelmente menores, vamos abordar em breve essa questão, no sentido de prevermos a possibilidade de se baixar a taxa de IMI.
O presidente da Câmara já sinalizou pretender somente em 2017 rasgar o PAEL e estar em condições de baixar o IMI. Que comentário lhe merece? 
AJF – Espero que não enverede por esse caminho, mas se o fizer as pessoas saberão distinguir o que foi e não foi feito, na devida hora. Se existe possibilidade de o fazer, que se faça já este ano. Se o fizer somente em 2017 a população irá saber avaliar que foi uma medida eleitoralista. Vamos aguardar pelas propostas do executivo nesta matéria, e teremos também as nossas, na devida altura.
A proposta de novas tarifas para o abastecimento de água resultou nalgum agravamento nos consumidores de menor consumo, embora com uma grande redução para os que não consomem, e segundo a interpretação da oposição, uma redução para os grandes consumidores. Qual a vossa posição nesta matéria? 
AJF – De facto o executivo PS aumentou, embora não muito significativamente, o valor total da fatura da água para quem consome até 5 m3, desagravando o custo para os que consomem mais. Para nós deveria ser ao contrário – deveria ser penalizado quem consome mais água. Assim votámos contra, até porque houve uma redução de encargos com a fatura de Mangualde (na ordem de 30%) e com a recolha do lixo, ou seja, não vemos qualquer enquadramento para aumentos em qualquer dos escalões. Na minha opinião esta foi uma decisão política e também condenamos de forma veemente a falta do regulamento para as tarifas sociais, que deveria ser logo apresentado.
Recentemente veio a público a possibilidade do IC12 vir a ser portajado. Concordam com esta eventual medida? 
AJF – Eu não tenho problema em defender isso, se nada for feito por uma estrada que tem elevados níveis de perigosidade dado o estado em que se encontra. Outras vias portajadas estão em excelentes condições como sabemos e o IC 12 necessita de uma requalificação profunda. Podemos é depois discutir o valor dessa portagem.  
Qual a avaliação que fazem dos 16 meses de mandato do atual executivo PS? 
AJF/DM – Penso que se viveu um primeiro ano de “estado de graça”, em que se quis mudar muita coisa de uma momento para o outro, ainda para mais quando a vitória foi muito curta – apenas 13 votos – num sinal de que havia muita coisa correta. Considero que se antes era notória uma política de proximidade, agora temos uma política mais virada para os números e talvez de grandes projetos, cujo ponto alto, e bem, foi a instalação da empresa Aquinos. Agora o executivo não pode viver sempre desse ponto forte. Penso que as lacunas maiores têm a ver com os problemas das pessoas, a área social. O Cartão e Universidade Sénior são insuficientes. Tendo-se começado bem com a aproximação às freguesias, com reuniões mensais, isto não se tem vindo a repetir e há neste momento, julgo eu, uma grande distanciamento.
Quais as grandes prioridades ou desígnios no concelho na vossa opinião? 
DM – Essa situação iremos elencá-la nos próximos meses. Não me quero adiantar muito, mas há algumas situações que são prioritárias: forte aposta do concelho como marca “coração do Dão”, tentar uma escola de ensino profissional, que seria um fator muito importante, isto entre outras situações que iremos estudar.

17 comentários a "“O Executivo PS não pode viver somente debaixo do seu ponto forte – a instalação dos Aquinos”"

  1. debitar lugares comuns só prova que não há ideias… marca coração do dão… escola profissional… isso já vem do tempo do José Correia. Nada de NOVO

  2. São mais os elogios tímidos á actual Câmara que as criticas. Porque será?

  3. Manuel Marque? Vai de retro!!

    • concordo dê o lugae a outro deitam-se e levantam-se a pensar na camara aquilo deve ser bem bom mas o artur já está a tomar medidas e nós apoiamos chega de tachistas que nunca fizeram mais nada sw aquilo fosse de borla até fojiam.
      psd antento e que não apoia misturas

  4. Nelense atento | 10 Abril, 2015 às 17:18 |

    Qual MM qual quê nem Marques nem David nenhum deles pode voltar a fazer parte das listas do PSD foram os coveiros deste ilustre partido Força Artur e Marialva …. vc sim são gente boa

    • Foram estes dois e outros do CDS, que vos levaram ao poder por o qual penastens mais de vinte anos.

  5. Bem dito "Coração do Dão" marca que vem do tempo do José Correia e foi delapidada num Ápis por este executivo.
    Agora fazendo oposição, deve ser responsável e coerente e isso é uma marca do PSD coisa que falta ao PS quando esta na oposição.
    O que se ouviu antes das eleições é que a Câmara devia 500 000€ de água a Mangualde e muito mais coisas e a final quem devia era Mangualde por anos a fio andar a meter as mãos em seara alheia.
    Mas como ter carater não é para todos, cabe ao PSD tê-lo.

    • Nelense atento | 10 Abril, 2015 às 17:58 |

      Meter mãos em seara alheia o Marques porque e que não explica aquele t no ramal da água existente em Moimenta. Vá lá explica

    • O Borges da Silva que te dê a ler a auditoria, e já vês desde quando lá esta esse célebre T.

  6. Caro Sr. Jornalista,
    Tendo saído de Nelas há 60 anos e, embora mantenha contactos familiares e outros com a Terra onde nasci, confesso que já não conheço a maior parte das pessoas daí.
    Assim,agradecia, possivelmente como outras pessoas que estão nas minhas condições e a bem dum maior conhecimento das pessoas que constituem a nova Comissão Política Concelhia do PSD, uma descrição do seu curriculum, e parabéns por finalmente se ouvir falar do PSD.

  7. Irrelevantes..

  8. ""se consiga organizar um pensamento que possa ser o da futura Comissão Política, para aí sim, ser escolhido um candidato ganhador, que seja do próprio PSD e não um qualquer candidato populista""

    MUITO BEM

    Com este pensamento e a ser concretizado tem apoio popular que se veja
    Estávamos e estamos fartos de populistas saudosos dos tachinhos. Que os nossos impostos nunca mais sirvam para pagar a saudosos dos tachinhos. Quem quer bolota que faça pela vida, mas não com tachinhos pagos dolorosamente pelos pesadissimos imis que nos deixaram de herança, mesmo que agora se façam passar por paladinos da sua baixa.

    MUITO BEM ARTUR. VAMOS SEPARAR ÁGUAS

    • Nelense atento | 11 Abril, 2015 às 20:13 |

      Que mais se pode pedir a um politico e a um homem…. Honestidade…é esta palavra que melhor define o Artur. Segue em frente e não vale vergar. Nelas espera muito de ti

    • O vereador Artur sabe muito bem o que deu origem ao aumento absurdo do IMI, sabe que foi o governo PSD que promoveu a reavaliação das casas em mais de 300 % e também sabe que a câmara anterior – câmara PSD/PPD CDS – "construiu" uma divida que obrigou a recorrer ao PAEL e ficou com obrigações, uma delas foi ter o IMI na taxa máxima 0,5%, não enganem o povo.

    • Calma que a taxa poderia ter sido 0,4% e não 0,5%, como alguem obrigou a faze-lo sabendo-se hoje as motivações.

  9. Haja quem nos acuda com estes candidatos. Este também contribuiu para o IMI que os munícipes estão a pagar. A que ponto chegou a Câmara de Nelas. É uma vergonha.

  10. Meu caro comentador das 19:54, se é uma vergonha, e para o dizer, leva-me a concluir que Vossa Excelência é competente, tenha coragem candidate-se , que eu voto em si.

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