Encruzado, uma casta de vinhos com “assinatura”

Na recente edição da Essência do Vinho 2015, tive a oportunidade de fazer uma prova comentada sobre a Encruzado, casta branca, identificada com o Dão, e uma das suas mais nobres.
Sabendo-se que a sua presença actual, está confiada à guarda dessa região, e até numa presença não especialmente significativa, cerca de 300 hectares, tem conseguido vingar, seja em versão varietal ou sustentação em blends. Para além do seu potencial vitícola, foi verdadeiramente educativo, provar 8 vinhos de Encruzado, na maioria com trabalho onde a madeira esteve presente, mas a distinção e o caracter individual de cada vinho, ficou claramente vincado. 
Outro factor, relacionado com esta nota, é o facto de não sendo uma casta especialmente aromática, a interpretação fica a cargo e ao sabor de como a quiserem moldar. Daí, a minha satisfação de não ver um registo demasiado padronizado e uníssono. 
Agora, é na boca que esta uva mostra, como vinho, os seus argumentos notáveis. Senhora de um equilíbrio entre a produção de álcool e acidez, pouco habitual. Consistência de sabores e estrutura, e profundidade de sabor irrepreensível, sempre em crescendo, melhorando especialmente com envelhecimento. Mesmo em vinhos bastante recentes, se sente a complexidade e persistência qualitativa no final de boca.
É, também, esta característica de balanço entre acidez e maturação, que tem criado verdadeiras lendas de envelhecimento. Os aromas, ao evoluir, são verdadeiramente sedutores, com a exibição mineral e sensações de caracter sempre em afirmação.
Creio, que a casta tem alguns atractivos (vitícolas e enológicos), que serão ambicionados noutras paragens, futuramente. Assim, a afirmação de estilo da região, é um caminho a defender. 
Outro argumento a valorizar, é a capacidade de se ligar à mesa, que os vinhos de Encruzado têm. É uma característica, em geral presente nos vinhos da região, pelo que nunca é demais, valorizar essa faceta. A relação qualidade preço, destes vinhos, é outro factor que tem argumentos favoráveis. 
Foi um prazer, da minha parte a honra de comentar vinhos desta casta. 
Manuel Moreira – Escanção

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