O PASSIVO ambiental da Borgstena …

   Fundada em 1925, a Borgstena Textile é uma empresa multinacional, que tem em Nelas uma das suas principais unidades fabris. Atualmente com cerca de 400 trabalhadores, a empresa tem uma presença muito importante na economia local e até regional. Recentemente foi anunciado que iria praticamente duplicar o número de trabalhadores, devido a um novo contrato de fabrico de tecidos para cadeiras de bebés de um grande cliente. Um investimento fortemente aplaudido pela Autarquia, o que terá motivado a visita do Vice-Primeiro Ministro, Paulo Portas, às suas instalações, na passada Sexta Feira. A questão que muitos, legitimamente, colocam é : desenvolvimento empresarial e emprego a qualquer custo ? O próprio Presidente da Câmara, ainda durante a campanha eleitoral, fez do ambiente a sua grande bandeira, rejeitando liminarmente em Nelas qualquer investimento poluente (como foi o caso da incineradora de animais, PGG). O que se passa na Borgstena é que a sua atividade é altamente poluente e necessita de uma ETAR Industrial para tratamento dos seus efluentes, vindos principalmente da sua tinturaria. A proativa ação da Associação Ambiental AZU, que foi denunciando a contaminação da Ribeira da Pantanha e Valinhos (principalmente) que afeta os ecossistemas e a qualidade de vida das populações, deu os seus frutos. A AZU tem sido a única garantia da defesa do ambiente, pois quer o executivo anterior, quer o atual, nada fizeram de eficaz para resolver o problema (e sublinhe-se as largas dezenas de milhares de euros que já foram gastos, sem qualquer eficácia). A AZU denunciou, denunciou e já conseguiu que (além das contra ordenações aplicadas) a Autarquia de Nelas fosse notificada para tamponar a saída dos efluentes. Dado que não há fundos comunitários para resolver o problema da construção da ETAR (princípio do poluidor-pagador), e dado que a empresa Sueca, sozinha, já mostrou não ter quaisquer intenções de a construir, de acordo com a última informação da AZU, o presidente da Câmara está a tentar junto do Ministério da Economia obter apoios para avançar com a construção da ETAR (poderá estar em cima da mesa um valor de investimento na ordem dos 1,5 a 2 milhões de euros). 
Temos razões para acreditar que Borges da Silva, cuja bandeira do ambiente continua bem erguida (veja-se a sua grande satisfação pela continuação do bom funcionamento das Termas da Felgueira e Grande Hotel), vá conseguir resolver este enorme crime ambiental. Se há maior lesado no meio deste processo, ele tem um nome : Caldas da Felgueira. Veja-se na foto que abaixo apresentamos aquilo que poderia ser – e na verdade já foi – um grande atrativo turístico do concelho – a Cascata da Ribeira da Pantanha. 
A questão que se deverá colocar neste momento, independentemente dos esforços do autarca de Nelas para resolver o problema é se a Borgstena tem ou não capacidade para o resolver, quando está neste momento em fase de fortes investimentos. Voltamos à questão inicial – desenvolvimento, lucros e empregos a qualquer custo ? E o turismo, a qualidade de vida e bem estar das populações, onde ficam ?
A Borgstena tem estado muito pouco preocupada com esta questão, o que é de estranhar. Borgstena, como a foto documenta, é uma pequena localidade Sueca, com cerca de 400 habitantes, os mesmos trabalhadores que a unidade de Nelas tem neste momento (uma parte considerável é fruto de contratos de trabalho temporário). Ali existe um rio e um ecossistema altamente preservados, como é destacado no vídeo institucional da empresa. Como se pode verificar, a população, incluindo as crianças, desfrutam ao máximo da natureza, tendo uma qualidade de vida que as crianças e habitantes da Felgueira não podem usufruir. É legítimo questionar : porque em Borgstena a empresa trata dos efluentes e em Nelas não ? 
Não temos dúvida que o problema será resolvido, até porque com o investimento em curso hipoteticamente poderá existir um intensificar das descargas poluentes. E assim sendo, como ficaria a bandeira do Presidente da Câmara, se o problema não fosse solucionado ? 
Cascata da Ribeira da Pantanha, despoluída
Poluição na Cascata

 Imagens retiradas do VÍDEO institucional da Borgstena, inserido no Youtube

18 comentários a "O PASSIVO ambiental da Borgstena …"

  1. Quando se têm bons amigos na câmara ou antigos funcionários é fácil não gastar dinheiro para resolver os nossos problemas. Quem devia tratar os esgotos da fábrica era a fabrica e não a câmara. Os meus impostos não podem servir para financiar o Machado.

    • Tem razão ,anónimo das 20:24hrs, quem deve tratar dos esgotos é a Borgstena, recorrendo aos Fundos Comunitários que aí vêm,se tiver direito a isso.
      Ao cuidado do Sr. Presidente da Câmara. Se fosse na Suécia a fábrica já estaria fechada há muito tempo ou não teria começado a funcionar sem os requisitos ambientais exigidos.

    • E depois como era a manutenção da avença?
      AGR da Guarda com urgência à Borgstena

    • O que é isto da AGR da Guarda?

    • Uma empresa da Guarda contratada pelo Presidente de Câmara e Sofia Relvas, para o tratamento ambiental do Concelho de Nelas, e acreditem que já lhe foram pagos milhares de euros, mesmo muitos milhares e aqueles dois que o digam ou que desmintam.

  2. Os meus parabéns Sr.Jornalista,grande reportagem que revela da sua parte grande coragem e profissionalismo,mas não se esqueça que a Borgstena é protegida pelo Presidente da Camara e este seu trabalho desmascara muita coisa.
    Já agora, é deveras pertinente falarmos sobre o programa eleitoral de Borges da Silva,pode ser que isso lhe avive a memoria.

  3. Temos ali uma verdadeira praia fluvial!

  4. BORGES DA SILVA JÁ RESOLVEU, GASTANDO 40.000 CONTOS, PARA OS PEIXES SE DESLOCAREM DA URGEIRIÇA PARA A 2.ª ETAR DE NELAS.

  5. Parabéns pela reportagem.

  6. O que já fez por isto Borges da Silva depois de 16 meses na presidência da Câmara, quando ele é um apaixonado pelo ambiente e limpezas e é um verdadeiro amigo do Hotel da Felgueira, querendo mesmo acordo para lhes perdoar as rendas em atraso.

  7. O Machado gostava tanto da Felgueira que quando começou a poluição vendeu lá tudo o que tinha.
    Triste Felgueira que todos dão cabo dela!

  8. Boa peça jornalística. Parabéns.

  9. O que já foi gasto em sistemas de bombagem, e redes de tubagens, apenas para camuflar o problema, e que agora estão desactivados, já teria dado para dar inicio á construção de uma etar em condições.
    Pelo que se vê, o que existe é apenas uma conduta de descarga dos poluentes para a Pantanha, nada mais!

  10. Et Voila….- Tratar das questões ambientais, em particular no acompanhamento da intervenção no passivo ambiental das Minas da Urgeiriça, na despoluição da Ribeira da Pantanha e do Rio Castelo. Têm que acabar os esgotos a céu aberto, a falta do regular funcionamento das ETAR’s e a falta de saneamento garantido a muitas populações. – Impõe-se também o apoio urgente à reflorestação do Concelho bem como a promoção de projectos agrícolas.
    – É preciso potenciar as virtualidades dos rios Mondego e Dão e dar-lhes a importância ambiental, termal e turística que verdadeiramente têm. Urge conciliar esforços a montante dos rios, em particular do Rio Mondego, junto das Câmaras de Mangualde, Fornos, Celorico e Gouveia para uma acção concertada de despoluição. Só assim faz sentido pensar em praias fluviais, parques de campismo ou caminhos pedestres,
    – Vamos promover uma cultura de educação ambiental, nomeadamente aproveitando e valorizando o espaço da Quinta da Cerca, local em que estão investidos nos últimos 15 anos mais de 3 milhões de euros sem a devida utilização e retorno das estruturas criadas.
    Dê também o seu contributo.
    Para um Futuro com Confiança!
    José Borges da Silva (Candidato Independente PS)

  11. BORGES DA SILVA REPETE A CENA
    Do varandim da Câmara Municipal, berra com um jornalista, por este de uma forma imparcial e isenta tratar de assuntos de relevante interesse para o concelho de Nelas.
    É de todo recomendável que os seus conselheiros políticos lhe transmitam que o senhor é Presidente da Autarquia e com tal deve ter boas maneiras de educação e respeito pelos outros.
    Aquela casa não é dele, pese embora nós saibamos que ele pense que sim. Ele será apenas um inquilino temporário!!!!

    • Será verdadade,que esses tipos de comportamento ainda se mantêm?!
      A ser assim, bom seria que recebesse lições de educação, respeito e espirito democrático, coisa que certamente não aprendeu na Academia.
      Não sei de facto quem são os seus conselheiros, mas se lhe permitem esse tipo de comportamente, não o chamando à razão, certamente terão a mesma formação cívica.Quero crer que não…
      O nosso Edil deve perceber que com comportamentes desses só dá tiros no pé, pois faz com que passem também a faltar-lhe ao respeito.
      Todos os que ocupam aquela casa, quer sejam da oposição ou da situação, devem ter bem presente que estão lá porque por nós foram eleitos.
      Devem-nos respeito, consideração e têm a obrigação de dignificar os lugares que ocupam.

    • APELO PÚBLICO
      Todos nós já demos conta que o Senhor Presidente de Câmara não anda nada bem, obviamente que não sabemos as causas.
      Enquanto não descobrirmos a génese ou motivação de tal mal estar, devemos todos manter-nos em silêncio para que o não perturbamos mais.
      Os seus amigos, os seus correligionários e as empresas da GUARDA agradecem.
      Por favor cumpra este APELO

  12. POLUIÇÃO DA RIBEIRA DA PANTANHA
    Desde há muito, se tem falado na poluição desta prestigiada unidade industrial, que segundo o Presidente de Câmara, de seu nome Borges da Silva, é o maior empregador do concelho.
    Não se sabe muito bem, porque se põe este presidente em "bicos de pés" quando fala na Borgstena, atendendo que, não é do conhecimento público qualquer feiro seu, quer de índole pessoal quer de índole autárquico.
    A AZU, na pessoa do senhor ambientalista António Cândido Minhoto, sempre se manifestou contra a poluição da Ribeira da Pantanha, ribeira que atravessa a povoação e termas das Caldas da Felgueira, convenhamos que a sua luta ultimamente diminui substancialmente a sua intensidade!
    Também se compreende! o poder autárquico instalado é outro e as eleições para esse poder autárquico ainda são longínquas, no ano de 2017.
    Afinal o que se tem passado com este foco poluidor?
    No executivo liderado por Isaura Pedro, enquanto se não conseguiu solucionar o problema de uma forma tripartida: CMN, Borgstena e EDM, construíram um coletor com mais de um quilómetro, em que os efluentes passavam por uns poços absorventes.
    Nessa mesma data a AZU e o atual presidente de Camara, ainda candidato a candidato do Partido Socialista, crucificaram os políticos de então.
    Com a vitória nas eleições e por outros interesses que não vale a pena aqui trazer à liça, vai daí, Borges da Silva, sem qualquer estudo prévio ou autorização ambiental, liga os efluentes da fábrica à 2.ª ETAR de Nelas, gastando mais de 40.000 contos do erário público, sem qualquer efeito pratico e proibido pela legislação ambiental.
    Em alternativa, voltar tudo à estaca zero, continuar a solução do anterior executivo, e os efluentes da Borgstena, voltam à RIBEIRA DA PANTANHA, de uma forma direta e sem qualquer decantação da matéria orgânica nos Poços absorventes.
    Foi este o excelente e meritório trabalho de Borges da Silva na despoluição da Ribeira da Pantanha, ex libris da Povoação das Caldas da Felgueira.
    Um Munícipe atento

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