RAFAEL MOREIRA na primeira pessoa : o drama e a luz ao fundo do túnel …

ENTREVISTA com  Rafael Moreira, de Folhadal, que mantém uma intensa luta contra  as limitações provocadas por um traumatismo craniano
Rafael, recuando no tempo, até 26 de maio de 2012, o que nos podes relatar daquele que foi o dia mais trágico na tua vida? 
A agressão ocorreu na madrugada de 25 para 26  de maio. Foi um dia normal, como todos os outros. Na altura, como estávamos muito perto do término das aulas, estava a preparar-me e estive o dia (25) a estudar para tirar uma nota alta no exame de Matemática, para poder entrar na Universidade onde queria. Terminado o estudo fui com um amigo para S. Romão, pois havia combinado um jantar na quinta dessa mesma pessoa. Mais tarde decidimos sair para um bar (Porta 8), e foi aí que tudo aconteceu…
Lembro-me de haver um conflito, à qual era alheio, e momentos depois estava com um “formigueiro” na cabeça, certamente da agressão!
Conta-nos como é viver entre a vida e a morte e qual o pior momento que viveste nesta já longa caminhada…
Eu não tinha problema em contar, mas (in)felizmente só me lembro de acordar no hospital, em Viseu, e aperceber-me que estava aí por ler nos lençóis o nome da instituição. Fiquei atónito pois não percebi como na noite anterior estava em S. Romão e na manhã seguinte estava ali. A verdade é que já tinham passados meses… 
O pior momento? Foi quando um dia, como já era habitual nessa fase para não perder a consciência do tempo, a minha mãe me dizia a data e quando o fez me ter apercebido de imediato que já tinha perdido os exames e por consequência um ano escolar e de trabalho. 
Como foste atendido pelo Sistema Nacional de Saúde em Portugal? 
Não posso falar sobre esse assunto agora, pois está em segredo de justiça. Mas quando puder, se tiver oportunidade, revelarei o que se passou no SNS.
A ida a Cuba… Porquê a escolha deste destino para tratamentos quando em Portugal e na Europa existem excelentes opções? Quanto tempo estiveste lá e qual o tipo e resultado dos tratamentos a que estiveste sujeito? 
Existem?! (risos) Penso que não, pois passei por vários locais sem resultados práticos. E a verdade é que Cuba foi o único sítio de onde “saí” a caminhar com um padrão de marcha fixo.
Tencionas regressar a Cuba para continuar os tratamentos? Quando? Será possível financeiramente? Quais as despesas previstas?
Estamos (eu e a minha família) a estudar dois casos: ou regresso a Cuba ou virá até aqui o fisioterapeuta. Estamos em estudo para averiguar qual a situação mais favorável financeiramente. 
O apoio da tua família tem sido fundamental?
Sim, claro, é dos pilares mais fortes de todo este processo.
A onda de solidariedade com as respetivas ações levadas a cabo por um grupo de Nelenses têm sido determinantes para a tua recuperação? 
Sem dúvida alguma, e queria deixar aqui publicamente o meu muito obrigado a todos aqueles e aquelas que têm de alguma forma contribuído para a minha recuperação. O que posso prometer é a continuação de muito trabalho e dedicação!
Consideras que já foi feita justiça?
Não, como é do conhecimento público a justiça, e particularmente a portuguesa, é muitíssimo lenta. Mas eu acredito na justiça portuguesa e acredito, muito sinceramente, que vai haver justiça para os meus agressores.

Passaste a ver a vida de forma diferente, ou seja, dás agora maior valor às pequenas coisas da vida? Têm agora um sabor diferente?
Vejo, pois alguns dos meus planos foram estragados, e tive que “traçar novas metas”.
Desvenda-nos um pouco do teu dia a dia …
O meu dia-a-dia baseia-se principalmente na recuperação diária no ginásio. Depois tenho os meus hobbies…

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