EDM assegura que todas as casas com níveis elevados de radão na Urgeiriça irão ser descontaminadas

– Moradores desconfiam e atiram para “daqui a 300 anos a resolução total do problema”
A Medição da radioatividade não deixa margem para dúvidas – na Urgeiriça ainda subsistem muitas habitações com níveis de radão considerados  perigosos para a saúde, designadamente para a eclosão de doenças cancerígenas. Os resultados apontam para cerca de 50 famílias a viver nesta situação,o que se pode considerar preocupante, com o gás resultante da extração de urânio a ficar na atmosfera e nas terras.
Alguns moradores, que compraram as casas à ENU (entretanto extinta), relataram à reportagem da RTP (Sexta às 9) que “estamos a inalar um gás que não devíamos, inclusive as nossas crianças”. Os jornalistas Luís Miguel Loureiro e Sandra Felgueiras andaram pela Urgeiriça e verificaram que muitos habitantes medem com regularidade os níveis de radioatividade nas suas casas, com pequenos aparelhos que possuem. “Podem perguntar porque continuo aqui a viver – a resposta é simples : não tenho outra casa. A opção seria montar uma tenda noutro local”, referiu Francisco Pereira. “Comemos batatas, feijão e grão que são plantados em terrenos onde existia exploração de urânio”, conta outra moradora.
Clara Alexandre, ambientalista da AZU (Associação Ambiente para as Zonas Uraníferas), mostrou-se indignada pelo sucessivo adiamento dos prazos de conclusão dos trabalhos de requalificação ambiental : “em 2004 disseram-nos que em 2013 as situações estariam todas resolvidas – estamos em 2015 e agora atiram para 2020, numa clara negligência por parte do estado”. 
A EDM defende entretanto que “os níveis de radão estão dentro dos parâmetros considerados seguros, sendo até já inferiores a outras zonas da região centro”. Isto no que diz respeito às antigas áreas de exploração da ENU, onde a EDM tem selado e requalificado ambientalmente esses espaços, utilizando fundos da União Europeia disponíveis para o efeito. Já no que concerne às moradias, a responsabilidade é mais “moral” por parte do estado Português, que tem vindo a atuar conforme as suas disponibilidades. Mas o problema, que foi detetado há seis anos, ainda subsiste, pois o estado só realizou obras numa casa. As casas, de acordo com um geólogo ouvido pela reportagem da RTP, são de construção débil, com fissuras e usando materiais das minas, o que “facilita que os níveis de radioatividade estejam acima da média e sejam considerados perigosos para a saúde”. 
O Presidente do Conselho de Administração da EDM garante que “iremos resolver a situação em todas as casas”. A questão é que “não há uma calendarização para isso”, critica Francisco Pereira, que estima em “300 anos o prazo para descontaminarem todas as casas”, pois a demora para descontaminar uma “foi de seis anos”.

1 comentário a "EDM assegura que todas as casas com níveis elevados de radão na Urgeiriça irão ser descontaminadas"

  1. EDM ???!!! empresa de credibilidade ZERO ou pouco mais que zero, administradores que não sairam de Lisboa a mandarem palpites sem conhecer a realidade, há muito a descontaminar e o administrador Ricardo Amaral Pinto ignora que há estradas em zonas habitacionais ,cujo aterro foi exclusivamente feito com o material das escombreiras dos poços de exploração;
    não sabe sr administrador? esconderam-lhes os relatórios? vai ter que fazer um novo cronograma e isso, garante-lhe ocupação para mais 1 ano.

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