Bloco de Esquerda exige o fim da “Lei da Selva” na PSA Mangualde

O anunciado despedimento de cerca de 80 trabalhadores na PSA Peugeot Citroen de Mangualde só tem como objectivo a desvalorização social do trabalho, como denunciou já em 2 de Junho de 2014, o grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda num requerimento enviado ao Ministério da Economia a propósito do despedimento de 280 trabalhadores. 
Este é mais um episódio de uma verdadeira novela da precariedade,
em que os trabalhadores são tratados com o maior desprezo. Em 2009 a PSA
Peugeot Citroen de Mangualde despediu 400 trabalhadores, em 2011 contratou 60
trabalhadores; em 2012 despediu mais 450 trabalhadores e no ano passado, em
Abril, contratou 300 trabalhadores, para mais tarde voltar a despedir 280.
Os trabalhadores já não acreditam nas promessas da administração de que 
os que agora irão ser despedidos “serão privilegiados em eventuais contratações futuras”. Ora, estas promessas servem para escamotear a redução salarial que é imposta sempre que acontece uma reintegração. Percebe-se, pois, que a empresa não respeita as obrigações sociais com os trabalhadores e utiliza os despedimentos como pressão para a redução salarial. Para a PSA Peugeot Citroen de Mangualde os trabalhadores são vistos como descartáveis.
Esta situação é inaceitável e não pode continuar, até porque a empresa teve
vários apoios públicos para a sua atividade. A PSA Peugeot Citroen de Mangualde
recebeu do Estado benefícios e isenções fiscais e apoios de 8,6 milhões de euros em
2007 e 21 milhões de euros em 2010 para a criação de postos de trabalho e a
manutenção da laboração. Por outro lado, também a Câmara Municipal de
Mangualde cedeu terrenos pertencentes à Estrada Nacional 16 para a ampliação das
instalações da fábrica da PSA.
A própria administração da fábrica de Mangualde reconhece que o terceiro turno
criado em Abril de 2013, agora suprimido, ”permitiu um acréscimo de exportações
superior a 200 milhões de euros, dos quais apenas 4 milhões de euros foram para
salários e 2 milhões de euros para impostos e contribuições sociais”. Isto acontece
porque no sector automóvel os salários representam apenas, em média, 5% dos
custos de produção.
Assim, fica claro que as justificações apresentadas pela empresa para o
despedimento (quebra nas exportações) não são as verdadeiras motivações para
esta decisão. O que a empresa pretende é, mais uma vez, utilizar o despedimento
para reduzir salários e o valor do trabalho. É a lei da selva laboral que a empresa
está a aplicar.
Viseu, 12 de Janeiro de 2015
A COMISSÃO DISTRITAL DE VISEU DO BLOCO DE ESQUERDA

3 comentários a "Bloco de Esquerda exige o fim da “Lei da Selva” na PSA Mangualde"

  1. A Comissão de Trabalhadores PSA deve seguir o exemplo da sua congénere da Auto-Europa, que por sinal é bloquista e não a fantasia da Comissão Distrital do Bloco de Esquerda, para não vir a sofrer o que aconteceu na GM da Azambuja,pela radicalização da Comissão de Trabalhadores que era afecta ao PCP.

  2. O Bloco de Esquerda deve aprovar uma lei na AR para garantir que a Citroen vende sempre os carros todos que pode produzir a plena capacidade….ou aprender que a precaridade faz parte da vida.

    • Verdadeira precaridade existe na Borgestena, onde grande parte dos trabalhadores tem contratos de quinze dias com empresas de trabalho temporario.
      Ai é que o Bloco devia ir.

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