LUSOVINI volta a inovar e harmoniza a gastronomia da Lusofonia com os seus vinhos …

A produtora e distribuidora LusoVini vai lançar uma brochura para mostrar que há um vinho português certo para cada prato criado por Vítor Sobral cruzando sabores de Portugal, Brasil e África.
O chef Vítor Sobral fez as receitas, Luís Lopes, director da Revista de Vinhos, seleccionou os vinhos — e assim a moamba de garoupa com quiabos e farinha de musseque aparece casada com o vinho verde branco Mito, de Anselmo Mendes, ou o Foral de Montemor, um branco alentejano da Herdade do Menir; o camarão com caril, manga e malagueta verde combina com um rosé do Dão, que pode ser o Pedra Cancela Selecção do Enólogo, ou o Casul, da Quinta da Alorna; e o ensopado de borrego, mandioca, cominhos e hortelã da ribeira pede um tinto, e a escolha pode ser entre dois alentejanos, o Évoramonte ou o Monte Damião.
A ideia de fazer uma brochura – intitulada O Vinho à Mesa, Sabores da Lusofonia, que será apresentada a 7 de Janeiro no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa – com receitas de alguns dos países lusófonos em harmonização com vinhos portugueses partiu da empresa LusoVini, produtora e distribuidora de vinhos que tem apostado forte nesta relação com Angola, Moçambique e o Brasil.
Quando conversamos com Casimiro Gomes, fundador da LusoVini, ele está precisamente no Brasil, e é daí que nos explica o caminho que decidiram seguir. “O normal seria basear a estratégia na produção. Mas percebemos que por muito bons que fossem os nossos vinhos, se não tivéssemos um mercado não iríamos ter sucesso”. Foram, por isso, à conquista desse mercado.
“Tenho 52 anos, 30 dos quais de actividade nesta área, mas os mercados mudam, e felizmente tivemos o bom senso, quando lançámos o projecto da LusoVini, de voltarmos a analisar cada um deles”, conta. A ideia não era apenas a exportação, o objectivo foi sempre a internacionalização para alguns países – hoje, cinco anos depois, a empresa está instalada em Angola (LusoVini Angola, em Luanda), Moçambique (Mozamvini, em Maputo) e Brasil (Brasvini, São Paulo).
E a primeira constatação quando chegaram ao terreno foi que muitos em Portugal ainda não tinham percebido como tudo estava a mudar. “Uma das coisas que notámos quando aqui chegámos foi que Portugal estava a mandar para cá os restos. Nas prateleiras encontrávamos vinhos brancos de colheitas muito atrasadas, e, apesar de a preferência dos angolanos ser pelos vinhos portugueses, estavam a consumir muitos vinhos brancos sul-africanos”, conta Casimiro.
“Em Angola, até há seis anos atrás bastava ter produto em stock — o cliente colocava o dinheiro na conta e perguntava quando podia levantar. Hoje não é nada assim. Percebemos que o mercado ia ter oferta em excesso e que a distribuição ia evoluir de forma muito rápida, pelo que tínhamos que olhar para o mercado de Angola como se estivéssemos a olhar para o de Nova Iorque, coisa que era difícil de explicar a equipas que estavam habituadas a um cliente que pedia por favor para comprar. Hoje isso não existe”. Por isso, em Luanda já têm até loja para provas e organizam jantares vínicos.
Moçambique é um mercado mais pequeno, com outras particularidades. “O peso da população muçulmana é muito grande, há lojas que não têm uma única bebida alcoólica, e precisamos de canalizar os diferentes produtos para os diferentes nichos”, explica o responsável da LusoVini. E há ainda o Brasil, onde também houve uma evolução muito grande e “quem consome vinho representa hoje um mercado de primeiro mundo, muito esclarecido”. Neste caso, por exemplo, foi preciso ultrapassar preconceitos instalados. “Nas décadas de 70 e 80 mandámos para o Brasil vinhos muito maus, de tal forma que ainda hoje há pessoas que se negam sequer a prová-los”.
Público – Fugas

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