“Nas vastas valências do Parque Ecológico iremos também promover provas de Vinho do Dão ao pôr-do-sol”

José Miguel Silva com Catarina Barreiros


   Numa manhã solarenga de outono tivemos o privilégio de conhecer a magnífica e bem cuidada aldeia da Lapa do Lobo, acompanhados por Carlos Cunha Torres.
   O grande obreiro da recuperação arquitectónica ali efectuada, guiou-nos por ruas e espaços que nos demonstram que aqui não existe desertificação, antes pelo contrário.      Em curso está um processo de recuperação, sendo já escasso o património abandonado e registando-se cada vez mais jovens com vontade de se fixarem na Lapa. A Lapa do Lobo é agora muito mais do que uma aldeia. É um pólo de cultura e saber.
Foi então de forma itinerante que entrevistámos o líder da Fundação e forte investidor privado na localidade, por ocasião do 4º aniversário da inauguração do edifício sede da instituição, que agora está a ser objeto de uma intervenção de alargamento.
   
Tem afirmado que tudo o que aqui faz é pelo “gozo” que lhe dá. Nesse sentido sente-se um homem plenamente realizado?
Sinto-me, de facto, realizado porque está precisamente a acontecer o que disse. Hoje a Lapa já se impos na região como um centro onde se passam muitas coisas interessantes ao nível da cultura,do saber, da pedagogia. Há quatro ou cinco anos atrás nunca pensei que atingisse esta dimensão. Ou seja, é um facto, que hoje a Lapa do Lobo está no mapa da região por bons motivos.
A instituição mantém uma linha mestra desde o início: conceder apoio a estudantes da terra que queiram manter os seus estudos a nível superior. Podemos dizer que esta é uma forma de “investir” e dotar de saber os filhos da terra sendo também uma forma de combater a desertificação?
Sem dúvida e são estas apostas que também ajudam a fixar a população. E esta é a prova de que na província também existem propostas interessantes, nomeadamente em termos de oferta formativa e apoio aos estudos.
Este é um projeto de cariz familiar, da família Batalha Torres, e de amor à terra. Qual foi o momento em que sentiu um impulso para passar a investir também de forma privada, para além do projeto da FLL ?
A Fundação era um sonho antigo que tornámos realidade muito graças ao trabalho e empenho de uma excelente equipa de colaboradores e assim tem evoluído naturalmente. O projeto das “Casas do Lupo” nunca esteve na minha mente, foi um pouco por acaso. Vi no Terreiro dos Antunes duas casas de aldeia abandonadas e decidi investir nelas e recuperá-las para turismo. Começou assim a ideia de ali instalar uma unidade de turismo de aldeia, um projecto simples que acabou por ter uma dimensão maior do que estava inicialmente previsto. Nestes primeiros meses o projecto tem superado as expectativas e temos registado fins-de-semana de ocupação plena. Os clientes que por aqui passam têm considerado a unidade fantástica e essa é a melhor publicidade que podemos ter.
Certamente que o Parque Ecológico que está previsto inaugurar muito em breve, será um importante complemento das “Casas do Lupo” …
Exatamente. Este Parque está enquadrado num ambiente paisagístico fantástico. Acho mesmo que a maioria das pessoas da Beira Alta não conhecem as potencialidades deste Vale do Mondego que considero natureza ainda no estado puro. Este Parque Ecológico tem 60 hectares, é atravessado por um ribeiro, tem um carvalhal exuberante, um moinho de 1840 totalmente recuperado e a funcionar em pleno. Temos também diversos passadiços de madeira, dois miradouros (um suspendo e outro que chamamos das 4 serras, porque dele se conseguem visualizar as quatro serras que nos circundam), um observatório de aves e fauna, uma lagoa, que já serviu para abastecimento de helicópteros para combate a incêndios e ainda temos uma represa. Faltando somente a instalação da sinalética para inaugurar o Parque, iremos também promover aqui provas de Vinho do Dão ao pôr-do-sol. O local escolhido foi o miradouro das 4 serras que terá, ainda, um pequeno anfiteatro em madeira que vai permitir realizar ações de pedagogia, de contacto com a natureza e defesa do ambiente, sobretudo para as escolas.
Para quando prevê inaugurar a ampliação do edifício sede?
Espero ter a obra pronta em 5 de Junho de 2015, a tempo da comemoração dos meus 60 anos. Esta ampliação vai ser de extrema importância para a Fundação, pois teremos uma ampla área administrativa e espaço para arquivo, para além de um grande aumento na área exterior o que nos vai possibilitar fazer mais eventos, pois teremos um amplo espaço coberto e um pequeno palco.
Um dos factores críticos, não só da Lapa, mas de todo o concelho é a resolução do grave problema ambiental. Julga que também na Lapa vai ser construída uma ETAR, para resolver o problema da fossa, situada bem próximo do Parque Ecológico?
Tenho a garantia do Sr. Presidente da Câmara de que em 2015 teremos o problema resolvido. Aliás outra coisa não será de esperar, pois esta é a grande bandeira do atual executivo.
Projetos futuros. O que se pode esperar da Fundação Lapa do Lobo?
Acho que agora é tempo de descansar um pouco. Este crescimento tem acontecido naturalmente, sem que obedeça a um plano estratégico delineado. Neste momento, se me pergunta se estou a pensar em mais algum projeto, digo-lhe que não. Daqui a um ano tudo pode ser diferente …
Como tem sido a sua relação com o novo executivo camarário?
Tem sido muito positiva. Este novo executivo tem uma postura mais aberta. Isso é por demais evidente.

Tem referido que é um homem ocupado mas não stressado. Presumo que a Fundação lhe exiga algum tempo e dedicação… e a família? Como se consegue conciliar tudo?
Não tenho problema em assumir que sei gerir muito bem o meu tempo. Sou, de facto, muito ocupado porque gosto de estar ocupado, mas também sei rodear-me de boas equipas para que tudo funcione em pleno. Cada vez mais intervenho em termos de supervisão e gestão, até porque as instituições têm que funcionar por si. Reconheço que um dos segredos para o sucesso é ter equipas motivadas e que vistam a camisola dos projetos que abraçam.
“É um disparate fazer em Viseu outra Feira do Vinho”
Instado a comentar as recentes afirmações dos autarcas do distrito relativamente à ferrovia e ao setor vitivinícola, que demonstram uma clara tendência centralista, Carlos Torres considera tudo isso um verdadeiro “disparate”. “Por exemplo, quando ouvi dizer que o “welcome center” da Rota dos Vinhos do Dão – que nunca mais se inicia – será instalado em Viseu, achei isso é um disparate, pois para mim teria que ser construído no meio de vinhas e não na cidade”, critica, admitindo que “isto é de facto o que tem de pior a política Portuguesa, são os caciquismos que não fazem sentido”. “Não há nenhuma razão para se apostar numa Feira do Vinho em Viseu quando temos uma em Nelas com 23 anos de existência, que já criou raízes. Menos sentido faz duplicar eventos. Na minha perspectiva, a Comissão Vitivinícola Regional do dão (CVRD) deveria intervir e afirmar que já existe uma Feira do Vinho que há que melhorar e dinamizar mais ainda, ainda para mais estando essa feira inserida na sub-região que tem maior área de vinha”, defende.
Fechar uma escola é sempre negativo
Relativamente ao fecho da escola da Lapa, Carlos Torres considera este encerramento “muito mau”, à semelhança de outros serviços públicos que possam vir a fechar portas. “São empregos que se perdem, são pessoas que se vão embora e não é assim que vamos evitar a desertificação do país”., salienta.  Neste caso, ainda para mais, “quando as crianças foram para uma escola com piores condições”. 
Sobre um eventual projeto escolar para o edifício de que tanto se tem falado, o Presidente da Fundação descarta a ideia de ser o promotor, mas admite que poderá vir a ser apenas parceiro. “Seria excelente termos aqui uma escola profissional mas essa decisão cabe ao governo e sinceramente não acredito muito nela”, adianta-nos rejeitando liminarmente que possa vir a adquirir o edifício. O empresário considera ainda sobre o encerramento da escola, que os autarcas de Nelas “fizeram tudo o que estava ao seu alcance para o evitar”.
Resposta rápida :

Família: A Base da organização social
Lapa do Lobo: A minha terra
Beira Alta: Uma região lindíssima, ainda mal aproveitada
Turismo: Um fator de desenvolvimento deste país
Natureza: Temos que cuidar dela, pois em Portugal ainda temos paisagens genuínas
Futebol Clube do Porto: A grande equipa nacional e vamos ganhar o campeonato

2 comentários a "“Nas vastas valências do Parque Ecológico iremos também promover provas de Vinho do Dão ao pôr-do-sol”"

  1. Estava a entrevista a correr tão bem quanto…….aparece o Porto

  2. E o que será da Quinta da Cerca…
    Adquirida no tempo do PS…
    Com um contrato danoso para o Município com alguém a gerir o espaço e tudo pago pela CMN…

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