Bloco de Esquerda faz o “retrato negro” da educação no país e no distrito

Comunicado da Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de
Esquerda


No distrito de Viseu, como no resto do país, as consequências do desrespeito
pela comunidade escolar, da desorganização e do desperdício, desmentem
cabalmente a afirmação do ministério da Educação de que o ano letivo
arrancou com normalidade e convocam o país a apresentar um cartão
vermelho a Nuno Crato e ao governo.

O ministro da Educação revelou um total desrespeito pelos alunos,
encarregados de educação e autarcas, anunciando em plenas férias letivas o
encerramento de escolas e a municipalização da educação sem negociação
prévia com os parceiros educativos.

Nos finais de junho foi divulgada a decisão de encerrar cerca de 311 escolas do
1o ciclo com consequências particularmente gravosas na Região Centro. Só no
distrito de Viseu estava previsto o fecho de 58 escolas.

Foi graças às movimentações populares e à oposição de autarcas que muitas
escolas não fecharam as portas. Foi o caso do concelho de Nelas onde das
quatro escolas visadas pelo ministério, duas, as da Aguieira e Vale de Madeiros
não foram encerradas. A população de Lapa do Lobo, localidade onde o
ministério não recuou na decisão de encerramento, tem afirmado de forma
inequívoca o repúdio por esta decisão, mantendo-se firme na sua luta.

O Bloco de Esquerda- Viseu apoiou, desde a primeira hora, as movimentações
populares em defesa das suas escolas públicas, emitindo um comunicado e
marcando presença nas manifestações. No Parlamento, questionou o
Ministério da Educação, não tendo obtido, até ao momento, qualquer resposta.

Ainda nas férias são dados os primeiros passos de um obscuro processo de
municipalização da Educação à margem dos autarcas e das escolas que
mereceram um comunicado de repúdio da Comissão Coordenadora Distrital de
Viseu do Bloco de Esquerda.

O processo de colocação de professores foi marcado por grosseiros erros e
falta de transparência e centenas de Crianças com Necessidades Educativas
Especiais estão privadas do direito aos necessários apoios.

Por seu turno a desorganização provocada nas escolas pela tardia divulgação
dos horários e pela ausência de recursos humanos e físicos em muitas escolas
impediu muitos milhares de alunos de iniciar as aulas no calendário previsto,
afetando, profundamente, a vida pessoal e profissional dos encarregados de
educação.

Assistimos ao desperdício de fundos públicos decorrente das trapalhadas na
empresa pública Parque Escolar. Em inúmeras escolas, milhares de alunos
continuam a ter aulas em contentores, situação que se mantém desde 2011 e
que, para além das consequências no plano pedagógico, comporta custos
elevados para o Estado.

É este o retrato negro da Educação. No distrito de Viseu, como no resto do
país, as consequências do desrespeito pela comunidade escolar, da
desorganização e do desperdício, desmentem cabalmente a afirmação do
ministério da Educação de que o ano letivo arrancou com normalidade e
convocam o país a apresentar um cartão vermelho a Nuno Crato e ao governo

A Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda
Viseu, 19 de setembro de 2014 

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