Autênticas “pérolas” do Dão vão ser degustadas e avaliadas no Centro de Estudos Vitivinícolas

   No âmbito da 23a Feira de Vinhos do Dão, o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão (CEVD),
situado na Quinta da Cale, em Nelas, vai receber no dia 6 de Setembro, às 10h30, um grupo de
escanções, jornalistas e críticos de vinho, que vão poder provar vinhos velhos brancos e tintos,
entre as décadas 60 a 90.
  “A ideia é alertar junto de quem sabe e trabalha neste sector sobre a potencialidade dos vinhos
da região do Dão”, afirmou José Paulo da Silva Dias, Director Regional-Adjunto de Agricultura e
Pescas do Centro.
   Rodeado por campo de cultivo de vinha e de outros pequenos edifícios de apoio, o CEVD guarda
verdadeiros tesouros, vinhos do Dão velhos e raros, brancos e tintos, que revelam que os vinhos
portugueses, tal como os franceses, por exemplo, também se conseguem aguentar durante
décadas.
“Já ninguém tem dúvidas do grande potencial de envelhecimento dos vinhos do Dão.
Antigamente, só os próprios produtores do Dão se apercebiam desse facto, tanto ao nível dos
tintos, como dos brancos. 
     Na altura os brancos não estavam na moda, mas a verdade é que têm
tanto potencial como os tintos, os vinhos que vamos apresentar são prova disso. O mais velho
que vamos provar é de 1964, e é branco”, afirmou Jorge Brites, o técnico do CEVD, que vai
conduzir a prova. E remata: “quando jovens, os vinhos do Dão são muito frutados, frescos e
minerais. A sua acidez torna-os muito gastronómicos e também lhes dá o dito potencial de
envelhecimento de que falava. Ao longo dos anos vão ganhando aromas terciários, um bouquet
único. Provar estes vinhos envelhecidos é uma experiência sensorial muito interessante”.

SOBRE A HISTÓRIA DO CEVD


Criado em 1946, as funções do Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão (CEVD), em Nelas, sempre se
centraram na experimentação vitivinícola ao nível de sistema de condução de vinha, selecção massal e clonal
da videira, nutrição e fertilização da vinha, identificação, caracterização e conservação de castas regionais,
produção integrada da vinha, definição de possíveis encepamentos, estudo das diferentes tecnologias de
fabrico dos vinhos do Dão, apoio aos vitivinicultores, formação profissional para agricultores e técnicos,
distribuição de material vegetativo, e apoio no condicionamento da cultura da vinha.

Se por um lado Monteiro do Amaral (Director da Estação Agrária de Viseu, considerado na sua época um dos
melhores agrónomos portugueses) e Luís Quartin Graça (Chefe de Repartição dos Serviços Vitivinícolas da
Direcção Geral dos Serviços Agrícolas), foram os responsáveis pelo surgimento do CEVD em 1946, por outro
lado, o mesmo está ligado ao nome de Alberto Vilhena, um jovem agrónomo que veio a ocupar a direcção
do posto de Nelas, tendo ali desenvolvido um trabalho brilhante. Em pouco mais de uma dezena de hectares
mandou instalar na Quinta da Cale uma completa colecção das castas regionais, chegando mesmo a salvar
algumas em vias de extinção e menos divulgadas. Também os porta-enxertos mereceram-he atenção,
criando uma colecção bem representativa dos que melhor adaptação revelavam para a região; e até a uva de
mesa teve honras com as melhores castas que hoje constituem um património valioso.

Mas o destacado papel de Vilhena tornou-se ainda mais evidente na criação de um tipo de vinho do Dão de
qualidade inigualável. Desde cedo ficaram famosos os vinhos do CEVN e, de tal forma procurados, que houve
que rateá-los na sua venda, tal era a procura. Após o seu falecimento, a sua acção foi depois continuada
pelos técnicos Jorge Brites e Vanda Pedroso, que ainda hoje zelam pelo bom nome desta casa volvidos,
quase 70 anos da sua inauguração. 

8 comentários a "Autênticas “pérolas” do Dão vão ser degustadas e avaliadas no Centro de Estudos Vitivinícolas"

  1. Era oportuno que fosse dito que o Ministro Jaime Silva, do PS, transferiu tudo para a Mealhada, para encerrar estas instalações e foi esta ministra Assunção Cristas que não deixou.
    Inclusive o laboratório deixou de funcionar.

    • Por essa razão é que ainda mais se justificava a presença da ministra. è o segundo ano consecutivo que falta. Não lhe fica bem.
      Sobre o CEVD, devia apoiar mais os produtores do concelho, aconselhando-os, promovendo jornadas de atualização de conhecimentos e abrir-se mais à comunidade em geral. Há gente a fazer lá investigação e pouco se sabe. A sua relevância, que é muita, para o vinho do Dão e para o concelho, ainda não foi devidamente valorizada.

  2. O Estado Português abandonou a "Quinta da Cal".
    Pior do que isso PORTUGAL é uma "QUINTA" dos alemães, cujos "maus feitores" deveriam ir todos para o
    TARRAFAL.

    • Caro anónimo das 14:43,
      Pensei que já não havia em Portugal democratas como senhor!
      Como é que senhor pode destilar tanto veneno e nem sabe o nome correcto da quinta?

  3. Antes do jovem Eng. Alberto Vilhena ter iniciado a sua carreira na Quinta da Cale,esta foi gerida pelo Eng Navega que exerceu essa função dois ou três anos .O Eng. Vilhena nunca foi um nelense, trabalhava simplesmente em Nelas e tinha a sua residência em Figueira de Castelo Rodrigo.

  4. Penso que foi no ano de 1952 que a Quinta da Cale foi visitada pelo então Presidente do Conselho, Professor
    Salazar que no mesmo dia visitou uma fábrica de papel, que havia e julgo que ainda há, na estrada Mangualde Viseu.
    O Professor estava de férias em Santa Comba e aproveitou para fazer uma das suas visitas surpresa a estas duas unidades. Foi por estas visitas de surpresa que ele ficou conhecido pelo "Esteves".

  5. Vêm para aqui endeusar Salazar?
    Chegaram 48 anos de fascismo.

  6. A História não se limpa! O seus amigos social-fascistas é que o fazem.

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