Um século de exploração de urânio na Urgeiriça

 Foi com grande dignidade e um
misto de emoção, saudade e alguma revolta pela manutenção de problemas por
resolver que se comemorou o centenário da exploração de urânio em Portugal. Uma
organização da CMN, EDM, ATMU, AZU e a colaboração da Casa de Pessoal das Minas
da Urgeiriça. Em pleno salão de visitas na casa de pessoal onde esteve patente
uma exposição de fotografias e utensílios usados durante este século pelos
mineiros, João Marques deu as boas vindas aos presentes entre eles os dois
mineiros mais antigos de que se saiba, os senhores Augusto Matos que iniciou a
laboração em 1948 e Alfredo Magalhães em 1956, referindo que “a casa de pessoal como símbolo dos
mineiros não podia ficar alheia a este aniversário”
. De seguida o Eng.º.
Rui Pinto salientou que “tudo o que
acontecer no futuro será para valorizar esta região e o objectivo é no próximo
ano acabar a intervenção aqui na Urgeiriça”. 
Depois desta breve apresentação
feita neste local mítico, passámos a outro não menos importante, os antigos
laboratórios da ENU onde decorreu um seminário/debate com dois painéis em cima
da mesa, o primeiro sobre história e economia e o segundo sobre saúde e
bem-estar. Tendo como moderador o Dr. José Manuel Matos Dias, O presidente da
CMN abriu este seminário referindo que “queremos
ser parceiros na sustentabilidade e na fonte de conhecimento que aqui esteja
presenteado”
e que “o ambiente é uma
prioridade absoluta bem como o emprego, há aqui muito conhecimento que
justificaria um polo universitário”.
De seguida o presidente da EDM,
Eng.º Carlos Caxaria salientou que “a
ideia destas comemorações não foi da EDM nem da CMN, partiu de dentro por isso
há que felicitar esse aspecto”
. Numa apresentação gráfica em sistema Power
Point foi feita a descrição do que foi feito até ao momento na requalificação
da zona referindo “vamos buscar o
arquivo histórico para a criação do tal museu para lá serem colocadas as
memórias desta região
” e contou um episódio pessoal que “numa reunião no Brasil, os Canadianos não
acreditaram na nossa recuperação ambiental a nível nacional pois eles ainda não
chegaram lá”.
Carlos Caxaria terminou referindo que “depois de isto terminado, descontaminado e com o museu que a Urgeiriça
fica com um potencial turístico a nível nacional, internacional e de escola.”
De seguida, o Dr. Matos Dias
usando o mesmo sistema fez a apresentação histórica destes 100 anos de
exploração mineira e lembrou que a maior cientista do mundo Marie Curie morreu devido,
à exposição maciça a radiações durante o seu trabalho por desconhecer os
efeitos do mesmo. Nesta apresentação foi também referida as lutas mineiras
originadas pelo encerramento da empresa e os diversos carregamentos de urânio.
Findo o primeiro painel coube ao
Dr. José Lapa da ATMU abrir o segundo onde abordou as questões do “O direito a
ter direito” e a diferença entre questões técnicas e as questões politicas. Deu
a conhecer uma breve história da ATMU criada em 2010 que deriva da antiga
comissão de trabalhadores da empresa, falou na saúde e as causas do radão, as
medidas e atitudes a tomar no risco ambiental e os efeitos biológicos da
exposição às radiações ionizantes com os seus efeitos estocásticos e tardios. Abordada
a resolução da Assembleia da República nº 124/2013 de 2 de Agosto e, referiu “há quase um ano e não se conhece nada
sobre este estudo
” apresentando as opções dos partidos políticos PS, PCP,
Verdes e BE.
De seguida a Engª Joana Travessas
fez uma breve apresentação da AZU, formada em 2002, e os objectivos da sua
existência devido ao abandono das minas e sinalizou as situações de risco
ambiental tais como os resíduos, as escombreiras, as poeiras, os ácidos
sulfúricos nos cursos de água e todo o impacto até ao nível paisagístico. Joana
Travessas sublinhou que “por estas
razões a AZU manterá as reivindicações e acções de protesto sobre o governo e a
EDM até que as obras de recuperação estejam concluídas a nível nacional”.
Por fim o Eng.º Rui Pedro Pinto
encerrou o painel fazendo a apresentação técnica da recuperação ambiental da
área mineira dos radioactivos e a diversidade das situações, o estudo de
hierarquização e os objectivos da recuperação ambiental. Com a eliminação das
contaminações hídricas, repor os níveis de radiação externa, reduzir emissões
de radão 222 reequilibrando toda a área mineira, resumindo e, referindo” o que a EDM pretende é transformar os
tratamentos activos em tratamentos passivos”.
De salientar que foi referido
o problema do chamado “Bairro dos Engenheiros” quando na realidade o mesmo
problema de descontaminação das casas abrange toda a Urgeiriça e não só
especificamente esse bairro.
O Dr. Borges da Silva encerrou o
seminário reafirmando que “queremos ser
os interlocutores activos”
agradecendo na pessoa do Engº Caxaria tudo o que
a EDM tem feito e irá continuar a fazer e terminou dizendo: “tudo isto faz sentido para as plantas,
para os animais, para o ambiente mas acima de tudo, tudo isto faz sentido para
o homem.”

2 comentários a "Um século de exploração de urânio na Urgeiriça"

  1. esqueceram as areas por onde andaram a espalhar rejeitados de urânio, aterros, numa total irresponsabilidade, a que dão continuidade olhando para o lado de esguelha.

  2. Minimamente estranho ou não o silencio do senhor Minhoto na questão ambiental.
    Já pediu o projeto ou o estudo à Câmara Municipal das descargas da Borgstena na 2.ª ETAR de Nelas.
    Já estudou a Azu, as consequencias dessas descargas, na linha de agua e prejuizos que causa às populações da Aguieira e Carvalhal Redondo.
    Não quero acreditar que o democrata António Cândido Minhoto, se deixasse vender por um prato de lentilhas.
    Ou será a velha máxima: "os favores têm que se pagar".

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