“O turismo de nicho e não de massas é uma das saídas para a crise”

   
   Carlos Cunha Torres, À MESA connosco na Taberna do Chef, reconhece uma nova dinâmica e proximidade com os executivos camarários de Nelas e Carregal e assume ter ficado “chocado” com a ausência dos vereadores da oposição na receção ao Secretário de Estado da Inovação, em Nelas
  Como Abraham Lincoln, também Carlos Torres sente-se bem a praticar o bem. A Fundação foi um veículo que criou para fazer o bem, que como nos referiu “existe muito nos países Anglo Saxónicos, em que pessoas com capacidade financeira excedentária criam uma fundação – o que não se passa tantos nos países Latinos – ainda há pouco tempo a falar com o Bispo Dom Ilídio, isto passa-se porque a igreja sempre apostou mais caridade pessoalizada do que em formas organizadas de solidariedade”. “No meu caso e como não pretendo ter nenhum palácio, avião ou iate, e com os filhos criados e bem na vida, apostei em criar uma fundação para fazer coisas que me dão gozo”, confidencia-nos, revelando que “apesar de ter tido pressões para criar um Fundação para a área social, ou optei, e porque esse privilégio é meu, por fazê-los em áreas que me dão gozo, como a cultura, educação, pedagogia e conhecimento, voltada para os mais jovens, até porque acho que a área social é a função do estado”. Daí que “os três agrupamentos de escolas sejam os nossos grandes beneficiários – Nelas, Canas e Carregal, onde eu acho que aterrei num microcosmos, pois tenho ficado surpreendido com os três, nomeadamente com a qualidade dos professores, extremamente interessados e assim com resultados à vista, onde aparecem alunos muito bem preparadas”, refere-nos, admitindo que tem vindo a “saber de algumas críticas, de que estamos a cortar nalguns apoios a associações, isto porque elas deixaram de cuidar da sua sustentabilidade, que era só uma – Câmaras Municipais, inclusive deixaram de zelar pelo pagamento das quotas por parte dos seus associados. Comecei então a verificar que para algumas associações a FLL era a única fonte de financiamento privado e eu não quero ter essa responsabilidade – ser a razão de ser da sua sustentabilidade – eu não defendo a subsídio dependência (que já vem do tempo de Salazar), que o estado e as Câmaras têm que assegurar tudo”. 
Ainda na área educativa, grande vertente da ação da FLL, fez-nos um balanço muito positivo dos jovens que viajaram pelo mundo, no Gap Year deste ano: jovens de alta qualidade que programaram muito bem as suas viagens e tenho a certeza que delas tiraram grande partido. Este é um dos apoios que concede que “mais gozo me dá”, pois confessa-nos que “quando era estudante teria gostado muito de ter feito programas deste tipo” e refere-nos que abolsa de estudo atribuída, que maior sucesso teve, foi a da aluna que completou o mestrado na Suécia (investigação do cancro), com 20 valores, e ao que parece terá sido convidada pela Fundação Champalimaud para vir para Portugal. Sobre as restantes bolsas que vai atribuindo, salienta que “não são bolas de mérito, mas apenas atribuídas a alunos que comprovadamente tenham condições de acesso á Universidade, mas careçam de condições financeiras – analisamos isso detalhadamente e o seu sucesso tem sido grande – posso dizer-vos que o balanço é altamente positivo pois temos um ou outro caso pontual de desistência dos estudos”.
O serviço de boleias foi outra das apostas da Fundação para este ano de 2014. E mais uma vez, não poderia ser mais bem-sucedida: só na passada semana foram 106 os utentes do serviço, que agora irá ser alargado à Urgeiriça, Vale de Madeiros e Carvalhal. Carlos Torres, instado a revelar-nos como surgiu esta ideia, disse-nos “foi uma senhora de idade aqui na Lapa que me disse que poderíamos ter um carro para nos levar ao posto médico e aos médicos”. “Verifiquei que era exequível para a FLL e concretizei a ideia”, diz-nos, admitindo que “haveria outras entidades que poderiam prestar este serviço, como as Câmaras Municipais, pois o custo não é muito elevado: estamos a falar de cerca de 1 200 euros/mensais, além do leasing”.
Instado a comentar o desempenho dos novos executivos Camarários, passados cerca de 6 meses de mandato, mostra-se “muito satisfeito”, pela nova postura e trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. Reconhecendo ter tido sempre “um bom relacionamento com os anteriores executivo”, admite que “as mudanças foram muito positivas, porque em primeiro lugar são pessoas menos distantes, mais terra a terra, com diálogo mais fácil”. Enquanto degustávamos dois grandes vinhos recentes do Dão, Quinta da Fata Encruzado 2012 e Quinta do Sobral Reserva 2011, primeiro com enchidos da Beira e depois por um bacalhau à antiga, com posta grossa, sólida e no ponto ideal de sal, com alguns condimentos interessantes como salsa e vinagre, além de azeite novo e cebolas de produção própria do Chef Francisco Valença, Carlos Torres, depois de tecer rasgados elogios ao bacalhau “bem confecionado e de muito boa qualidade” foi-nos dizendo que acredita muito “no Dão e na rota que está a ser implementada (depois de um período longo de crise) e no enoturismo e no turismo, não de massas, como uma das grandes saídas para a crise em Portugal – por exemplo na nossa região temos história, cultura, vinhos, queijos e enchidos de eleição para potenciar cada vez mais”. E confirma que “Nelas e Carregal tem condições excecionais em termos de acessibilidades, por isso mesmo a Lapa, por exemplo, não é uma aldeia desertificada”.     
Sobre o futuro do país, assume-se como uma “otimista por natureza” acreditando que “isto vai mudar”, embora reconheça que, por exemplo, no capítulo da educação, o país tem vindo a investir muito e a formar alunos de alta qualidade para agora fugirem para o estrangeiro, o que é um dos fatores negativos, pois isso tem contribuído para uma pirâmide etária cada vez mais invertida”, tendo referido ironicamente que “o assunto poderá estar resolvido pois o Primeiro-ministro nomeou uma comissão para estudar o assunto”. “Este é um problema muito grave do país e terá que ser resolvido”, diz-nos, reconhecendo que “embora Portugal seja um elo franco dentro da Europa, o problema é essencialmente Europeu e terá que ser resolvido de forma integrada”, defende, para situar “na grande abertura dos mercados aos produtos de fora da Europa”, como uma dos grande fatores responsáveis pela crise: mas isto interessou à Alemanha, que continua vender os seus produtos sem problema com um euro forte, lucrando cada vez mais com isso – na China por exemplo os carros topo de gama que circulam são BMW´s, Audi´s e Mercedes. Isto só se poderá inverter quando a Alemanha deixar de vender para lá os seus produtos, em que poderá querer criar novamente barreiras alfandegárias, mas a China aí, como é muito paciente, já terá na mão as empresas estratégicas da Europa e isto eu não entendo”. 
Relativamente à economia local, considera uma “grande notícia o investimento dos Aquinos e a criação de 600 novos empregos”, o que aliado a outros investimentos “vai imprimir uma grande dinâmica à economia local”. Na sua opinião “todos devem apoiar” estas ações, daí que assuma ter ficado “chocado” com a ausência dos vereadores da oposição na receção ao Secretário de Estado e assinatura do protocolo com os Aquinos, que classifica de “provincianismo político e falta de cultura democrática, pois independentemente das tricas e divergências políticas, esta é uma excelente notícia para o concelho”. Carlos Torres acredita assim na economia local, referindo que há casos notáveis de sucesso – “visitei por exemplo a Movecho, aquando da vinda do Secretário de Estado e fiquei surpreendido com a tecnologia de ponta e sofisticação da fábrica”, pois tem todas as condições para aqui não se falar da propalada “interioridade”. A título de exemplo, refere que Nelas e Carregal têm excelente acessos viários, transporte ferroviário e se antigamente a questão se colocava, quando se demoravam 5 horas para chegar a Lisboa, hoje em dia com 2 horas e meia de viagem, não se coloca”, rejeitando assim “o discurso da vitimização”.
Terminámos o almoço, num registo mais lúdico, com o líder da FLL, adepto do Futebol Clube do Porto e de culinária, a revelar-nos que acredita que ainda não se fechou um ciclo no seu clube do coração, e que uma das coisas que mais gozo lhe dá é “cozinhar uma tarde inteira, para servir um jantar para um grupo de amigos, sendo o seu prato favorito o arroz de cabidela de galo”. 
Parque Ecológico Vale do Lobo vai ser inaugurado dentro de poucos meses
Carlos Torres levantou-nos ainda o véu sobre o Vale do Lobo, Parque Ecológico com 70 hectares, que deverá ser inaugurado dentro de alguns meses. É dotado com uma excelente área florestal (carvalhos, oliveiras, laranjeiras e pinheiros), um abrigo pré-histórico, penhascos onde estão mós (antigamente eram feitas na própria rocha) e ainda um moinho totalmente recuperado, que está a moer e vai servir para visitas e ações pedagógicas para as escolas, com vários passadiços de madeira para lá chegar. A paisagem é deslumbrante, vendo-se 3 Serras (Lousã, Açor e Estrela), que inclui ainda duas lagoas – uma delas é uma represa, onde na época de incêndios poderá ser recolhida água. O parque terá ainda um posto de observação de aves, já construído em madeira. “Pelas 6 da manhã é frequente encontrar na Quinta raposas e javalis a beber água”, deu-nos conta. “Teremos ainda dois miradouros e um anfiteatro, para uso também principalmente das escolas e ainda um centro interpretativo, incluindo o lobo ibérico”, acrescentou. O parque não estará aberto à população, mas somente para grupos, com reservas, principalmente dirigido às comunidades escolares.
Ampliação do edifício sede da FLL vai permitir o aumento do espaço para exposições e o pátio exterior irá triplicar
A obra de ampliação do edifício sede da FFL vai arrancar em Junho. Para o público terá como mais-valias a triplicação do pátio exterior, que irá ter também uma área coberta, onde “vamos realizar inclusive eventos, musicais e noutras áreas” e o aumento da área para exposições. Sobre novas ideias para o futuro “elas vão surgindo e quando as achamos boas partimos para a sua concretização”.

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies