Município assinalou o 25 De Abril com programa intenso e diversificado

O Município assinalou a efeméride
com um vasto programa comemorativo.
Pela manhã realizou-se o
tradicional Hastear da Bandeira, acompanhado de Guarda de Honra dos Bombeiros Voluntários
de Carregal do Sal e Cabanas de Viriato e da Delegação de Oliveira do Conde da
Cruz Vermelha Portuguesa e depois a Sessão Solene, no Salão Nobre dos Paços do
Concelho.
Vários momentos conferiram
dinamismo e enriquecimento à sessão cuja abertura coube ao Presidente da
Assembleia Municipal de Carregal do Sal, Carlos Jorge Morgado.
Os líderes parlamentares dos
Partidos Políticos com assento na Câmara e Assembleia Municipal, à exceção do
CDS/PP, que declinou o convite da Câmara Municipal, foram os intervenientes
seguintes.
Carlos Peixeira, do PSD, frisou a
sua alocução num discurso assente na realidade do país reconhecendo que
“enormes progressos foram conseguidos em Portugal nestes anos de democracia. No
entanto, não podemos escamotear que em algumas áreas, como a educação, a
competitividade ou a distribuição da riqueza, ficámos aquém do que seria
necessário”. Reportando-se à atual situação do País, Carlos Peixeira lembrou
que esta é a 3.ª ajuda solicitada a organizações internacionais, no período democrático
e sustentou que em abril deste ano já “há sinais inequívocos de alguma
recuperação da produção e do emprego e as taxas de juro da dívida pública estão
perto de mínimos históricos. “Ao nível local, creio que também não se justifica
o alarme difundido, há uns meses, sobre a situação financeira do Município”
lembrando que o Município de Carregal do Sal entrou há pouco num terceiro ciclo
de gestão no período democrático.”
Alertou para a confusão que
eventualmente possa ser feita entre gestão municipal e gestão empresarial, pois
seja qual for o nível da Administração, o essencial da função económica do
Estado é a redistribuição a favor dos mais desfavorecidos. A Administração
Local tem a especial responsabilidade de facilitar o acesso a serviços e equipamentos
que seriam inacessíveis a preços de mercado.
Terminou a sua intervenção
afirmando “somos nós, os eleitos, que temos essa responsabilidade e que, na
medida das competências e atribuições de cada órgão, a devemos assumir.
Acredito ser esta a herança de Abril.”
Artur Fontes, líder parlamentar
do PS na Assembleia Municipal, recordou o “fim da mais longa Ditadura da Europa
Ocidental” referindo-se às comemorações como o ato de “fazermos um apelo à
memória e homenagearmos, em forma de agradecimento, o valoroso Movimento dos
Capitães de Abril.” Depois aludiu aos factos da efeméride e reportou-se às
prisões, a Portugal como um “País de ausentes: Ausentes por que na guerra,
ausentes por que na emigração, ausentes por que no exílio e ausentes por que
nas prisões” salientando que, “em todas as famílias havia sempre um ausente!”
A Taxa de Mortalidade Infantil e
de Mortalidade Materna; a Despesa do Estado em Saúde e a Esperança de Vida”,
também não foram esquecidas para recordar que o 25 de Abril foi apenas um ponto
de partida. “Trouxe-nos a Democracia, a Liberdade, o Pluralismo Político, entre
outras conquistas” em que salientou a independência das colónias.
Por fim reforçou a ideia de que a
democracia deve ser “um exercício quotidiano que nos provoque uma alteração de
mentalidades, uma vigilância crítica saudável sobre quem elegemos, para que
possamos agir conscientemente no nosso concelho e neste Portugal em crise, mas
virados para o futuro com um espírito da mudança! Só assim, conseguiremos
construir um País e um concelho, enquanto espaços privilegiados de cidadania,
com um futuro melhor para as próximas gerações, para os nossos filhos e netos,
num País que se quer livre de ditaduras mas com uma democracia em sintonia com
o progresso económico e social, através do empenho, trabalho e competência. Só
assim valerá a pena sermos livres!”
Antes de ser dada a palavra ao
orador convidado, Inês Pereira, aluna do 10.º ano, acompanhada à viola por
Sofia Marques, aluna do 7.º ano, ambas do Agrupamento de Escolas de Carregal do
Sal, declamou o poema “Abril de Sim, Abril de Não”, de Manuel Alegre. Seguiu-se
a exibição de filmes com declamação de cinco poemas alusivos ao 25 de Abril (Eu
sou português aqui; Liberdade; Abril de Abril; Cantata da paz; As portas que
Abril abriu), também por alunos do Agrupamento de Escolas, momento aplaudido de
pé por todos os presentes.
Ponto alto na Sessão Solene dos
40 anos da revolução os Cravos, foi a palestra proferida pelo Coronel Artur
Pita Alves, participante do Movimento dos Capitães de Abril. Emocionado e
honrado por ter sido convidado para participar na Sessão comemorativa, na sua
terra natal, Pita Alves começou por questionar “porquê? e para quê? o 25 de
Abril? terá valido a pena?”
Descreveu então a conjuntura
política e militar que antecedeu o golpe militar de 1974 e referiu-se aos
sinais de descontentamento existente no seio militar designadamente
relacionados com a legislação que alterou as promoções entre oficiais do quadro
permanente e oficiais do quadro de milicianos e, sobretudo, a situação
incontrolável da Guerra do Ultramar. Obviou afirmando que podia perceber-se que
inicialmente o objetivo do golpe de estado não seria a mudança do regime
vigente, mas sim acabar com a Guerra no Ultramar.
Depois, fez uma análise positiva
do projeto dos três “D” (democratizar, descolonizar e desenvolver) e censurou
que se assista agora a um ataque cerrado às conquistas alcançadas e se caminhe
para a destruição de tudo o que foi conseguido. Pita Alves foi mais longe na
sua alocução e acusou o poder de não saber aplicar o dinheiro de que o País
dispunha tendo-se assistido ao esbanjamento de dinheiro em projetos megalómanos
e constatou que “atualmente, a classe política está mal servida, que os
políticos não respeitam a sua palavra, que lhes falta credibilidade, dignidade,
que são corruptos” deixando um desafio: “Há que pôr fim, rapidamente, a estes
sentimentos que corroem a Democracia, a Liberdade, e que são uma afronta para
os incontáveis políticos honestos e com dignidade.” Sublinhou então que “a culpa
é de todos nós pois deveríamos exigir que os políticos cumprissem capazmente o
seu dever”, convicto de que a data celebrada “é um bom motivo para alimentar a
esperança, reforçar a vontade, sonhar de novo”: Deixou então um repto aos
presentes: “vamos vencer o medo, vamos vencer a crise, vamos construir o
futuro!”
O Poeta e historiador, Hermínio
da Cunha Marques, declamou então um soneto da sua autoria precedido de uma
introdução sobre os acontecimentos vividos no Concelho naquela data – 25 de
Abril de 1974.
Antes de encerramento da Sessão
Solene, Rogério Mota Abrantes, entregou uma salva de estanho, cunhada com o
brasão do município e com dedicatória ao palestrante convidado. Na sua
intervenção de encerramento, o presidente da Edilidade disse, a propósito do
Coronel Artur Pita Alves, que “Contou coisas que já conhecíamos, mas também
outras que não nos passavam pela cabeça”. Rogério Abrantes enalteceu as
conquistas da Revolução dos Cravos lembrando que “liberdade também significa
responsabilidade” afirmando que os atuais órgãos autárquicos estão empenhados
em alcançar uma cultura diferente em prol de uma administração moderna, pelo
que este Executivo nada escondeu, nem esconderá, comprometendo-se a tratar
todos os munícipes com igualdade “É nossa obrigação devolver aos cidadãos dias
melhores”; “é nosso dever mostrar aquilo de que somos capazes”.
Terminou com palavras de
esperança “Se nestes 40 anos tivemos o privilégio de viver em liberdade,
cabe-nos agora o papel de honrar os valores do 25 de Abril”.
As comemorações da manhã
terminaram com a visita à exposição de trabalhos realizados por alunos do
Agrupamento de Escolas, patente no átrio dos Paços do Concelho.
Mas a tarde trouxe mais
iniciativas. No recinto da Feira dos Carvalhais, em Oliveirinha, estava tudo a postos
para acolher os grupos do Concelho (Grupo de Cantares O Torreão de Currelos,
Grupo de Cordas e Cantus da Filarmónica de Cabanas de Viriato, Rancho
Folclórico Flores da Beira de Travanca de S. Tomé, Grupo de Cavaquinhos da
Associação Cravos e Rosas de Vila Meã e Grupo Folclórico D’ Alegria de Vila
Meã) numa tarde cultural que atraiu centenas de pessoas e que terminou com a
interpretação dos temas “E depois do adeus”, “Meninos de Huambo”, “O que faz
falta” e “Grândola Vila Morena” pela aluna Beatriz Rito e pelo professor José
Eduardo, do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal.
Alguns feirantes mantiveram-se
também todo o dia no recinto associando-se aos festejos.

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